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Representantes de mais de 100 países debater cooperativismo, sustentabilidade e políticas públicas

ACI anuncia Conferência Mundial de 2024 na Índia

Representantes de mais de 100 países debater cooperativismo, sustentabilidade e políticas públicas

A Aliança Cooperativa Internacional (ACI) anunciou, nesta quinta-feira (20), a realização da Conferência Mundial de 2024, que acontecerá em Nova Délhi, na Índia, entre os dias 25 e 29 de novembro. O evento marca a inauguração do Ano Internacional das Cooperativas e irá reunir representantes de organizações membros da ACI de mais de 100 países.

 

Para o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, a Conferência Global da ACI reunirá representantes do cooperativismo de todo o planeta e lançará o Ano Internacional das Cooperativas. "Será um grande evento de celebração dos 180 anos do movimento cooperativista", disse. 

 

A Conferência Cooperativa Global será uma plataforma que irá viabilizar discussões sobre temas importantes como o papel do cooperativismo no ESG, políticas públicas, fortalecimento de cooperativas, identidade cooperativa e outros. Além disso, a programação inclui a Assembleia-Geral da ACI, reuniões das organizações setoriais da Aliança e comitês de jovens e de igualdade de gênero.

 

Os quatro temas centrais da conferência irão abordar questões vitais para a paz mundial, a democracia, a crise climática e a necessidade de uma mudança sistêmica global. Palestrantes irão compartilhar suas últimas descobertas e percepções, em busca de contribuir para debates enriquecedores acerca dos assuntos que serão colocados em pauta. 

 

Durante o evento, irão acontecer plenárias sobre o cooperativismo, oportunidades para networking e a exibição de filmes e documentários.  Os participantes também poderão visitar cooperativas indianas e explorar a cidade de Delhi.

 

As inscrições para o evento estão abertas, com um custo de 750 euros para representantes de organizações membros da ACI e, para participantes com menos de 35 anos, a inscrição possui o valor de 200 euros. O Sistema OCB se coloca à disposição para esclarecer dúvidas através do e-mail Este endereço para e-mail está protegido contra spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelo telefone (61) 3217-2152.

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Parlamentares e especialistas discutiram a importância de políticas públicas em prol do agro

Sistema OCB participa ativamente de reuniões sobre pautas ambientais

Parlamentares e especialistas discutiram a importância de políticas públicas em prol do agro

O Sistema OCB participou, na terça-feira (18), de audiência pública da Comissão Mista Permanente  sobre Mudanças Climáticas (CMMC). No encontro, os senadores e deputados debateram, com especialistas, as dificuldades na implementação do Código Florestal, que completa 12 anos. O foco da audiência foi a restauração de áreas degradadas. Leonardo Papp, consultor ambiental do Sistema OCB, gestores públicos do meio ambiente, representantes de ONGs, da indústria, do agronegócio e do Ministério do Meio Ambiente estiveram presentes.

Para o consultor ambiental do Sistema OCB, Leonardo Papp, o CAR reconhece a importância do cooperativismoPara o consultor ambiental do Sistema OCB, Leonardo Papp, o CAR reconhece a importância do cooperativismoLeonardo Papp afirmou que o tema é pertinente para o cooperativismo brasileiro, tendo em vista os princípios do cooperativismo, que tratam sobre cuidado com a sociedade e sustentabilidade. Para ele, o ramo agropecuário, que possui mais de 1 milhão de cooperados, foi impactado desde a edição do Código em 2012. O consultor ressaltou o sucesso do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no cooperativismo, que reconheceu sua importância e resultou em uma malha quase completa de cadastros. "Ainda é necessário que sejam dados mais incentivos para a implementação do Código, como programas de regularização ambiental e o uso de tecnologia, além de uma diminuição da judicialização constante do código, que busca restringir sua aplicação", disse. 

O deputado federal Nilto Tatto (SP) destacou que a lei é fundamental para todos os setores afetados pelas mudanças climáticas, não apenas os ambientalistas.  "É necessário que o Congresso Nacional reconheça a urgência de políticas que mitiguem os impactos das mudanças climáticas em nossa sociedade. O debate não é apenas sobre proteger o meio ambiente, mas também sobre garantir a sustentabilidade econômica e social do nosso país. Precisamos que a legislação responda adequadamente às necessidades de todos os setores, promovendo uma transição justa e eficiente para um futuro mais sustentável", afirmou. 

O deputado Sérgio Souza (PR) ressaltou que o Código Florestal é um instrumento que garante a produção brasileira com sustentabilidade e conservação do meio ambiente e frisou que o produtor rural não deve ser culpado pela falta de implementação do código. "Precisamos reconhecer o esforço dos produtores do campo que seguem a legislação e garantir que as políticas públicas ofereçam o suporte necessário para a plena implementação do Código", salientou. 

Thereza Cristina falou sobre a necessidade de evolução do Código Florestal Thereza Cristina falou sobre a necessidade de evolução do Código Florestal A senadora Tereza Cristina (MS) enfatizou a importância da comissão para resolver os problemas do Brasil por meio da ciência, com destaque para o CAR, que precisa ser implementado, na prática, para ajudar os estados a avançarem. Ela ressaltou que o Código Florestal Brasileiro precisa evoluir e que é crucial considerar o meio ambiente de forma holística, não apenas focando no agronegócio.  “A ciência é a chave para equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental, e precisamos de políticas integradas que reflitam essa visão. Somente assim conseguiremos promover um crescimento sustentável e inclusivo para o país", pontuou. 

 

 
 
 
Meio Ambiente em foco 

A 8ª Reunião da Rede Zarc-Embrapa de Pesquisa e Desenvolvimento, realizada na quarta-feira (19), contou com a participação de várias cooperativas importantes, incluindo Coamo, Rede Técnica Cooperativa (RTC), Comigo, Cocamar, Coopercitrus e Capal. O evento, que reuniu pesquisadores e representantes do setor produtivo, foi um espaço dedicado à troca de conhecimentos e à discussão de estratégias de gestão de riscos climáticos na agricultura brasileira.

A Rede Zarc-Embrapa tem um papel crucial no aprimoramento dos estudos nacionais de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Ela trabalha em conformidade com os Programas Zarc, Proagro e PSR, além de outros projetos relacionados à agricultura e clima. Suas atividades são voltadas para a atualização e desenvolvimento de estratégias de manejo e adaptação dos sistemas produtivos, visando a prevenção de riscos e a redução de seus impactos.

O principal objetivo da reunião foi compartilhar e debater visões e experiências entre representantes do setor produtivo, seguradoras e operadores de crédito rural, além de formuladores e operadores de políticas agrícolas. A programação deste ano abordou diversos assuntos relacionados à gestão de riscos na agricultura, proporcionando uma oportunidade para atualização de conhecimentos, troca de experiências e estabelecimento de novas conexões para trabalhos em cooperação.

Durante o evento, os representantes das cooperativas destacaram a importância de suas iniciativas para a gestão de riscos rurais. Apresentaram cases, processos e programas implementados em suas cooperativas, que têm se tornado referências no mercado quando o assunto é suporte ao produtor rural na gestão de riscos inerentes ao seu negócio. Essas boas práticas são fundamentais para reduzir os riscos rurais e melhorar a resiliência dos produtores frente às adversidades climáticas.

  Entre as ações discutidas, destacaram-se as estratégias de transferência de risco, como seguros agrícolas e o Proagro. No entanto, foi enfatizado que uma série de ações de manejo “dentro da porteira” também são essenciais para a prevenção de riscos ou redução de seus impactos. Essas práticas incluem técnicas de manejo do solo, uso eficiente de recursos hídricos, escolha de cultivares mais resistentes e diversificação de culturas que, juntas, formam um conjunto robusto de medidas para enfrentar os desafios climáticos na agricultura.

 

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Desdobramentos da Reforma Tributária foram discutidos e novo plano de trabalho foi apresentado

Conselho Consultivo do Ramo Saúde realiza reunião estratégica

Desdobramentos da Reforma Tributária foram discutidos e novo plano de trabalho foi apresentado

 

O Conselho Consultivo do Ramo Saúde se reuniu nesta quarta-feira (20) para tratar de temas como a regulamentação da Reforma Tributária e, também, das pautas mais importantes para o desenvolvimento do setor. O encontro contou com a participação de representantes e líderes do segmento.

Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB, ressaltou a importância de alinhar o ponto de vista técnico sobre a Reforma. Ela convocou todos os participantes a se engajarem nessa batalha e enfatizou que a regulamentação é tão crucial quanto a Emenda Constitucional (EC) 132. "Nós estamos lidando com a falta de compreensão da Receita Federal e do Executivo sobre o modelo societário das cooperativas e, a partir de agora, precisamos de um esforço conjunto para vencer essa luta e conseguir um adequado tratamento tributário ao ato cooperativo", disse. 

Em seguida, Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais, apresentou o trabalho de representação que a unidade nacional tem feito para alcançar os objetivos do coop na Reforma, bem como o direcionamento dos próximos passos. "Participamos, de forma ativa, de reuniões com parlamentares, seminários, audiências públicas no Congresso Nacional e Grupos de Trabalho para destacar a importância de serem consideradas as peculiaridades do cooperativismo no contexto da regulamentação. Nós buscamos, constantemente, por um texto que considere a natureza neutra das cooperativas, sem dupla tributação", afirmou. 

Ana Paula Rodrigues, assessora jurídica, apontou que o Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/24 desrespeita a EC 132/23. Segundo ela, o projeto confunde alíquota zero com não incidência de tributação e aplica, de forma restritiva, o ato cooperativo, sem esclarecer como se dará o fluxo da apuração do crédito na operação subsequente com alíquota zero. "Nossa proposta só busca por um respeito ao ato cooperativo em toda a sua amplitude".

Durante a reunião, foi apresentado um plano de ação robusto para sensibilizar cooperativas, Organizações Estaduais (OCEs) e parlamentares sobre a importância da regulamentação adequada. O planejamento inclui o site Ato Cooperativo na Reforma Tributária, distribuição de materiais informativos, publicação de artigos em jornais de grande circulação e a implementação de estratégias visuais como outdoors, banners e panfletos. 

 

Planos de Trabalho para o Ramo 

As pautas prioritárias deram destaque para prioridades do segmento como regulamentação dos planos de saúde e piso salarial da enfermagemAs pautas prioritárias deram destaque para prioridades do segmento como regulamentação dos planos de saúde e piso salarial da enfermagemHugo Andrade, coordenador de Ramos, apresentou uma proposta para a criação de Câmaras Temáticas, com explicação sobre atribuições, composição e duração. Entre as pautas prioritárias, ele destacou a atualização da regulamentação dos planos de saúde e a participação das cooperativas de saúde em licitações. Ele também salientou a atual situação do piso salarial da enfermagem, tendo em vista a atuação do Sistema OCB para buscar formas de se posicionar e colaborar com essa questão.

O coordenador reforçou ainda o apoio da entidade às OCEs e às cooperativas na divulgação dos benefícios das parcerias público-privadas (PPPs) em saúde, além da implementação dos grupos de trabalho para encontrar soluções de financiamento, aproximação institucional da Agência Nacional de Saúde Suplementar e do Ministério da Saúde, bem como avaliação dos impactos e implementação de diretrizes aprovadas no 15º CBC. 

Alex Macedo, coordenador de Meio Ambiente, apresentou o ESGCoop aos participantes. Ele explicou que o programa visa aumentar a competitividade das cooperativas por meio de uma solução que avalia a performance e os indicadores de sustentabilidade de cada uma. "Ao mapear boas práticas, capacitar e desenvolver planos de ação que atendam aos critérios ambientais, sociais e de governança, conseguimos minimizar impactos no meio ambiente, fortalecer laços, promover a igualdade e operar com transparência e integridade. Nosso objetivo é garantir que nossas operações sejam éticas e eficientes", destacou.

Para Hugo, a primeira reunião de 2024 do colegiado foi importante para alinhar ações, comunicar desafios à base e deliberar sobre estratégias de fortalecimento do cooperativismo de saúde. "O ponto alto foi a discussão sobre os debates e impactos da Reforma Tributária. A apresentação do ESGCoop também trouxe clareza acerca do tema, bem como a proposta de constituir uma Câmara Temática dos Profissionais da Enfermagem e a aprovação do plano de trabalho 2024/2025", destacou.


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Reunião apresentou plano de trabalho e novos membros do Conselho Administrativo

Sistema OCB participa de Assembleia-Geral da ACI

Reunião apresentou plano de trabalho e novos membros do Conselho Administrativo

Assembleia geral da ACIO Sistema OCB participou, na quarta-feira (20), da Assembleia-Geral da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), realizada conforme a exigência da Lei de Organizações Internacionais da Bélgica, que determina que tais encontros anuais ocorram antes de 30 de junho. A pauta incluiu o plano de trabalho para 2024, a auditoria das contas, o balanço financeiro, a apresentação do novo diretor-geral e, também, dos novos membros do Conselho de Administração. 

A ACI possui seis membros brasileiros, sendo eles o Sistema OCB, a Unimed do Brasil, a Uniodonto do Brasil, a Unimed Nacional, o Sicredi Pioneira e o Seguros Unimed. O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, ressaltou a importância da participação brasileira na ACI e destacou que o cooperativismo brasileiro tem se mantido conectado e atuante na comunidade internacional. "Mantemos uma forte atuação no âmbito da ACI para buscar novas soluções, sejam em negócios, inovação ou troca de conhecimentos para nossas cooperativas. A participação de hoje mostrou como nosso movimento é unido e forte", disse. 

Por sua vez, Jeroen Douglas, o novo diretor-geral da ACI, apresentou seu plano de trabalho para 2024 e 2025, com destaque para os principais eventos que a organização promoverá. Ele debateu sobre as reestruturações ocorridas no Conselho da ACI, órgão administrativo responsável pelas decisões estratégicas. Ainda foram discutidos e aprovados o relatório financeiro, a auditoria das contas e o plano de trabalho. Jeroen também anunciou a comemoração do 30º Dia Internacional das Cooperativas, incorporado ao calendário oficial das Nações Unidas.

O Conselho, composto pelo presidente Paulinho Algarco, por membros eleitos, quatro vice-presidentes regionais e presidentes das ACI regionais, além dos presidentes das organizações setoriais da ACI e dos comitês especiais de gênero e juventude, aprovou a substituição de dois antigos membros, com novos representantes: Doug O'Brien, dos Estados Unidos, e Simona Cavazzuti, do Paraguai. 

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Conteúdo mostra importância de regulamentação que considere as especificidades do modelo de negócios

Site concentra informações para defesa do ato cooperativo na Reforma Tributária

Conteúdo mostra importância de regulamentação que considere as especificidades do modelo de negócios

O Sistema OCB relançou seu site dedicado ao Ato Cooperativo na Reforma Tributária, para explicar a importância do tema para o cooperativismo e a relevância de assegurar uma regulamentação adequada ao ato cooperativo no texto do PLP 68/2024, em tramitação na Câmara dos Deputados. A demanda do movimento é para que as novas regras respeitem as especificidades do modelo de negócios e garantam a continuidade de suas atividades. 

No site, é possível entender como a Emenda Constitucional (EC) 132/23 marcou duas conquistas significativas para o movimento: o reconhecimento do tratamento tributário adequado ao ato cooperativo e a criação de um regime específico de tributação para as cooperativas. Agora, na etapa de regulamentação infraconstitucional, a partir do Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024, é fundamental reforçar a atenção para o modelo societário. O objetivo do Sistema OCB é enfatizar que o cooperativismo possui características únicas que precisam ser consideradas na nova legislação.

Para Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, é fundamental que todos os dirigentes, cooperados e cooperativistas visitem o site para conhecer a importância de garantir a correta regulamentação do ato cooperativo na Reforma Tributária. "Os usuários podem baixar materiais que incentivam e apoiam nossa causa nas redes sociais. Com a hashtag #AtoooperativoReformaTributária, todos podem marcar parlamentares que se engajem na causa, destacando a questão como uma escolha por um país mais justo e com melhores oportunidades para todos," afirmou.

Além disso, o site lista os parlamentares que fazem parte do Grupo de Trabalho (GT) responsável pela discussão do PLP 68/2024 e disponibiliza um ofício de apoio à regulamentação correta do ato cooperativo, com o objetivo de ressaltar a necessidade de um olhar especial para o tema na nova legislação.

O site também fornece uma relação completa de contatos dos parlamentares de cada estado e materiais prontos para postagem nas redes sociais. Entre os recursos disponíveis, estão um folder explicativo, um guia detalhado de defesa do tema e vídeos sobre cada etapa da tramitação da Reforma no Congresso Nacional. Também é possível assistir ao vídeo da participação do Sistema OCB em uma das audiências públicas que discutiram os regimes específicos na regulamentação da Reforma Tributária. 

Confira a proposta do Sistema OCB para a regulamentação correta do Ato Cooperativo. 

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5 Boas práticas de governança e gestão das cooperativas brasileiras

Uma boa gestão é fundamental para o sucesso e a sustentabilidade de qualquer organização, entre elas as cooperativas. E um dos caminhos para que isso ocorra é implementar, no dia a dia, boas práticas de governança, que possibilitem o alcance dos objetivos de forma transparente, responsável, democrática e eficiente, além de garantir sustentabilidade em longo prazo.

Para auxiliar as cooperativas a implementar uma governança eficiente, o Sistema OCB desenvolveu o Manual de Boas Práticas de Governança Cooperativa. O documento aborda procedimentos para garantir um modelo de direção estratégica que siga, na prática, os valores e princípios cooperativistas e assegure uma gestão profissionalizada e sustentável. Ele também aborda conceitos e princípios importantes sobre governança aplicada a sociedades cooperativas e trata de outras questões fundamentais, como o papel de cada integrante da organização, além da função dos órgãos de administração e fiscalização. 

O manual traz, ainda, as cinco melhores práticas de governança para as cooperativas. Saiba mais sobre cada uma delas a seguir:

Maior participação dos cooperados nas tomadas de decisões

Uma característica central das cooperativas é a participação ativa dos membros nas decisões importantes. Ampliar essa participação vai além de simplesmente permitir votos em assembleias. Significa criar mecanismos para que os cooperados possam contribuir com ideias e opiniões. Isso fortalece o sentimento de pertencimento, aumenta o engajamento, dá mais legitimidade às escolhas e assegura que as decisões reflitam as necessidades reais da base cooperativa.

“Garantir que os cooperados participem ativamente na tomada de decisões é fundamental, afinal, a cooperativa é um empreendimento coletivo. É exatamente essa participação que traz um maior compromisso com a cooperativa, com o trabalho que está sendo executado. E é também uma forma do cooperado fiscalizar o que está sendo empreendido e como o dinheiro dele está sendo utilizado”, observa a coordenadora de Governança e Gestão da Gerência de Desenvolvimento de Cooperativas do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), Simone do Carmo Direito.

Ainda de acordo com Simone, para os cooperados poderem, de fato, participar de forma efetiva nas tomadas de decisões, é preciso que eles tenham acesso a informações frequentes e acessíveis. 

“O cooperado precisa entender o que ele está analisando, saber o que está acontecendo para que possa tomar decisões com base em dados e informações”, afirma. “Isso é um desafio. Mas quando a cooperativa faz esse esforço, ela tem retribuição. O quadro social fica muito mais comprometido. Também se fortalecem os laços entre os membros, promovendo um ambiente mais colaborativo e coeso.”

Transparência na prestação de contas

A transparência financeira envolve a divulgação clara e acessível das demonstrações contábeis, relatórios de desempenho e de todas as atividades relevantes para os cooperados. A prática é fundamental para que os associados possam entender como os recursos são geridos e como as decisões afetam financeiramente a cooperativa e eles próprios. 

Além de atender aos princípios fundamentais do cooperativismo, a transparência na prestação de contas oferece uma série de vantagens práticas:

 

  • Construção de confiança entre os cooperados e a organização. Em geral, quando as informações financeiras são acessíveis e compreensíveis, os membros confiam mais na gestão da cooperativa.

  • Aumento da participação ativa dos cooperados, pois eles se sentem mais envolvidos quando têm uma visão clara das finanças da cooperativa. Isso cria um ambiente cooperativo mais saudável e envolvente. 

  • Promoção de uma cultura de responsabilidade coletiva. Os membros entendem que a saúde financeira da cooperativa é responsabilidade de todos e estão mais propensos a contribuir para seu sucesso.

  • Aumento da credibilidade junto às partes interessadas. Parceiros comerciais, instituições financeiras, fornecedores e outras organizações estão mais inclinadas a se envolver com uma cooperativa que demonstre práticas financeiras claras e éticas

  • Aumento da eficiência da gestão. Afinal, quando as informações financeiras são facilmente acessíveis, os processos de auditoria e conformidade, em geral, são mais simples, economizando tempo e recursos. 

Segundo Simone Direito, uma ferramenta de grande importância para a transparência financeira é o relatório anual de prestação de contas. “E é essencial que, além dos dados contábeis, o documento também apresente as principais atividades e negócios realizados pela cooperativa. São informações que precisam estar acessíveis para os associados”, observa a coordenadora.

  1. Criação de uma estrutura organizada de governança

Investir na criação de uma estrutura organizada de governança é uma decisão estratégica que traz benefícios substanciais para a cooperativa. Essa prática não apenas promove a eficiência interna, mas também constrói uma base sólida para a adaptabilidade, transparência e sucesso em longo prazo da cooperativa.

Uma estrutura de governança organizada define claramente os papéis e responsabilidades dos membros, conselhos e diretores da cooperativa. Isso evita ambiguidades e mal-entendidos, garantindo uma distribuição eficiente de tarefas e responsabilidades. Além disso, a prática contribui para maior eficiência operacional. Ao estabelecer processos claros de tomada de decisões, comunicação interna e fluxos de trabalho, a cooperativa reduz a probabilidade de atrasos, erros e conflitos. 

De modo geral, uma estrutura organizada facilita que as decisões possam ser tomadas de maneira mais rápida e eficaz. A definição de processos claros e a distribuição de responsabilidades agilizam o fluxo de informações, permitindo respostas ágeis a desafios e oportunidades.

Uma governança bem-estruturada também cria ferramentas para que as cooperativas sejam mais resilientes a mudanças externas e internas, o que é essencial para a sustentabilidade em longo prazo. E auxiliam a garantir a conformidade legal e regulatória das organizações, evitando penalidades e litígios e possibilitando a um ambiente operacional seguro e estável.

Profissionalização da gestão

A profissionalização da gestão é uma estratégia essencial para cooperativas que buscam não apenas sobreviver, mas prosperar em um ambiente de negócios competitivo e dinâmico. Ao trazer liderança qualificada, a cooperativa fortalece sua capacidade de inovar, crescer de forma sustentável e enfrentar desafios complexos.

Profissionais experientes trazem expertises específicas para a gestão da cooperativa. Eles possuem conhecimentos atualizados sobre práticas de mercado, legislação, finanças e estratégias de negócios, por exemplo, que podem impulsionar o crescimento e a eficiência da organização. Além disso, líderes profissionais, em geral, têm capacidade de tomar decisões com base em análises detalhadas e avaliações de risco. Isso contribui para escolhas estratégicas mais sólidas e alinhadas com os objetivos da cooperativa.

Profissionalizar a gestão também permite um foco mais efetivo na gestão estratégica e na materialização do direcionamento estratégico definido pelo Conselho de Administração. Líderes qualificados podem desenvolver e implementar planos que visam o crescimento sustentável e a competitividade no mercado, além de terem capacidade de identificar e implementar melhorias nos processos internos, possibilitando maior eficiência operacional, redução de custos e otimização dos recursos disponíveis.

Gestores profissionais aumentam, ainda, a confiança de investidores externos e parceiros comerciais. Essas partes interessadas (stakeholders) estão mais inclinadas a se envolver com uma cooperativa que demonstre competência e uma abordagem profissional na administração.

“Assim que uma cooperativa é criada, é natural que boa parte da responsabilidade esteja nas mãos dos dirigentes eleitos. Mas assim que houver um equilíbrio entre receitas e despesas, é essencial profissionalizar a gestão”, destaca Simone Direito, do Sescoop Nacional. “O mundo hoje é muito complexo e ninguém sabe de tudo. Então, é necessário um apoio profissional, sempre, é claro, sob supervisão  dos conselheiros, que são responsáveis pelo direcionamento estratégico.”.

Mapeamento e sistematização de processos

O mapeamento e a sistematização de processos são essenciais para o bom funcionamento de uma cooperativa. A prática permite criar padrões para as atividades operacionais. Isso garante que os processos sejam realizados de maneira consistente, reduzindo a variabilidade e aumentando a previsibilidade nas operações cotidianas.

A melhoria dos processos permite identificar áreas de redundância, gargalos e ineficiências. Ao sistematizar esses processos, a cooperativa pode eliminar desperdícios, reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência global. A documentação de processos fornece, ainda, uma base para a implementação de programas de melhoria contínua. Ao entender os processos existentes, a cooperativa pode identificar oportunidades de aprimoramento e inovação ao longo do tempo.

Quer mais? Ao ter os processos mapeados, a cooperativa facilita o treinamento de novos membros. A sistematização fornece um guia para os colaboradores entenderem suas responsabilidades e contribuírem efetivamente para os objetivos da organização. Além disso, a sistematização ajuda a identificar pontos de vulnerabilidade e risco, permitindo que a cooperativa implemente controles mais eficazes, o que reduz a probabilidade de erros e irregularidades.

Processos sistematizados também são mais fáceis de serem adaptados a mudanças nas condições de mercado, regulamentações ou requisitos dos membros, além de contribuir para uma experiência do cooperado mais consistente e positiva. Desde a solicitação de serviços até a resolução de problemas, a padronização e a eficiência são fundamentais para a satisfação dos associados.

“Muitas pessoas têm o hábito de fazer as coisas de maneira informal. Pode parecer que é mais rápido, mas isso tem custos. Porque cada hora a tarefa é feita de uma maneira. Se uma pessoa sair, perde-se a memória da instituição. E isso não pode ocorrer”, afirma Simone. “Em um primeiro momento, é realmente trabalhoso, mas, com o tempo, o mapeamento e a sistematização de processos vai fazer uma diferença muito grande na cooperativa”, finaliza.

Linhas de crédito verde? As cooperativas têm

O interesse pela comunidade é um dos princípios que regem o cooperativismo. E isso se dá com um trabalho voltado ao desenvolvimento sustentável dessas comunidades, por meio do investimento em projetos economicamente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente justos. Um dos ramos que vem sendo protagonista nesse trabalho é o Crédito. Nos últimos anos, as cooperativas de crédito vêm se destacando ao oferecer linhas de financiamento com foco em sustentabilidade e desenvolvimento, ajudando a impulsionar iniciativas que melhorem a qualidade de vida dos cooperados e suas famílias e dos locais onde atuam.

De forma geral, essas linhas de crédito contam com taxas de juros e condições de pagamento mais favoráveis do que outras linhas existentes no mercado. Elas têm como foco principal pequenos empreendedores e agricultores familiares, além de pessoas físicas, e são voltadas a diversas atividades com foco em sustentabilidade e desenvolvimento. 

Existe, por exemplo, financiamento para agricultura sustentável, para apoiar os produtores a adotarem práticas sustentáveis, como agricultura orgânica, agroecologia, tecnologias de agricultura de baixo carbono e conservação de recursos naturais. Também é possível ter acesso a recursos para levar água tratada e esgoto a residências que ainda não contam com esses serviços.

Há, ainda, linhas de crédito para energias renováveis, que financiam, por exemplo, a instalação de painéis solares, biodigestores (biomassa),  turbinas eólicas ou outras tecnologias. E para eficiência energética, possibilitando a compra de eletrodomésticos e máquinas mais modernas e que consumam menos energia. 

“No âmbito das cooperativas de crédito, toda operação tem como foco a sustentabilidade, seja de um pequeno ou um médio empreendimento, seja de uma pessoa física”, destaca Moacir Krambeck, coordenador do Conselho Consultivo Nacional do Ramo Crédito do Sistema OCB (Ceco) e presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras). “Afinal, o objetivo é fazer com que o tomador tenha mais qualidade de vida e não que ele se endivide. Que um negócio seja rentável, que uma pessoa que esteja, por exemplo, em um momento de dificuldade possa sair dessa situação da melhor maneira possível. E essas linhas específicas para sustentabilidade e desenvolvimento vieram para somar”, afirma.

Krambeck destaca que as cooperativas de crédito vêm ampliando as linhas com esse foco e que a tendência é que continue havendo crescimento. “Principalmente nos últimos dois anos, isso tem sido mais forte. As cooperativas estão abrindo cada vez mais espaço para financiar projetos com essa pegada e que tragam benefício coletivo”, observa. “Não tenho a menor dúvida de que isso vai aumentar ainda mais. Nós, do Ramo Crédito, queremos ampliar as ações com foco nos critérios ESG, de ambiental, social e governança. Isso está em nosso DNA e temos que disponibilizar para a sociedade como um todo”, completa.

Água e esgoto

Uma cooperativa que tem impactado positivamente a comunidade em que atua por meio de linhas de crédito voltadas ao desenvolvimento e à sustentabilidade é a Viacredi, do Sistema Ailos, que atua em 25 cidades do estado de Santa Catarina e 5 do Paraná. A instituição conta com a linha Saneamais, que financia ações voltadas ao acesso a água tratada e a rede de esgoto. A iniciativa surgiu em 2022, após uma parceria com a Water.org, organização internacional fundada pelo ator Matt Damon e pelo engenheiro Gary White com atuação em 11 países da África, Ásia e América Latina.

“A Water.org é uma instituição com foco em levar, de forma acessível, água e saneamento para países pobres ou em desenvolvimento. Eles já atuavam no Brasil há alguns anos, mas nunca tinham trabalhado com uma cooperativa de crédito. E, em 2021, eles nos procuraram para estabelecer uma parceria para a criação de uma linha específica que se tornou a Saneamais. E, no ano seguinte, já a colocamos em funcionamento”, conta Sheyla Hennich Mendonça, especialista em Negócios da Viacredi.

A Saneamais permite que cada pessoa física financie até R$ 20 mil, sendo R$ 10 mil para abastecimento de água e R$ 10 mil para esgoto, com taxa de juros entre 1,46% e 2,19% ao mês e pagamento em até 48 meses. Desde a criação, já foram feitos cerca de 3 mil contratos de financiamento por meio dessa linha, beneficiando diretamente mais de 9,3 mil pessoas.

Entre as atividades financiáveis estão reforma de banheiro, compra ou troca de caixa d’água ou de hidrômetro, construção de caixa de gordura, limpeza ou construção de fossa séptica, construção de poço artesiano, manutenção de encanamento, reaproveitamento de água de chuva e contratação de mão de obra especializada.

“Santa Catarina é um estado com um dos maiores índices de câncer no País e uma das razões é o baixo índice de tratamento de esgoto. Então, há uma necessidade muito grande de melhorar essa situação e a Saneamais vem exatamente nesse sentido”, afirma Sheyla. “Nossa meta inicial era fechar, em média, 120 contratos por mês e acabamos fazendo 150. Há bastante interesse e nossa perspectiva é de que essa linha continue crescendo”, observa.

Um dos contratos de financiamento da Saneamais foi assinado pelo casal Nelson e Valdirene Hofelmann, da cidade de Benedito Novo, em Santa Catarina. Por muitos anos, Nelson trabalhou como pedreiro para sustentar a família e, há cerca de um ano, decidiu ter seu próprio negócio e montar uma pequena barraca de caldo de cana e pastel.

Hoje, os dois trabalham juntos na barraca e vêm fazendo bastante sucesso na comunidade. Com isso, puderam realizar o sonho de construir sua própria residência. Com a obra iniciada, foi preciso obter recursos para fazer o banheiro e colocar a fossa, o filtro e a caixa d’água. 

Nelson, então, pediu um empréstimo de R$ 10 mil à Viacredi em agosto de 2022. O financiamento está sendo pago em 48 parcelas de R$ 314,64. O material para a obra já foi comprado e o serviço, finalizado. “Se não fosse a Viacredi, seria impossível realizar esse sonho”, conta Nelson.

Energia sustentável

A instalação de fontes de energia sustentáveis é outra iniciativa que conta com linhas de crédito específicas em diversas cooperativas, como a própria Viacredi, que financia a instalação de sistemas de energia fotovoltaica e eólica. 

Quem também oferece crédito com esse objetivo é o Sistema Unicred. A instituição conta com uma linha específica para geradores solares, permitindo a implantação e expansão de painéis fotovoltaicos em diferentes localidades, como comércios, residências, hospitais, clínicas e indústrias, entre outros. Além de taxas de juros competitivas, os tomadores de crédito têm acesso a consultoria especializada em projetos solares, garantindo a correta implementação e maximização da eficiência dos painéis fotovoltaicos.

Já o Sicredi conta com duas linhas específicas para energia sustentável, uma voltada apenas a energia solar e outra com foco em outras fontes renováveis, como eólica, hídrica e de biomassa. A instituição conta, ainda, com uma linha voltada à eficiência energética, que permite o financiamento de diversos recursos necessário à realização de projeto para redução do consumo de energia, como aquisição e instalação de eletrodomésticos, máquinas e equipamentos mais modernos e eficientes e também a realização de obras civis com essa finalidade. As três linhas são voltadas tanto a pessoas físicas quanto jurídicas e têm prazo de pagamento de até 120 meses.

Baixa emissão de carbono

Outra linha de crédito voltada à sustentabilidade operada pelo Sicredi é a ABC Sicredi, voltada à economia verde e à redução da emissão de carbono na agropecuária. A instituição também opera o programa RenovAgro, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que busca aumentar a produtividade em bases sustentáveis e adequar as propriedades rurais à legislação ambiental. 

O programa RenovAgro é dividido em linhas selecionadas para cada necessidade do agronegócio, como Sistema de Plantio Direto (SPD), Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), recuperação de áreas e pastagens degradadas, florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio, tratamento de dejetos animais, sistemas orgânicos de produção e adequação das propriedades rurais frente à legislação ambiental. Podem ser financiados até 100% dos projetos que proporcionam o crescimento da rentabilidade do agronegócio aliado a um processo produtivo sustentável. O prazo de pagamento varia de 5 a 12 anos, a depender da modalidade, com taxas de juros entre 7% e 8,5% ao ano.

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Confira algumas linhas de crédito com foco em sustentabilidade e desenvolvimento oferecidos pelas cooperativas brasileiras

Sistema OCB e parlamentares debatem impactos da Reforma Tributária
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Sistema OCB e parlamentares debatem impactos da Reforma Tributária

Reuniões buscaram alinhamento para garantir o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo

 

Reunião com membros do Grupo de Trabalho da Reforma e parlamentares das frentes do Cooperativismo e AgropecuáriaReunião com membros do Grupo de Trabalho da Reforma e parlamentares das frentes do Cooperativismo e AgropecuáriaO Sistema OCB participou de três reuniões, nesta quarta-feira (19), para apresentar as ponderações do movimento cooperativista em relação à Reforma Tributária, que deverá ser votada, ainda neste semestre, no Congresso Nacional.  Pela manhã, a reunião ocorreu com os deputados Augusto Coutinho (PE), Hildo Rocha (MA), Luiz Gastão (CE) e Reginaldo Lopes (MG), membros do Grupo de Trabalho I da Reforma Tributária. Já no período da tarde, um dos encontros foi com o deputado Helder Salomão (ES) e, o outro, novamente com membros do GT, incluindo os deputado Claudio Cajado (BA) e Joaquim Passarinho (PA) e os parlamentares das Frentes do Cooperativismo (Frencoop) e da Agropecuária (FPA), Arnaldo Jardim(SP), Pedro Lupíon (PR), Sérgio Souza (PR) e Alceu Moreira (RS).

 A entidade está empenhada em reforçar a necessidade de que a Reforma reconheça e respeite o texto constitucional que trata do ato cooperativo. Durante as reuniões, Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB, lembrou que a Carta Magna estabelece um regime específico para as cooperativas, com abrangência em todos os seus ramos de atividade e assegura a integralidade do ato. "É importante que a nova legislação mantenha esse reconhecimento para garantir que as cooperativas possam continuar suas operações, trazendo benefícios a todos os seus cooperados e contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país", disse.

Representantes do Sistema OCB com os deputados Reginaldo Lopes e Hildo RochaRepresentantes do Sistema OCB com os deputados Reginaldo Lopes e Hildo RochaFabiola Motta, gerente geral da OCB, explicou que o modelo de negócios das cooperativas é único, caracterizado pela distribuição de resultados entre seus membros. “Estas particularidades precisam ser respeitadas. O adequado tratamento tributário ao ato cooperativo foi incluído e aprovado no texto da Emenda Constitucional 132/2023 e precisamos que, agora, na regulamentação da Reforma, ele seja plenamente contemplado”, acrescentou.  

Clara Maffia, gerente de Relações Institucionais, apontou que uma das principais preocupações apresentadas pelo Sistema OCB é a divergência entre o conceito de não incidência, previsto na Constituição, e a alíquota zero proposta no  Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024 proposto pelo governo. "A não incidência é fundamental para manter a competitividade e sustentabilidade do cooperativismo, enquanto a alíquota zero não oferece a mesma segurança jurídica", afirmou.

Os deputados ouviram com atenção os pleitos e se mostraram abertos à análise da possibilidade de alteração do texto. Luiz Gastão, por exemplo, destacou a importância do movimento na inclusão de pequenos, médios e grandes produtores, que elimina intermediários do processo produtivo e aumenta a renda dos envolvidos no movimento. "A tributação deve ser adequada , garantindo que a riqueza gerada seja distribuída de maneira justa entre os participantes", ressaltou.

Reunião com o deputado Helder SalomãoReunião com o deputado Helder SalomãoHelder Salomão também demonstrou compreensão de que é fundamental que a regulamentação da Reforma Tributária respeite as características únicas do modelo societário, como já é reconhecido na Constituição Federal. “Sou um cooperativista e tenho interesse em defender o movimento. Vou entender melhor os pleitos apresentados e articular juntos aos demais parlamentares para que eles sejam compreendidos”, declarou.

 

 

 

 

 

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Participação em PPPs expande negócios e aproxima cooperativas da população

As cooperativas transformam a vida das pessoas e a economia nas comunidades em que atuam, com impacto na criação de trabalho e renda e na geração de prosperidade. Para ampliar esses efeitos positivos, o Sistema OCB trabalha para articular estratégias que possam dar ainda mais capilaridade ao cooperativismo, e uma delas são as parcerias público-privadas. 

As chamadas PPPs são acordos feitos entre o setor público e instituições privadas para executar serviços essenciais em áreas onde os recursos e infraestrutura governamentais não são suficientes. Para os cidadãos, é uma forma de garantir atendimento mais eficiente, para as cooperativas, uma oportunidade de entrar em novos mercados, garantir estabilidade financeira por novos fluxos de receitas e ampliar a capacidade de inovação com o desenvolvimento de soluções. 

“O Sistema OCB entende que as PPPs são estratégicas e podem ser uma importante fonte de diversificação dos negócios das cooperativas. Ao mesmo tempo, entrar em uma PPP exige organização e planejamento”, explica o coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade.

Segundo ele, o modelo tem algumas complexidades que demandam preparação das cooperativas, por isso o Sistema OCB tem garantido capacitação e apoio para entrada nesse mercado. 

“O primeiro passo é entender que nas PPPs as partes envolvidas - governo e instituições privadas - compartilham recursos, benefícios, mas também os riscos”, pondera Andrade. A cooperativa também precisa avaliar a viabilidade econômica da parceria e estar atenta a questões como organização jurídica em relação a estatutos e políticas de governança e atendimento de normas regulatórias específicas. 

Para mostrar as possibilidades de participação nesse modelo de negócios na prática, o Sistema OCB organizou uma série de workshops sobre o tema para cooperativas de Saúde, setor com as maiores oportunidades de PPPs para as cooperativas. Os eventos incluíram visitas técnicas a iniciativas de Saúde em Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG), em que há parcerias público-privadas consolidadas. 

Guia PPPs em Saúde

O trabalho resultou na elaboração do Guia sobre PPPs em Saúde, desenvolvido em parceria com a consultoria Radar PPP. 

“O Sistema OCB contratou e disponibilizou especialistas no setor para orientar as Organizações Estaduais e cooperativas. Além disso, temos buscado outras oportunidades e parcerias para fornecer apoio bem estruturado às cooperativas interessadas”, afirma Hugo Andrade. 

No guia, as cooperativas podem consultar uma lista com os municípios prioritários para o desenvolvimento de PPPs na área de Saúde. O documento também foi enviado às Unidades Estaduais do Sistema OCB como estratégia para mobilizar cooperativas na representação institucional junto ao Poder Público Municipal para firmar parcerias.

Compromisso com a comunidade 

Para o cooperativismo, além de uma oportunidade financeira, as PPS também são uma forma de confirmar o compromisso com a comunidade, um dos princípios do movimento cooperativista. 

“A capilaridade das cooperativas pode ajudar ainda mais no fortalecimento da saúde nacional. Esse tipo de parceria dá segurança à concedente, às concessionárias e, em especial, respeita o contribuinte que acessa serviços de melhor qualidade. Essa essência cooperativista onde todos ganham precisa ser cada vez mais reverberada”, destacou o coordenador de Ramos do Sistema OCB. 

Com posicionamento estratégico em uma PPP, aproveitando o financiamento e a infraestrutura, uma cooperativa também pode direcionar esforços para investir em inovação e tecnologias avançadas. Os resultados podem melhorar a qualidade e eficiência dos serviços e fortalecer vínculos com a população atendida.

Reuniões com Fazenda e Desenvolvimento Agrário abordaram pontos primordiais para o movimento

Demandas do Coop para o Plano Safra 2024/25 são reforçadas

Reuniões com Fazenda e Desenvolvimento Agrário abordaram pontos primordiais para o movimento

As principais demandas do cooperativismo foram apresentadas pelo deputado Arnaldo Jardim, presidente da FrencoopAs principais demandas do cooperativismo foram apresentadas pelo deputado Arnaldo Jardim, presidente da FrencoopO fortalecimento da arquitetura da política de crédito e seguro rural no Plano Safra 2024/2025 e do Plano Safra da Agricultura Familiar foram defendidos pelo cooperativismo em reuniões realizadas nos ministérios da Fazenda e Desenvolvimento Agrário nestas terça e quarta-feira (18 e 19/06). Durante os encontros foram reforçados os pleitos e sugestões apresentados pelo Sistema OCB para a ampliação e aprimoramento do desenvolvimento agrícola e pecuário brasileiro.

Os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; da Fazenda, Fernando Haddad, e da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, se reuniram com representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) para tratar dos últimos ajustes para lançamento do novo Plano. 

O deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frencoop, destacou as principais demandas do cooperativismo, que pede um montante mínimo de R$ 558 bilhões para atender produtores de diferentes portes, além da redução da taxa de juros em 2,5 pontos percentuais e a ampliação das fontes de recursos destinados à política agropecuária. Ainda, em relação às exigibilidades, foram sugeridas a alteração dos depósitos à vista de 30% para 34%, a manutenção da poupança rural em 65% e o aumento das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) de 50% para 60%, com isenção tributária.

“Colhemos sugestões de um trabalho feito pela FPA junto com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), para que a gente possa, então, levar em consideração os números, as propostas, para o anúncio do Plano Safra”, disse o ministro Fávaro. Segundo ele, o lançamento do Plano Safra 24/25 está previsto para ocorrer na próxima semana em Rondonópolis (MT). “Tivemos uma reunião aberta, bastante resolutiva. Tenho certeza de que daqui sairá um Plano Safra ainda melhor e que vai atender cada vez mais as necessidades dos nossos produtores”, complementou.

No Ministério do Desenvolvimento Agrário, a superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella, foi recebida pelo secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger. “Apresentamos e discutimos propostas que consideramos significativas para aprimorar a distribuição de recursos e fortalecer ainda mais os agricultores familiares no Brasil, que representam mais de 70% do quadro social das cooperativas agropecuárias brasileiras”, afirmou Tania. 

O montante sugerido pelo Sistema OCB para a dotação orçamentária 2024/2025 do Plano Safra da Agricultura Familiar é de R$ 87 bilhões, sendo R$ 45 bilhões de custeio e comercialização e outros R$ 42 bilhões para investimento. A entidade também solicitou a redução das taxas de juros para valores abaixo de dois dígitos, com uma média de corte de 2,5 pontos percentuais por linha, com base na taxa de juros praticada no momento, e o aumento global do limite de contratação por beneficiário em praticamente todas as linhas, visando ajustar os valores para a realidade atual do agronegócio nacional.

Entre as prioridades apresentadas, também está o acesso da agricultura familiar inserida no cooperativismo ao Pronaf, por meio de ajuste para que o percentual mínimo de DAP/CAF, ou seja, 60%. “Para isso, sugerimos a adoção de uma escala gradual de enquadramento, que tem como referência faixas de percentuais de agricultores familiares no quadro social para limites diferenciados de contratação. Dessa forma, conseguimos, inclusive, contemplar a política pública que visa valorizar cooperativas que possuam maior percentual de agricultores familiares em seus quadros sociais, sem deixarmos desamparados os que atingem percentuais de 60% até 75%”, explicou Tania.


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Obra pode ser acessada em formato interativo nas telas ou em dispositivos de leitura  

O Futuro é Coop: livro de Martha Gabriel em versão digital 

Obra pode ser acessada em formato interativo nas telas ou em dispositivos de leitura  

A combinação entre cooperativismo e futuro para a construção de uma sociedade mais justa, equitativa e sustentável é o foco do livro O Futuro é Coop, lançado pela futurista Martha Gabriel durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC). A versão impressa e distribuída aos participantes do evento acaba de ser disponibilizada também em versão digital e interativa. A leitura pode ser feita diretamente nas telas do computador, tablet e celular, ou ainda, em dispositivos específicos (e-readers) como Kindle, Book (Apple) ou Play Book (Google). Para escolher sua versão favorita, acesse.   

No formato para leitura via navegador, a experiência do usuário é enriquecida com diversas interações que permitem uma imersão completa na história e um envolvimento maior com o conteúdo e a possibilidade de aprender mais em cada tópico abordado. Animações, links, áudios e outros recursos são utilizados para ampliar as possibilidades de aprendizado e compreensão do material.  

Já a versão para os e-readers foi desenvolvida no formato ePUB, que pode ser baixado e lido gratuitamente em qualquer leitor de livro digital. O arquivo se adapta automaticamente ao tamanho das telas sem perder a configuração ou o tamanho do texto. O formato também suporta arquivos de mídia incorporados e possibilita ao leitor aumentar ou diminuir o tamanho das letras, mudar a fonte e alteras as margens, de acordo com a sua preferência, além de marcar páginas, trecho ou palavras e realizar outras edições.  

O livro O Futuro é Coop mostra que a sustentabilidade é a chave para enfrentar os obstáculos do mundo moderno e que a cooperação é o caminho para alcançar essa sustentabilidade, uma vez que possui força singular, promove inclusão, diversidade e renda. "É necessário somar responsabilidade social, proteção ambiental e sucesso econômico. Dentro desse contexto, as cooperativas já emergem como protagonistas e oferecem um modelo equilibrado de impacto nas dimensões econômica, social e ambiental", destaca a autora Martha Gabriel.  

Martha Gabriel fala sobre era digital, tecnologia e comportamentos de consumoMartha Gabriel fala sobre era digital, tecnologia e comportamentos de consumoA escritora mergulha na análise da era digital, explica a aceleração tecnológica e aborda as mudanças nos comportamentos de consumo. Também faz um comparativo das relações de trabalho ao longo dos anos e defende que o capitalismo de acionistas será substituído pelo de stakeholders, que se preocupam cada vez mais com as ambientais, sociais e de governança (ESG). Para ela, enquanto a tecnologia oferece possibilidades extraordinárias, também traz consigo ameaças de destruição e alienação constantes.  

A obra traz ainda, um relato inspirador da história do movimento e como essa tradição de democracia, justiça e cuidado com as pessoas, as comunidades e o meio ambiente continua atual e capaz de guiar a sociedade rumo a um futuro mais próspero.  

 

 

 

Confira abaixo entrevista concedida por ela durante o evento de lançamento do livro: 


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Sistema OCB e Bernard Appy discutem ato cooperativo
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Sistema OCB e Bernard Appy discutem ato cooperativo

Reunião abordou a necessidade de equidade na tributação de cooperativas

Ato cooperativo é tema de reunião com o secretário Bernad AppyAto cooperativo é tema de reunião com o secretário Bernad AppyO Sistema OCB participou de reunião, nesta terça-feira (18), com o secretário especial do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, mentor da proposta de Reforma Tributária em tramitação no Congresso Nacional. O encontro contou com a presença da superintendente da entidade, Tania Zanella, do presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), deputado Arnaldo Jardim (SP), do deputado Vitor Lippi (SP), coordenador tributário da Frencoop, e do advogado João Caetano Muzzi, consultor tributário do Sistema OCB.

A superintendente  destacou a importância do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo na regulamentação da reforma. Ela explicou que é imprescindível considerar as especificidades do modelo de negócios no novo normativo. “O Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024 precisa dar atenção ao modelo societário cooperativista. Suas características únicas e a inclusão da não incidência de tributos sobre o ato cooperativo na Emenda Constitucional 132 precisam ser respeitados”, afirmou.

O deputado Arnaldo Jardim destacou o reconhecimento e a definição do ato cooperativo na Constituição e a criação de um regime específico de tributação para as cooperativas. Ressaltou, ainda, que o PLP 68/2024 não atendeu a estes commandos constitucionais. “Precisamos de uma legislação que realmente contemple as peculiaridades das cooperativas, garantindo sua competitividade e sustentabilidade, em obediência ao texto constitucional. Do contrário, o cooperativismo brasileiro pode ser inviabilizado,  impactando milhares de famílias e cooperados", enfatizou.

Bernard Appy ressaltou que o PLP 68/24 visou a isonomia tributária e destacou a necessidade de igualdade perante a lei para todos. Para o subsecretário, o projeto visa garantir a isonomia tributária do IBS e da CBS, estabelecido na Emenda Constitucional, para todos os modelos de negócios. "O regime e a carga tributária devem ser iguais para todos, indiscriminadamente.”

 Dessa forma, o PLP 68/2024 desconsidera as particularidades e especificidades do modelo cooperativo que justificou a instituição do regime específico na EC 132/2024. Neste contexto, o deputado  Vitor Lippi abordou a responsabilidade dos parlamentares com as cooperativas, citando a relevância econômica das coops para o país. "O cooperativismo é insubstituível e essencial para o desenvolvimento do Brasil. Os parlamentares possuem o dever de trabalhar em prol de manter as condições atuais das cooperativas. Quanto mais cooperativas existem, melhor para o Brasil”, disse. Segundo ele, ao invés de se buscar a isonomia, sem apreciar o diferencial do segmento, é preciso encontrar a equidade para não igualar as sociedades diferentes e respeitar, portanto, suas singularidades.

Por fim, João Caetano Muzzi falou sobre o modelo de negócios peculiar das cooperativas, caracterizado pela distribuição de resultados. Ele mencionou que as cooperativas são neutras em relação à tributação. “O PLP 68/2024 precisa abarcar a não incidência da tributação sobre o ato cooperativo para todos os ramos do cooperativismo, tendo em vista que a riqueza se fixa no cooperado, de modo que este pagará tributos quando incorrer no fato gerador tributário.”, explicou.

Também participaram da reunião a diretora na Secretaria Extraordinária  da Reforma Tributária, Camilla Cavalcanti, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, Roni Peterson, a assessora jurídica da OCB, Ana Paula Andrade Ramos e a coordenadora tributária da OCB, Amanda Oliveira Breda Rezende.

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Sistema OCB visita coops de Infraestrutura e participa de discussões importantes

Sistema OCB visita coops de Infraestrutura e participa de discussões importantes

Rodada  visa aproximação com o Ramo para atender melhor suas necessidades

Participantes do Fórum promovido pelo Sistema OceparParticipantes do Fórum promovido pelo Sistema Ocepar sobre geração distribuídaO Sistema OCB participou, na última quarta-feira (12), do Fórum de Cooperativas de Geração Compartilhada de Energia Elétrica, realizada pelo Sistema Ocepar. Durante o encontro, foi apresentado o Projeto Piloto de Energias Renováveis, uma iniciativa do Sistema OCB para que as cooperativas do setor possam compartilhar seus desafios e resultados esperados. Com um enfoque voltado para o desenvolvimento organizacional, o projeto beneficia seis cooperativas de geração distribuída nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Goiás e Paraíba.

O Projeto foi desenvolvido para ajudar a mitigar as dificuldades que as cooperativas do segmento enfrentam, como a fidelização dos cooperados, a viabilidade econômica e social, a conformidade legal e documental, a ausência de controles internos e a diversidade do modelo de negócio. Para Laís Castro, analista do Sistema OCB, a oportunidade de trocar experiências é enriquecedora. "Com esta iniciativa, conseguimos entender quais as necessidades das cooperativas envolvidas para melhorar a atuação da Unidade Nacional tanto num movimento interno, quanto externo", disse. 

Entre as soluções oferecidas pelo projeto está o Diagnóstico Assistido de Identidade, que permite a elaboração de planos de melhorias e acompanhamento trimestral das ações desenvolvidas,além de consultorias em comunicação, marketing e planejamento estratégico. Oferece ainda um sistema operacional disponibilizado para facilitar a gestão da energia gerada pela cooperativa, bem como a administração do relacionamento e serviços prestados aos consumidores. 

A discussão sobre o estágio atual das cooperativas de Geração Distribuída é de extrema importância dentro do contexto do cooperativismo e do setor de energia. Por isso, o Sistema OCB se preocupa e reconhece a necessidade de um esforço conjunto com as OCES para fortalecer suas operações internas e, consequentemente, ampliar sua eficácia externa. 

Para Thayná Côrtes, analista do Ramo Infraestrutura, é importante consolidar esforços na defesa coletiva dos interesses do setor. "O modelo cooperativista deve ser integralmente respeitado nos processos regulatórios em curso. Nosso objetivo é  conseguir fazer o monitoramento de perto de todos os desenvolvimentos relativos à Geração Distribuída, com um ambiente justo e favorável", afirmou.

 

Visitas de campo 

Visitas no Paraná e em São Paulo proporcionaram a apresentação de cooperativas permissionárias de distribuição de energia Visitas no Paraná e em São Paulo O Sistema OCB realizou diversas visitas no Paraná e em São Paulo para conhecer cooperativas permissionárias de distribuição de energia, habitacionais e agro com o objetivo de entender melhor suas operações e ouvir seus projetos e necessidades.

As visitas às cooperativas como Cetril (SP) e Castro-Dis (PR) permitiu entender melhor quais as preocupações de cada uma em relação à abertura do mercado livre de energia. Em cada oportunidade, foram destacadas as pressões que elas enfrentam de empresas que incentivam a migração de cooperados para esse mercado, com questões complexas sobre contratação e operação, especialmente no que se refere a custos associados aos medidores inteligentes.

A experiência da Cooperativa Agropecuária Castrolanda (PR), que abriu uma comercializadora de energia em 2019, também fez parte das visitas. Ela compra e vende energia elétrica no Mercado Livre, atendendo várias cooperativas como clientes e foi pioneira no setor agrícola a implementar a iniciativa, com o propósito de gerenciar riscos e reduzir custos operacionais. 

Desde sua entrada no mercado livre, a Castrolanda registra uma redução anual de 11 milhões na conta de energia elétrica. “Além de otimizar os custos, a cooperativa assegura o uso de energia limpa em sua produção e busca aprimorar a eficiência energética em toda sua cadeia produtiva. Ficou evidente que ingressar no mercado livre de energia representou um grande desafio devido aos riscos operacionais envolvidos, mas que os resultados têm sido significativos”, destacou Thayná Côrtes.

 

O Sistema OCB conheceu, mais de perto, as histórias das cooperativas listadasO Sistema OCB conheceu, mais de perto, as histórias das cooperativas

 

 

A Cooperteto (SP), cooperativa habitacional fundada em 1996, foi mais uma a receber a equipe do Sistema OCB. Com forte enfoque social, ela está investindo em contrapartidas ambientais como compostagem de resíduos para produção de produtos que podem ser vendidos posteriormente. 

De acordo com Thayná, a cooperativa tem uma trajetória emocionante, baseada nos princípios de igualdade e solidariedade. “Inicialmente, eles construíam unidades habitacionais por meio da força de trabalho dos próprios cooperados, organizando mutirões. Atualmente, esse modelo não é mais viável, mas a cooperativa continua a engajar os cooperados em projetos para que se sintam parte integrante e compreendam os princípios do movimento”, contou.

 
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Encontro promoveu conhecimento e integração sobre o trabalho do Sistema OCB

Portas Abertas: Febracan visita a Casa do Cooperativismo

Encontro promoveu conhecimento e integração sobre o trabalho do Sistema OCB

 

Membros da Febracan foram recebidos na Unidade Nacional do Sistema OCB, em BrasíliaMembros da Febracan foram recebidos na Unidade Nacional do Sistema OCB, em BrasíliaO Sistema OCB realizou o Programa Portas Abertas, na última quinta-feira (13) e recebeu a Federação Brasileira das Cooperativas Anestesiologistas (Febracan), com representantes de diversos estados, como Rio Grande do Norte, Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Piauí, Tocantins, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais. 

Os visitantes puderam conhecer a capital federal e foram recebidos na Unidade Nacional do Sistema OCB. A gerente-geral, Fabíola Nader Motta, realizou uma apresentação institucional e destacou que o Portas Abertas é uma oportunidade para que todos conheçam, de perto, as atividades da entidade. "A visita de vocês é importante para que a gente possa apresentar o papel da Casa do Cooperativismo, nosso trabalho de representação e expansão do movimento. Aqui, na sede, promovemos um caminho justo e próspero para as mudanças sociais que almejamos," afirmou.

A coordenadora de Negócios, Pamella Jerônimo de Lima, apresentou o trabalho feito pela entidade para promover a expansão do coop como um modelo de negócios próspero. Ela explicou que o objetivo da área é buscar soluções para que as cooperativas continuem a crescer e se desenvolver, com mais geração de empregos e transformações sociais. Para ela, o desdobramento de ações voltadas para o mercado nacional e internacional possibilita melhores condições para os cooperados. "Visamos sempre aumentar a competitividade das cooperativas. Com as ferramentas corretas, conseguimos expandir o alcance do movimento no Brasil e no mundo. Sempre impulsionando o acesso de novos mercados, participação em feiras e rodadas de negócios", relatou. 

Amanda Oliveira, coordenadora tributária da entidade, falou sobre o papel de representação que vem sendo desempenhado para assegurar um tratamento justo e adequado ao ato cooperativo. Ela ressaltou que a prioridade é conseguir a contemplação das características do modelo societário na regulamentação da Reforma Tributária. "Essa garantia é fundamental para que as cooperativas possam continuar promovendo distribuição de renda sustentável e justa". Em seguida, Ana Paula Ramos, consultora jurídica, acrescentou que a adequação fiscal precisa acontecer para manter a competitividade das atividades desenvolvidas nas coops. "A regulamentação é a segurança de que nosso setor não vai sofrer prejuízos com as novas regras de tributação", reiterou. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, Luís Diego, destacou a importância de fortalecer os laços entre as organizações cooperativas e elogiou a eficiência do trabalho feito pelo Sistema OCB. "A Unidade Nacional precisa reforçar a grandeza de suas operações. Iniciativas como essa precisam acontecer com mais frequência, assim todos poderão entender a importância desse modelo de negócios," disse.

Por sua vez, o presidente da Febracan, Sérgio Marques, disse que as informações recebidas precisam ser fomentadas. "Repassar informações sobre o cooperativismo para nossos diretores e gestores é essencial. Todos precisam conhecer o trabalho do Sistema OCB, que protege e resguarda os direitos das nossas cooperativas".  

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Feira é a maior vitrine de negócios para alimentos orgânicos e naturais da América Latina

Cooperativas de alimentos e bebidas expõem na Bio Brazil

Feira é a maior vitrine de negócios para alimentos orgânicos e naturais da América Latina

Sistema OCB apoia as cooperativas na inserção em mercadosO Sistema OCB participa com estande institucional da 18ª edição da Bio Brazil Fair 2024, maior feira de alimentos orgânicos e naturais da América Latina, realizada entre os dias 12 e 15 de junho no centro de exposições Distrito Anhembi, em São Paulo. O objetivo do evento é funcionar como uma plataforma para empreender novas iniciativas de negociações, gerar oportunidades de networking com fornecedores, distribuidores e importadores, e ampliar a visibilidade de produtos brasileiros, além de divulgar as tendências e inovações na indústria alimentar.

A participação do Sistema OCB na Bio Brazil faz parte da estratégia da coordenação de Negócios da Gerência de Desenvolvimento de Cooperativas, que tem como diretriz apoiar as cooperativas na inserção em mercados, para que possam vender mais e melhor, de forma sustentável. Segundo Pamella Lima, coordenadora de Negócios da entidade, “participar da Bio Brazil é muito importante, pois reforça a atuação sistêmica do cooperativismo na divulgação de produtos com marca coop, bem como o apoio para as cooperativas com a representação institucional e negócios nesses eventos comerciais”.

A última edição da Bio Brazil comprovou o crescimento do mercado brasileiro de alimentos saudáveis que, atualmente, estima movimentar cerca de R$ 180 bilhões por ano no país e tem nas feiras como a Bio Brazil sua principal vitrine de negócios. Em 2023, a feira contou com 730 expositores, mais de 1,4 mil marcas e mais de 100 horas de conteúdo de palestras e seminários, atraindo 52 mil visitantes de todos os estados brasileiros e de 30 países, entre varejistas, atacadistas, distribuidores, profissionais das diversas áreas da saúde, empresários, cooperativas, produtores e consumidores finais. Para a edição de 2024, a estimativa da Bio Brazil é gerar ainda mais oportunidades de contatos e negócios.  

Oito cooperativas estão participando do estande institucional do Sistema OCB, denominado Cooperativas do Brasil – SomosCoop. Elas representam diferentes estados, reforçando a força da diversidade do cooperativismo no Acre, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Roraima e Rio Grande do Sul. Os produtos expostos e comercializados incluem arroz orgânico, chocolates, castanha-do-Brasil, mel, lácteos e cafés.

Segundo Jean Fernandes, analista de Negócios do Sistema OCB, o estande impulsiona a divulgação e imagem dos produtos com a marca do coop. “Além disso, a pluralidade da feira Bio Brazil gera inúmeras oportunidades de contatos com potenciais compradores e parceiros institucionais, bem como a prospecção de novos negócios e realização de venda de produtos”.

Para Glaucia Maria, cooperada da Coopiatã, cooperativa baiana localizada na Chapada Diamantina e que produz café, a participação na feira gera muitas oportunidades. Ela percebeu que, nos primeiros dois dias, o público visitante que buscou conhecer os cafés da cooperativa foi de empresários da rede hoteleira, empórios e consumidores finais com interesse no bebida. “E temos o diferencial do apoio oferecido pelo Sistema OCB com o estande preparado e organizado para pudéssemos realizar a degustação de cafés junto aos visitantes”, declarou.

Gustavo Zimermann, presidente da cooperativa gaúcha Cooperav, também destacou os resultados positivos da presença na feira. “É a primeira vez que a cooperativa participa de um evento comercial com a proporção de marcas e produtos da Bio Brazil. É muito gratificante e  os primeiros dois dias da feira já foram muito produtivos, com a realização de diversos contatos com empórios de produtos orgânicos e com parceiros comerciais que a cooperativa já possui e vieram na feira para realizar reuniões”.

Confira a lista das ooperativas expositoras no estande do Sistema OCB da Bio Brazil:

 

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Evento realizado em Manaus reuniu 37 países para debater sustentabilidade

Sistema OCB marca presença na Semana de Sustentabilidade do BID Invest

Evento realizado em Manaus reuniu 37 países para debater impactos e infraestrutura ambiental

O Sistema OCB marcou presença na 22ª Semana de Sustentabilidade promovida pela Banco Interamericano de Desenvolvimento Invest (BID Invest) esta semana em Manaus (AM). O evento acontece a cada dois anos para debater impactos e infraestrutura sustentável e, nesta edição, contou com a participação de 37 países. As discussões abordaram o desenvolvimento da Amazônia, com foco no investimento de impacto, inclusão, bioeconomia e mudanças climáticas.

O Sistema OCB foi convidado a participar em reunião realizada na sede da Casa do Cooperativismo em março deste ano com Terence Gallagher, diretor de Inclusão Financeira, e Marcia Faria, oficial de Investimento. Na ocasião, eles trataram sobre potenciais parcerias para a captação de recursos para financiamento de projetos de inclusão financeira no Brasil, especialmente na Região Amazônica. 

Terence e Marcia afirmaram que o banco tem interesse em investir nas coops brasileiras para proporcionar acesso a mais conhecimento técnico e infraestrutura. A ideia, segundo eles, é colaborar por meio da Rede Financeira para a Amazônia. O Sicoob, o Sicredi e o Cresol já integram o projeto e os representantes do BID também estiveram em Rondônia para visitar o Sicoob Credip e avaliar a realização de parcerias com a instituição. 

Além do Sistema OCB, o Sicoob e a Cresol também participaram do evento e apresentaram cases aprovados durante a dinâmica Tambaqui Tanque, na qual várias empresas e organizações apresentaram propostas de projetos de impacto econômico, social e ambiental por meio de pitchs para captação de recursos. O projeto do Sicoob prevê a abertura de novas agências de atendimento presencial em cidades do interior da Amazônia, e o da Cresol pretende levar microcrédito para 5 mil famílias da região até a 30ª Conferência do Clima, a COP 30, que será realizada no próximo ano em Belém do Pará.

Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, afirmou que a 22ª Semana de Sustentabilidade do BID Invest começou com uma frase que traçou com maestria os objetivos do evento: conectar ativos com investidores. “O que mais se abordou foi florestas e pessoas, sobretudo pessoas das florestas e a transformação de empresas para a priorização da sustentabilidade em seus planejamentos. Um dos pontos de destaque foi a apresentação do presidente da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, ao afirmar que a atuação do mercado de capitais deve ser baseada nos valores da comparabilidade, interoperabilidade e harmonização. Ou seja, independente da competitividade, quando o assunto é sustentabilidade, a estratégia é compartilhar ações que visam o bem comum”. 

 

Por sua vez, o coordenador de Relações Internacionais, João Marcos Martins, explicou que a participação do Sistema OCB foi importante para aprofundar o conhecimento sobre como as grandes organizações internacionais de fomento e financiamento sustentável estão expandido sua atuação. “Conhecer as ações em desenvolvimento, especialmente no Brasil, e quais as oportunidades para o cooperativismo são premissas que contribuem para o trabalho que temos realizado para levar os serviços e produtos das nossas cooperativas cada vez mais longe”, afirmou. 

 

Painéis

O presidente do Sicoob Credip, Oberdan Ermita, participou do painel Fazendo Negócios na Amazônia. Ele foi convidado a falar sobre como a cooperativa tem conseguido  expandir suas atividades na região, considerada de grande complexidade e diferentes desafios. “Nossa principal estratégia é a proximidade. Buscamos impulsionar a cidadania financeira de nossos cooperados, levando serviços que atendam a realidade de cada comunidade. Nosso objetivo é impactar pessoas e acesso a serviços e crédito gera oportunidades”, salientou. 

Ainda segundo Oberdan, o Sicoob Credip trabalha com base em três pilares, sendo eles pessoas, negócios e território. “Queremos o desenvolvimento local sem agredir suas características e temos atuado nesse sentido. Hoje somos a instituição financeira com maior presença na Amazônia e o Sicoob, como um todo, é a maior rede de cooperativas de crédito no território nacional também”, complementou. 

Nos mais diversos painéis e palestras apresentados durante o evento foi possível observar que o cooperativismo é visto como uma ferramenta central para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Silvia Vilas Boas, CFO, head de Estratégia e do Escritório de Transformação da Natura, por exemplo, afirmou em sua participação que a empresa está treinando jovens de regiões isoladas em cooperativismo. A CEO da Ambipar, Maíra Pereira, por sua vez, contou que a organização trabalha com 120 cooperativas de reciclagem brasileiras para melhorar as condições de tratamento dos resíduos e agregar valor ao trabalho dos catadores e catadoras. 

 

BID Invest

O BID Invest, concentra seus esforços na parceria com entidades privadas e foi criado com o objetivo de investir e impulsionar o desenvolvimento da América Latina e Caribe, promovendo colaborações estratégicas com cooperativas e outros agentes econômicos. Durante o evento, Leonardo Mazzei, diretor e chefe do BID Invest, revelou em entrevista que os investimentos no Brasil e na Amazônia deverão atingir trilhões de dólares. Os recursos virão de ações públicas, doações, países interessados no bioma e investidores globais. Mazzei destacou que a liberação dos valores será gradual e que há um longo caminho pela frente, mas todos os elementos necessários para o sucesso estão presentes.

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Antonio Anastasia reconhece pleito do coop para participação em licitações 

Revisão da Súmula 281 reúne Sistema OCB e ministro do TCU

Antonio Anastasia reconhece pleito do coop para participação em licitações 

Sistema OCB busca ampliação de relacionamento entre o movimento e os Três Poderes, inclusive Ministério Público e tribunais de contasSistema OCB busca ampliação de relacionamento entre o movimento e os Três Poderes, inclusive Ministério Público e tribunais de contasA legalidade da participação de sociedades cooperativas em processos licitatórios foi tema de reunião, nesta quinta-feira (13), do Sistema OCB com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia. É o primeiro de uma série de encontros que a entidade está organizando para ampliar o relacionamento institucional com o tribunal e entregar memoriais com fundamentos em prol da revisão da Súmula 281, que dispõe sobre os critérios para participação de cooperativas em licitações realizadas pela Administração Pública. 

“Essa é uma iniciativa muito importante tanto que faz parte da concretização de uma das diretrizes estabelecidas durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), realizado em maio deste ano. Ou seja, de ampliar o relacionamento entre o sistema cooperativista e os Três Poderes, incluindo o Ministério Público e os tribunais de contas, na construção de legislações e políticas públicas de interesse do cooperativismo em âmbito estadual e nacional”, disse a assessora jurídica do Sistema OCB, Ana Paula Andrade Ramos. 

O art. 4º, II, parte final, da Lei 12.690/2012 veda a existência de relação de emprego entre cooperativas de serviços e cooperados. Por sua vez, o art. 5º da mesma Lei estabelece que a cooperativa não pode ser utilizada para intermediação de mão de obra subordinada. Nessa linha, a Súmula TCU 281 dispõe que “é vedada a participação de cooperativas em licitação quando, pela natureza do serviço ou pelo modo como é usualmente executado no mercado em geral, houver necessidade de subordinação jurídica entre o obreiro e o contratado, bem como de pessoalidade e habitualidade”.

Milena Cesar, advogada da assessoria jurídica da OCB, explicou que a súmula tem sido aplicada de forma indiscriminada e tem alijado legítimas cooperativas de participarem de processos de contratações públicas, sob a presunção de que a natureza do serviço demandaria subordinação jurídica. “A ideia de existir atividades que, por sua natureza seriam subordinadas não passa pelo crivo da legalidade, pois não há qualquer previsão legal que possibilite o agente público fazer essa interpretação”. 

Milena também lembrou que o próprio Tribunal de Contas da União tem reforçado em suas decisões que a preocupação do ente público não deve ser com a natureza do serviço a ser contratado, mas com a inidoneidade da cooperativa, tanto na ocasião da habilitação quanto na hora da fiscalização, especialmente quando se fala em contratações de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra.

“O ministro Benjamin Zymler, que é o relator do paradigma que deu origem a súmula 281, acompanhado dos ministros Bruno Dantas e Augusto Sherman, entende que há necessidade de revisão da norma. Para ele, a figura do coordenador das atividades (§6º do art. 7º da Lei nº 12.690/2012) é a “chave” para a contratação das cooperativas sem risco de subordinação e pessoalidade”, acrescentou a advogada.

Ana Paula e Milena, acompanhadas do assessor jurídico do Sistema OCB-ES, Arlan Taufner, ressaltaram ainda que a intenção do Sistema OCB é contribuir com argumentos cooperativistas para enriquecer os debates entre os ministros na ocasião da revisão da súmula. Atualmente, já existem duas deliberações que foram encaminhadas para a comissão de jurisprudências, faltando apenas mais uma para que seja cumprido o requisito formal para apreciação pelo plenário do tribunal.

A presença do assessor Arlan Taufner foi essencial para trazer a experiência capixaba sobre o assunto, mostrando ao ministro Anastasia como a aplicação conveniente da súmula pela autoridade local tem sido prejudicial para o cooperativismo regional, especialmente quando se compara o percentual de vedações a participação de cooperativas em licitações ocorridas entre o interior e a metrópole, sendo representativamente maior nesta última.

Anastasia reconheceu que o novo contexto jurídico em que as cooperativas estão inseridas torna legítimo o pleito do cooperativismo pela revisão da Súmula 281. Ele também se comprometeu a compartilhar com os demais ministros seu entendimento sobre o assunto, reforçando a necessidade de revisitar a súmula.

“Enquanto senador, fui relator do Projeto de Lei 4.253/2020, que deu origem a Nova Lei de Licitações (14.133/2021)”, lembrou o ministro. Nela, foi reconhecida a importância das cooperativas brasileiras e do trabalho prestado pelos seus cooperados. A nova Lei de Licitações garante a participação das cooperativas nas licitações públicas por meio da vedação de atos que restrinjam a participação de cooperativas (art. 9º, inciso I, alínea “a”) e da autorização expressa e previsão de especificidades legais do cooperativismo nas contratações públicas (art. 16). 

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Evento destacou  importância do cooperativismo na produção de leite

Encontro busca estratégias para fortalecer setor leiteiro

Evento destacou  importância do cooperativismo na produção da bebida

Durante as atividades da Megaleite 2024, em Belo Horizonte, na quarta-feira (12), aconteceu o Encontro das Cooperativas Agropecuárias Mineiras do segmento Leite. O evento foi pensado para fortalecer o setor no estado e reuniu presidentes, diretores e gestores com o objetivo de promover a competitividade no mercado e consolidar uma presença mais assertiva no cenário internacional.

Segundo dados do Sistema OCB, o setor agropecuário conta com 1.185 cooperativas, reunindo mais de 1 milhão de cooperados e gera cerca de 250 mil empregos diretos.  O leite representa 46% da produção nacional proveniente de produtores rurais associados a cooperativas e, além disso, 71,2% dos estabelecimentos rurais dos produtores cooperados pertencem ao perfil de agricultura familiar. Atualmente, 160 cooperativas na cadeia produtiva de leite e derivados são registradas, sendo 48% no Sudeste, 27% no Sul e 25% distribuídas entre Centro-Oeste, Nordeste e Norte. 

Fernando Pinheiro falou sobre atuação do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento socioeconômico Fernando Pinheiro falou sobre atuação do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento socioeconômico Fernando Pinheiro, analista técnico da Gerência de Relações Institucionais do Sistema OCB, apresentou o painel  As transformações e inovações das Cooperativas de Leite no Brasil. Ele explicou que o cooperativismo atua como um instrumento estratégico para o desenvolvimento local e a distribuição de renda na sociedade e que o futuro das cooperativas do segmento leite depende de mudança, união e fortalecimento. “Só assim será possível enfrentar os cenários adversos do mercado. Oportunidades de intercooperação na compra de consumos, otimização da gestão no suprimento do leite e comercialização, são pontos fundamentais. Além disso, é preciso investir em inovação como forma de fortalecer a competitividade”, afirmou. 

O analista lembrou que inovar não é somente adotar novas tecnologias digitais. “A própria intercooperação pode ser uma forma de inovar, ou seja, de buscar ações conjuntas que podem melhorar a produtividade, presença no mercado e, consequentemente, o aumento dos ganhos”. 

Ele também mencionou programas essenciais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que reforçam o papel das cooperativas que atuam na cadeia do leite e na oferta de diversos produtos e serviços de saúde e logística. "As cooperativas que participam desse mercado possuem uma produtividade que beneficia toda a comunidade em que estão inseridas", acrescentou.

O analista falou ainda sobre o Ciclo de Desenvolvimento Econômico e Social que ocorre a partir do movimento. Segundo ele, políticas agrícolas, fiscais e de desenvolvimento criam um ambiente propício para negócios cooperativos, atendimento social e inclusão produtiva. "Esse ciclo gera prosperidade, desenvolvimento local e atrai investimentos com o apoio dos Poderes Executivo e Legislativo para iniciativas de fomento ao setor. Essa cadeia, quando bem estruturada, pode transformar realidades, promover organização, estruturação, difusão de tecnologia, agregação de valor e, consequentemente, geração de renda", destacou. 

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Intercooperação de coops agropecuárias cria novo modelo de negócio de vendas digitais

Doze grandes cooperativas agropecuárias brasileiras se uniram para ampliar seus negócios em ambientes digitais. O resultado da intercooperação foram R$153 milhões movimentados em 2023, com expectativa de atingir R$500 milhões este ano, e a criação de um modelo de comércio online inovador que contempla os diferenciais do coop. 

Os números são da Supercampo, uma agtech (startup do agronegócio) criada pelas cooperativas Agrária, Capal, Castrolanda, Cooperalfa, Coopertradição, Copacol, Copercampos, Coplacana, Cotrijal, Frísia, Integrada e Lar, que estão entre as 20 maiores do ramo Agropecuário. 

“Somos um braço digital e tecnológico dessas cooperativas. O foco delas é a produção rural, mas a nova geração de cooperados está muito mais conectada, então há uma necessidade de atualização para que elas se mantenham competitivas e garantam a existência do negócio no futuro. É preciso pensar diferente, de uma forma nova, moderna, e isso inclui a digitalização dos fluxos”, explica o CEO da Supercampo, Leandro Carvalho.

Com DNA cooperativista e uma base de 100 mil cooperados, a Supercampo desenvolveu um modelo de negócio específico para atender aos diferenciais do coop, que vai além dos conceitos mais conhecidos do comércio online

Os dois modelos mais usados nesse tipo de operação comercial são o B2B, que significa Business to Business, ou seja, de empresa para empresa; e o B2C, Business to Customer, traduzido para o português como da empresa para o consumidor. 

Na Supercampo, o modelo de negócio é o C2F, ou Cooperative to Farmer, traduzido como “Da cooperativa para o produtor”, conceito criado pela plataforma para contemplar questões específicas do coop, como diferenciais tributários, necessidade de uso de CPF e CNPJ na mesma transação, além de características ligadas ao agronegócio.

“O C2F abrange toda parametrização que existe dentro da relação da cooperativa com cooperado. Isso inclui um pouco de B2C, porque o cooperado é um consumidor, então o site precisa ter boa navegabilidade, usabilidade, ter um fluxo de compra que faça sentido. Porém, na hora de fazer o pagamento, ele usa um crédito da propriedade rural, que tem um CNPJ, o que seria um B2B. E além disso tem questões muito específicas, como ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] diferentes para propriedades em estados diferentes, o ato cooperativo, o CAD/PRO [Cadastro de Produtor Rural], que também afetam os cálculos tributários”, explica Carvalho. 

Com o modelo estabelecido e respeitando as características das 12 cooperativas, a Supercampo desenvolveu um e-commerce para cada uma delas. Os sites são uma versão digital das lojas agropecuárias, muito tradicionais entre as coops do campo. Nesses espaços, o cooperado encontra os equipamentos e insumos necessários para produção, de defensivos a máquinas agrícolas, com suporte de técnicos da cooperativa e condições de pagamento mais competitivas que no comércio tradicional. 

Catálogo compartilhado 

Com a intercooperação, além dos produtos disponibilizados por cada cooperativa, as associadas da Supercampo têm acesso a um catálogo de 120 mil itens. “Criamos uma cadeia produtiva em que cada uma das lojas agropecuárias digitais pode ser um centro de distribuição em potencial. A cooperativa pode vender o que ela tem no seu estoque e também o que as outras 11 têm disponíveis, em uma lógica de marketplace e de cross docking [quando o produto é despachado para um centro de distribuição ou armazém]”, explica Carvalho. 

Em 2023, a Supercampo registrou 36 mil pedidos nos e-commerces cooperativistas, com valor médio de R$5.000. Nos marketplaces tradicionais, o ticket médio varia de R$500 a R$600. 

Na Capal Cooperativa Agroindustrial, umas das coops que integra a Supercampo, a criação de uma loja agropecuária online tem ajudado a colocar os cooperados na era digital, uma demanda crescente entre as novas gerações de associados. “A plataforma dá aos cooperados mais acessibilidade e agilidade nas compras”, avalia o diretor comercial da Capal, Eliel Magalhães Leandro. 

Nas lojas digitais desenvolvidas pela Supercampo, os cooperados podem fazer sua lista de pedidos direto da lavoura, na tela do celular, e retirar os produtos na loja física da cooperativa, além de outras comodidades, como fechar a compra utilizando créditos que tenham com a coop. “Por se tratar de uma tendência, principalmente entre os filhos de cooperados, que buscam cada vez mais acesso via tecnologia, acreditamos que a digitalização é um caminho que se pode construir trazendo o cooperado para os negócios da cooperativa”, acrescenta o representante da Capal. 

Para as cooperativas, a intercooperação também traz benefícios diretos. Segundo Carvalho, o custo de implantação dos e-commerces seria quatro vezes maior se cada cooperativa contratasse os serviços individualmente de outras empresas. Com a Supercampo, além da licença da plataforma VTEX, as coops compartilham pessoal especializado em questões comerciais e financeiras, servidores, equipamentos e outros custos operacionais. 

“A intercooperação é um dos princípios do cooperativismo e uma ferramenta fundamental para tornar as coops mais competitivas. A união pode ajudar a promover negócios, aumentar receitas e explorar novos mercados”, avalia a coordenadora de Soluções de Negócios do Sistema OCB, Pamella de Lima. 

Expansão 

Além dos 12 e-commerces das cooperativas associadas, a agtech oferece desde o fim de 2022 uma plataforma de comercialização de sementes de soja, trigo, milho, milheto, feijão e pastagem, a Supercampo Sementes. Com taxas mais competitivas que as corretoras tradicionais, o site viabiliza a compra direta, sem intermediários.

Agora, as cooperativas sócias da Supercampo se preparam para expandir a oferta de serviços digitais da agtech para outras coops agropecuárias.  “Pelo tamanho e capacidade de investir e arriscar, as 12 cooperativas associadas construíram o alicerce dessa empreitada. Agora, em prol da intercooperação, as sócias resolveram abrir o projeto para o mercado. Então hoje já é possível que uma cooperativa terceira, não-sócia da Supercampo, faça parte do nosso ecossistema com acesso aos mesmos serviços e benefícios. Já estamos em conversas avançadas com algumas cooperativas nesse sentido”, afirma o CEO da plataforma.