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title: Dia Internacional do Café: como as cooperativas sustentam a produção no Brasil | Notícias | Sistema OCB
description: No Dia Internacional do Café, saiba mais sobre a participação do cooperativismo no segmento e como o setor está transformando a cafeicultura 
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date: 2026-10-01T13:04:21Z
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Cada café brasileiro coado em casa, servido no balcão de uma padaria ou preparado do outro lado do planeta carrega uma história que começa muito antes do consumo: colheita, secagem, armazenagem, negociação. Boa parte dessa jornada acontece em uma cooperativa. Ao todo, 97 delas respondem por cerca de 65% da produção nacional e por 35% das exportações, e reúnem 330 mil cafeicultores em várias partes do país, segundo dados do Conselho Nacional do Café. Uma rede de cooperação que tem muito a brindar no Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro.

A estrutura que sustenta esses resultados vai além da organização produtiva para venda dos grãos. As [cooperativas](https://www.somoscooperativismo.coop.br/anuariocoop/ramo-agropecuario) oferecem suporte técnico e orientação no campo, viabilizam o acesso ao crédito para financiar investimentos e promovem práticas sustentáveis entre os cafeicultores, alinhando o segmento às demandas dos consumidores conscientes e às exigências do mercado.

“A força do cooperativismo está na capacidade de agir coletivamente. No setor cafeeiro, sensível às mudanças climáticas e oscilações econômicas, a articulação entre produtores garante que nosso café siga competitivo e presente na mesa dos brasileiros e nos principais destinos do mundo”, afirma o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, que também é cafeicultor.

## Gigante mineira 

Maior produtora e exportadora individual de café do mundo, a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé ([Cooxupé](https://www.cooxupe.com.br/)) é um exemplo de como esse trabalho coletivo vem dando bons frutos para o país. Em 2025, a coop mineira recebeu 6,075 milhões de sacas de café arábica, das quais 4,8 milhões foram entregues por seus cooperados, volume equivalente a 17% da ![cooxupé](https://somoscooperativismo.coop.br/images/cooxupé.webp)produção nacional da espécie e representando 24% da produção de café arábica em Minas Gerais, de acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Grande parte desse volume foi exportado para 50 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, China, Canadá e Argentina, levando o café mineiro para o mundo.

Fundada há 94 anos, a Cooxupé reúne mais de 22 mil famílias cooperadas no Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e Média Mogiana Paulista, em 370 municípios. Sua atuação vai do fornecimento de café verde e grãos especiais para grandes compradores até a venda ao consumidor final, com produtos de marcas próprias em mais de 26 mil pontos de venda. O desempenho levou a instituição a ser destaque recentemente em dois rankings de peso: o [Valor 1000](https://infograficos.valor.globo.com/valor1000/2026), do Valor Econômico, e o [As 1.000 Maiores Empresas do Brasil](https://veja.abril.com.br/economia/top30-as-1000-maiores-empresas-do-brasil/), da Veja Negócios.

“Esse reconhecimento mostra a força do sistema cooperativista e a capacidade de transformar a união dos produtores em competitividade, geração de oportunidades e presença relevante na cafeicultura brasileira no Brasil e no exterior”, afirma o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Melo.

Mais de 97% dos cooperados da Cooxupé são pequenos produtores. Reunidos na cooperativa, eles têm acesso a assistência técnica, capacitação, insumos, serviços e orientação para produzir com mais eficiência e sustentabilidade. Segundo Melo, o modelo fortalece o cafeicultor e cria condições para que as famílias permaneçam na atividade, melhorem suas propriedades e estejam mais preparadas para os desafios do setor.

“No sistema cooperativista, o mini e o pequeno produtor também têm oportunidade de participar do mercado ao lado de médios e grandes cafeicultores, além de aproveitar momentos favoráveis para a comercialização do seu café. A união proporcionada pela cooperativa dá a eles competitividade e soma a força de cada um para uma atuação coletiva”, destaca o dirigente.

Um dos grandes diferenciais da Cooxupé é o compromisso com a sustentabilidade, colocado em prática em iniciativas como o Protocolo Gerações, uma ferramenta de melhoria contínua nas áreas ambiental, social e econômica, que leva em conta a realidade da cafeicultura brasileira. Em outra frente, o Projeto de Cafeicultura Regenerativa reúne ações voltadas à biodiversidade, à conservação dos recursos naturais e à resiliência das lavouras.

“A partir desse trabalho, a Cooxupé viabilizou a primeira comercialização de créditos de carbono gerados pela arborização de lavouras de café no Brasil, o que abre uma nova possibilidade de geração de renda aos produtores. Também temos um núcleo dedicado a ações de educação ambiental, distribuição de mudas de espécies nativas para os cooperados, recuperação de nascentes e outros projetos”, afirmou o presidente.

## Tradição e suporte 

Em Franca, no interior paulista, a Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas ([Cocapec](https://www.cocapec.com.br/)) reúne 3,2 mil cooperados que atuam no disputado segmento de cafés especiais. Além da sede, a cooperativa mantém oito unidades espalhadas por municípios de São Paulo e Minas Gerais. Com 41 anos de história, também é uma das representantes do cooperativismo no ranking Valor 1000 de 2026, com a 52ª posição entre as melhores do agronegócio.

![cocapec](https://somoscooperativismo.coop.br/images/cocapec-.webp)Responsável por 5% da produção nacional de café arábica, a cooperativa exporta 1,4 milhão de sacas por ano, de forma direta ou por meio de tradings, para a Europa, Estados Unidos e Japão. Segundo o presidente da Cocapec, Saulo Faleiros, os números reafirmam o protagonismo das cooperativas na cafeicultura brasileira.

“O cooperativismo é um agente de organização do mercado porque permite ao produtor acessá-lo de forma eficiente e competitiva, ganhando escalabilidade, conquista muito difícil de ser alcançada de forma isolada. Além disso, levamos aos produtores tendências, informações e tecnologias que lhes permitem serem mais eficientes e sustentáveis”, afirma.

Na prática, a Cocapec prepara o cafeicultor para disputar esse espaço com assistência técnica voltada à produção sustentável, crédito para acesso a tecnologias e ferramentas de comercialização que ajudam a preservar a renda. O suporte também inclui armazenamento, insumos, atendimento veterinário, laboratório de análises, classificação e venda do café, além de lojas com itens que vão de vestuário a tratores.

Os investimentos em tecnologia e inovação completam o quadro, com projetos que elevam a produtividade e reduzem custos para pequenos agricultores. “A Cocapec transformou o cenário da cafeicultura da região, motivou o crescimento tecnológico no campo, criou melhores condições para a aquisição de produtos, dinamizou a compra e venda de café e trabalha no dia a dia com seus cooperados na melhoria da qualidade de um produto que tem grande importância no cenário econômico mundial”, ressalta Faleiros.

## Café conilon cooperativo 

Mais intenso e encorpado, com teor de cafeína superior ao do arábica, o conilon é uma variedade da espécie canéfora, cultivada principalmente no Espírito Santo e na Bahia. Especializada neste nicho, a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel ([Cooabriel](https://www.cooabriel.coop.br/)) responde por 10% da produção nacional.

Fundada em 1963, em São Gabriel da Palha, no noroeste capixaba, a Cooabriel acompanha a cultura desde o início: foi precursora e cresceu junto com a produção da variedade no estado. Hoje, reúne 11 mil cooperados. Em 2025, movimentou ![cooabriel café conilon 1](https://somoscooperativismo.coop.br/images/cooabriel-café-conilon-1.webp)2,3 milhões de sacas, distribuídas em 12 unidades de armazenagem, sendo nove no Espírito Santo e três na Bahia. A cooperativa também está entre as maiores do agro brasileiro listadas no ranking Valor 1000 de 2026.

“Aproximadamente 85% do nosso quadro de cooperados são pequenos produtores ou de base familiar. A união garante a eles volume e escala e nos dá representatividade como a maior cooperativa de café conilon do Brasil”, afirma o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello.

A cooperativa acompanha o cafeicultor em várias etapas: venda de mudas e insumos, consultoria técnica, armazenagem e comercialização da safra. Além disso, ações de capacitação e financiamento da produção reforçam a atividade dos produtores cooperados da Cooabriel.

“O cooperativismo é um modelo de negócio que trabalha para o crescimento e desenvolvimento do cooperado, da família e da comunidade onde atua. E, como sociedade de pessoas que é, o foco na Cooabriel é direcionado para o cooperado com muita energia”, ressalta.

O principal produto da Cooabriel é café commodity, mas a cooperativa também tem marca própria de grão torrado e moído, o Café Guardião, que é 100% conilon e está disponível para consumidores de Vitória e das regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo.
