Destaques
SABER COOPERAR
11/02/2026
Mulheres lideram pesquisas sobre cooperativismo
A presença de mulheres na ciência é um fator decisivo para a construção de conhecimento mais diverso e alinhado às demandas da sociedade, além de contribuir para reduzir as desigualdades de gênero, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência reforça esse compromisso, que no cooperativismo já se traduz em realidade: as mulheres foram maioria entre os cientistas presentes no último Encontro Brasileiro de Pesquisadores do Cooperativismo (EBPC). A data foi criada pela ONU em 2015 para reconhecer o papel fundamental exercido pelas mulheres e pelas meninas na ciência e na tecnologia. No Brasil, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apesar de serem maioria entre os bolsistas de mestrado (54%) e doutorado (53%) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), as mulheres representam apenas 35,5% das bolsas de produtividade, destinadas a cientistas com maior destaque na carreira acadêmica. No 8º EBPC, realizado em outubro de 2025, mais da metade dos artigos científicos selecionados foram produzidos por mulheres. Dos 67 trabalhos apresentados, 41 foram liderados por pesquisadoras, representando 61% do total. A analista de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Ocemg, Priscila Andrade, é uma delas. Graduada em Cooperativismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e ex-integrante do grupo de pesquisa Centro de Referência em Empreendedorismo e Cooperativismo para o Desenvolvimento Sustentável (CREC), a pesquisadora apresentou o trabalho Análise da Segmentação de Cooperados das Cooperativas de Crédito: um estudo de caso, no eixo Governança e Gestão. Em sua pesquisa, ela concluiu que ainda há um amplo campo a ser explorado nas coops de crédito nas áreas de comunicação e relacionamento, o que pode fortalecer os vínculos com os cooperados e promover resultados financeiros mais positivos para as cooperativas. “Minha principal área de estudo é entender de que maneira o setor de Organização do Quadro Social (OQS) das cooperativas de crédito pode contribuir para melhorar o relacionamento com os cooperados. O objetivo é aumentar a participação econômica deles na cooperativa e fidelizá-los, analisando os diferentes produtos e serviços que utilizam”, resumiu. A pesquisadora conta que ficou surpresa com o número de mulheres cientistas apresentando seus trabalhos no EBPC. “Na sala em que estava, por exemplo, fomos maioria. Assim como o número de colaboradoras mulheres vem crescendo em alguns ramos, o número de mulheres pesquisadoras também parece ser uma crescente”, comemora. Segundo Priscila, a decisão de produzir pesquisas sobre o cooperativismo surgiu de seu vínculo com o movimento e do interesse em buscar soluções e ferramentas que apoiem as cooperativas em sua atuação pelo desenvolvimento econômico e social nas comunidades em que atuam. “O cooperativismo, para mim, não é apenas uma formação ou trabalho, é uma filosofia de vida. Pesquisar o setor fornece os insumos necessários para atuar com excelência, pois amplia minha compreensão sobre seus princípios e práticas, permitindo que eu compartilhe conhecimentos, transforme aprendizados em ações concretas e aplicáveis”. Ciência e coop para a Amazônia Também da UFV – um dos principais polos de conhecimento cooperativista do Brasil – a mestranda em Administração Graziela Reis se dedica a pesquisar o coop desde 2021, com foco na atuação de cooperativas de agricultura familiar na Amazônia. Segundo ela, ao longo dos anos, o trabalho tem proporcionado não apenas formação técnica, mas também humana. “O cooperativismo me mostrou que as pessoas carregam trajetórias, saberes e experiências próprias, e que soluções efetivas nascem do diálogo, da participação e da construção coletiva”. Entre os principais achados de suas pesquisas, Graziela destaca que a organização produtiva em cooperativas faz a diferença para a agricultura familiar na Amazônia. Seus estudos comprovam que, especialmente nessa região do país, o cooperativismo contribui para a redução de assimetrias econômicas e sociais ao fortalecer a autonomia dos produtores locais e criar condições para um desenvolvimento socialmente justo. “No cooperativismo, a pesquisa permite compreender realidades complexas, validar ou revisar práticas existentes, transformar informações em soluções e orientar políticas públicas e iniciativas institucionais mais aderentes às realidades locais”. Durante o EBPC, a pesquisadora apresentou o trabalho Cooperativas da Agricultura Familiar na Amazônia Brasileira: diagnóstico e perspectivas para a ação pública, em que ressaltou a necessidade de que os governos consolidem uma agenda contínua e estruturada de apoio a esses empreendimentos, reconhecendo o papel estratégico do cooperativismo para a região. “Espaços como o EBPC são fundamentais para o compartilhamento de resultados de pesquisa e de experiências empíricas, para o diálogo qualificado entre pesquisadores de diferentes áreas e regiões do país e para a construção de novas agendas de investigação”, avaliou. Educação e inovação A assistente de crédito do Sicoob Costa do Descobrimento e integrante do Comitê de Jovens Geração C do Sistema OCB, a pesquisadora Daniele Scopel também se dedica a produzir ciência sobre o coop. Ela participou do 8º EBPC como co-autora da pesquisa A crítica ao paradigma proprietário em Locke: individualismo possessivo e a proposta cooperativista, no eixo Identidade Cooperativa e Direito Cooperativo. Segundo Daniele, seu interesse científico pelo cooperativismo surgiu a partir de sua atuação profissional no movimento, quando passou a compreender as cooperativas como espaços que vão além do trabalho, capazes de transformar vidas e realidades. “É um caminho eficaz para um desenvolvimento mais justo e sustentável, no qual todos trabalham, participam das decisões e compartilham os resultados do crescimento”, afirma. Para ela, pesquisar o cooperativismo também representa a oportunidade de aprofundar um tema com o qual tem afinidade e que integra seu cotidiano profissional. Ciência no ramo Crédito A doutora em Controladoria e Contabilidade pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da Universidade de São Paulo (USP), Flávia Zancan, também tem muito a contribuir com o cenário de pesquisa sobre o movimento coop. Tanto é que sua tese de doutorado, defendida em 2025, foi indicada ao Prêmio de Melhor Tese do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP). Foi durante o doutorado na USP que Flávia conheceu o movimento, quando fez parte do Observatório do Cooperativismo da USP, grupo dedicado a gerar e disseminar o conhecimento sobre as cooperativas no Brasil. Hoje, a pesquisadora se dedica a estudos sobre as cooperativas de crédito e a importância da supervisão regulatória e do contexto econômico nas decisões financeiras e na adaptação do segmento. No 8º EBPC, Flávia apresentou o estudo Avaliação do desempenho financeiro e social de cooperativas de crédito brasileiras por meio do método AHP-Gaussiano – no eixo Contabilidade, Finanças e Desempenho – que indica ferramentas para a construção de um ranking de cooperativas de crédito, identificação de disparidades de desempenho e suporte para a tomada de decisões estratégicas e governança cooperativa. O trabalho ficou entre os 50 melhores do evento. “Os achados das nossas pesquisas subsidiam gestores, conselhos de administração e formuladores de políticas públicas na definição de estratégias, na alocação mais eficiente de recursos e no aumento do impacto econômico e social das cooperativas”, explica. Segundo ela, o ambiente de conhecimento compartilhado no EBPC contribuiu para o aprimoramento de sua pesquisa, especialmente pelas trocas com colegas, contribuições práticas e ajustes para submissão à revistas científicas. Cultura organizacional A mestra em Educação e especialista em Gestão de Pessoas, Cultura Organizacional e Gestão de Cooperativas, Graça Souza, é mais uma pesquisadora que tem feito a diferença no universo acadêmico do cooperativismo, especialmente em temas ligados aos ramos Crédito e Agropecuário. Seu vínculo com o movimento cooperativista começou há quase 10 anos, quando desenvolveu um projeto junto ao Sistema OCB/Rondônia, trabalho que despertou na pesquisadora um olhar mais atento para o cooperativismo e seus princípios. Atualmente, ela se dedica a investigar fatores que influenciam o fortalecimento da cultura organizacional, o engajamento das pessoas e a promoção da segurança psicológica como caminhos para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e cooperativos. “Minha principal linha de pesquisa está voltada à gestão estratégica de pessoas e à cultura organizacional no contexto cooperativista. Busco compreender como os valores cooperativistas, as práticas de gestão e os processos educativos contribuem para o fortalecimento do cooperativismo e para a sustentabilidade das organizações”, resume a autora da pesquisa A Gestão de Pessoas e a Cultura Organizacional como Estratégias Formativas em Cooperativa de Crédito, também apresentada no 8º EBPC, no eixo Educação, Inovação e Diversidade. Segundo Graça, estudar o cooperativismo permite transformar conhecimento em ações concretas, especialmente na integração entre cultura organizacional, gestão de pessoas e desenvolvimento de lideranças. “Esses estudos contribuem diretamente para a construção de ambientes de trabalho mais humanizados, cooperativos e alinhados aos princípios do movimento cooperativista, com impacto real na vida das pessoas e das organizações”. Mais participação Apesar do cenário positivo, as mulheres pesquisadoras relatam desafios para garantir e ampliar a presença feminina na ciência. “A pesquisa realizada por mulheres no Brasil tem apresentado avanços. Ainda que esses progressos ocorram de forma lenta, eles se dão em um cenário marcado por limitações estruturais e institucionais”, destaca a pesquisadora Flávia Zancan. Entre os principais desafios relatados pelas pesquisadoras cooperativistas estão: - Dificuldade de acesso a posições de liderança no espaço acadêmico; - Consolidação de fontes de pesquisa que deem visibilidade à atuação das mulheres no cooperativismo; - Insuficiência de incentivo e apoio financeiro às pesquisas; - Visibilidade, reconhecimento acadêmico e conciliação entre pesquisa, trabalho e vida pessoal. Mulheres no coop As mulheres compõem 42% do quadro social das cooperativas brasileiras, representando mais de 10 milhões de mulheres cooperadas, de acordo com o AnuárioCoop 2025. Elas também são a maioria entre os empregados das coops, com 52%, com destaque para os ramos Consumo, Crédito, Saúde e Trabalho, Produção de Bens e Serviços.
SABER COOPERAR
12/01/2026
Participe da pesquisa nacional que fortalece a cultura cooperativista
Sistema OCB abre levantamento nacional com cooperados e colaboradores
O Sistema OCB iniciou a fase quantitativa da Pesquisa de Cultura Cooperativista, um levantamento nacional que convida cooperados e colaboradores de todos os ramos a compartilharem suas percepções sobre valores, engajamento e identidade do cooperativismo. A participação ocorre por meio de um questionário online, disponível até 13 de março deste ano.
A pesquisa pode ser respondida de forma digital (clique aqui), e leva, em média, 5 minutos para ser concluída. Quanto maior a participação, mais representativo será o retrato do cooperativismo brasileiro e mais qualificadas serão as ações futuras do Sistema OCB no tema da cultura cooperativista.
A coleta de dados contempla cooperativas de todos os ramos e regiões. O questionário é estruturado, validado academicamente e organizado em cinco eixos fundamentais, que abordam desde o conhecimento sobre os princípios cooperativistas até o nível de engajamento e pertencimento no dia a dia das cooperativas.
A pesquisa é resultado direto dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo, que apontou desafios centrais para o movimento, como a necessidade de atualizar os programas de promoção da cultura cooperativista, alinhar o discurso nacional, enfrentar a lacuna geracional e fortalecer os processos de sucessão, além de ampliar o engajamento de cooperados e colaboradores com os princípios cooperativistas.
Antes de chegar à etapa quantitativa, o estudo passou por uma fase qualitativa, com entrevistas em profundidade realizadas junto a lideranças de cooperativas e institutos cooperativistas. Esse trabalho permitiu mapear boas práticas já existentes e compreender diferentes realidades regionais, servindo de base para a construção do questionário aplicado agora em escala nacional.
Com a escuta ampliada, o Sistema OCB busca reunir informações consistentes para orientar políticas, programas de formação e estratégias de comunicação voltadas ao fortalecimento da cultura cooperativista.
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SABER COOPERAR
07/01/2026
“Diversidade gera inovação e resultados sustentáveis”, afirma Tania Zanella sobre mulheres na agricultura
Uma em cada três mulheres trabalhadoras no mundo atua em sistemas agroalimentares, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Além de produzirem alimentos, elas protegem o meio ambiente e impulsionam o desenvolvimento sustentável, papéis que terão destaque global durante o Ano Internacional da Mulher Agricultora, declarado pela ONU para 2026.
No cooperativismo brasileiro, essa agenda tem uma representante de destaque: a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, que vem fortalecendo o protagonismo feminino no setor e ampliando o diálogo sobre a importância das mulheres para a inovação, a competitividade e o futuro das cooperativas.
De acordo com a ONU, as mulheres agricultoras mobilizam comunidades, influenciam políticas públicas e constroem pontes entre a ação local e o progresso global. Em muitos países, elas têm liderado movimentos coletivos em prol da igualdade, da justiça climática e da transformação social. Apesar disso, muitas delas acabam tendo seu potencial limitado pela desigualdade de recursos, financiamento e educação, evidenciando a necessidade de fortalecimento desse grupo como estratégia para o progresso global.
Em entrevista ao Sistema OCB, Tania Zanella destaca o potencial das mulheres no cooperativismo agropecuário – ramo em que representam 19,2% dos cooperados – e o papel que exercem para tornar o segmento cada vez mais relevante para a economia e para a construção de um futuro mais sustentável.
“Quando uma cooperativa valoriza a mulher agricultora, fortalece todo o negócio. No agro, um setor onde tudo muda rápido, a diversidade na gestão amplia a visão estratégica e a capacidade de resposta”, afirma.
Além da presidência executiva do Sistema OCB, Tania lidera o Instituto Pensar Agropecuária (IPA) e está entre as “100 Mulheres Mais Poderosas do Agronegócio”, segundo ranking da Forbes.
Leia a entrevista completa:
Sistema OCB: No momento em que a ONU celebra o Ano Internacional da Mulher Agricultora, qual é o cenário da participação feminina no cooperativismo agropecuário brasileiro?
Tania Zanella: As mulheres têm um papel cada vez mais relevante nas cooperativas do agro. Elas não estão apenas como cooperadas ou colaboradoras, mas assumem funções de liderança, gestão e tomada de decisão. Isso é transformador para o movimento cooperativista. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, já temos cerca de 41% de mulheres entre os cooperados no Brasil. Esse dado mostra que avançamos muito, mas também revela que ainda temos desafios importantes. Há reconhecimento e iniciativas para ampliar essa participação. Porém, quando olhamos para cargos de alta gestão e governança, a presença feminina ainda é menor do que gostaríamos, especialmente no agro, que historicamente é um setor masculino. Ou seja: estamos no caminho certo, mas precisamos acelerar para garantir mais espaço e oportunidades para a mulher agricultora.
Como começou sua relação com o ramo agropecuário?
Minha história com o agro começou na infância, em Santa Catarina, um estado com forte tradição cooperativista. Cresci vendo a força da agricultura e da cooperação para transformar comunidades. O agro não é só produção de alimentos: é geração de emprego, desenvolvimento regional e soberania alimentar. É um setor que conecta o Brasil ao mundo e que tem no cooperativismo um modelo sustentável e inclusivo.
Em 2008, essa paixão virou missão: há 17 anos trabalho pelo fortalecimento do cooperativismo brasileiro, porque acredito que o nosso movimento tem histórias reais de transformação por meio do trabalho, geração de renda e criação de oportunidades. Passei por diferentes áreas na Casa do Cooperativismo, inclusive fui a primeira mulher a ocupar cargos estratégicos. Essa trajetória me deu uma visão ampla: da base cooperada às políticas públicas, da governança às relações institucionais. Fui a primeira mulher a ocupar cargos como gerente-geral, superintendente e, hoje, presidente executiva do Sistema OCB. Isso reforça meu compromisso: abrir caminhos e mostrar que é possível.
Como as cooperativas agropecuárias podem fortalecer a participação das mulheres em suas estruturas?
Existem ações práticas que fazem diferença e que já estão sendo incentivadas pelo Sistema OCB. Quando a cooperativa adota essas medidas, ela não só valoriza a mulher agricultora, mas fortalece todo o negócio. Destacamos a importância dos Comitês de Mulheres, que criam espaços formais de atuação com metas e voz ativa. Para isso, disponibilizamos o Manual de Implementação de Comitês de Mulheres nas Cooperativas. Além disso, incentivamos a capacitação e liderança, que significa investir em programas voltados para mulheres, com temas como governança, inovação, negociação e articulação.
Temos também as políticas de equidade, que garantem regras claras para ampliar a participação feminina em conselhos e diretorias, oferecer mentorias e apoiar a conciliação entre trabalho e vida familiar. Destacamos ainda a cultura inclusiva, que mostra que a diversidade não é só imagem, é estratégia. Como sempre digo: diversidade gera inovação e resultados sustentáveis. Por fim, a intercooperação, que cria redes de apoio entre cooperativas para compartilhar boas práticas e dar visibilidade ao protagonismo feminino. O movimento Elas pelo Coop é um exemplo disso.
Qual é o impacto positivo da promoção de ações para a equidade de gênero dentro das cooperativas?
Equidade de gênero não é só uma causa social: é uma vantagem competitiva para o cooperativismo. Por isso mesmo, os impactos são claros e estratégicos. Para começar, cito uma governança mais robusta, pois a diversidade traz diferentes perspectivas e melhora a qualidade das decisões. Também temos mais inovação e competitividade, pois equipes diversas pensam diferente e criam soluções mais completas.
Ações para equidade de gênero também fortalecem a cultura, pois promover mulheres mostra que a cooperativa valoriza meritocracia e justiça, o que atrai e retém talentos. Essas práticas geram credibilidade social porque questões ESG hoje são fundamentais. Cooperativas que praticam equidade ganham relevância e confiança. Para finalizar, destaco a resiliência e sustentabilidade, já que no agro, onde tudo muda rápido, a diversidade na gestão amplia a visão estratégica e a capacidade de resposta.
Como é para você ser uma inspiração para as mulheres cooperativistas?
É uma honra e uma responsabilidade que me motivam todos os dias. Acredito que inspirar não é estar distante, é caminhar junto. É ouvir, apoiar, compartilhar experiências e celebrar conquistas. Cada mulher que assume um papel de liderança fortalece todo o sistema. Iniciativas como o movimento Elas pelo Coop e os comitês de mulheres são instrumentos para transformar essa inspiração em prática. Porque não se trata de uma jornada individual, mas coletiva.
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SABER COOPERAR
29/12/2025
Cinco conquistas do Ano Internacional das Cooperativas
O cooperativismo brasileiro encerra 2025 com conquistas que reforçam sua relevância econômica, social e institucional. Ao longo do Ano Internacional das Cooperativas, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o movimento ampliou sua visibilidade, fortaleceu parcerias e consolidou seu papel como força capaz de construir um mundo melhor e promover soluções para desafios globais de desenvolvimento sustentável.
“O Ano Internacional nos deixa um legado de avanços concretos: maior reconhecimento institucional, mais articulação com os poderes públicos, fortalecimento da governança e da integração com agendas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com o respaldo da ONU, as cooperativas mostraram, na prática, que é possível gerar crescimento econômico com responsabilidade social e protagonismo coletivo”, destaca o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.
Confira cinco conquistas do Ano Internacional das Cooperativas 2025:
Mais visibilidade para o coop
A declaração de 2025 como Ano Internacional das Cooperativas é um marco histórico que chamou a atenção do mundo para o nosso modelo de negócios e permitiu que o movimento cooperativista ampliasse sua atuação global.
No Brasil, a campanha SomosCoop de 2025 teve como mote “Bora cooperar por um mundo melhor” e reforçou o impacto social e econômico do cooperativismo por meio de ações de comunicação e projetos de valorização do movimento. Na celebração do CoopsDay, em julho, uma ação inovadora do Sistema OCB levou o cooperativismo para as ruas de cinco capitais brasileiras, em projeções mapeadas vistas por milhares de pessoas. O coop também conquistou espaço em grandes veículos de comunicação, intensificou a atuação nas redes sociais por meio de parcerias estratégicas com influenciadores e reforçou laços com a imprensa, ampliando seu alcance entre os brasileiros.
Mais influência política do coop
O ano de 2025 foi um período de fortalecimento da articulação institucional do movimento cooperativista junto aos Três Poderes nos âmbitos local, estadual e federal. Uma das conquistas mais importantes foi a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 357/2025, que reconhece o cooperativismo como manifestação da cultura nacional. De autoria do deputado Arnaldo Jardim (SP), presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), a proposta destaca a inserção do cooperativismo na sociedade brasileira e sua força transformadora.
Em julho, uma sessão solene na Câmara dos Deputados homenageou o Dia Internacional do Cooperativismo com a presença de parlamentares, lideranças cooperativistas e autoridades – entre elas o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza. A homenagem destacou a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento do país e reforçou a necessidade de garantir políticas públicas que fortaleçam as cooperativas.
Mais ação climática coop
No Ano Internacional das Cooperativas, outro marco histórico também impulsionou a presença do coop nos debates globais: a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém (PA), com participação histórica das cooperativas. O movimento demonstrou, com cases reais, que é parte da solução para a crise climática em áreas como transição energética, agricultura de baixo carbono, financiamento verde, bioeconomia, segurança alimentar e fortalecimento de comunidades vulneráveis.
Mais de 60 cases cooperativistas foram apresentados na COP30, com participação presencial de 36 cooperativas em painéis em áreas estratégicas, entre elas a Blue Zone (onde ocorreram as negociações oficiais), na Green Zone, na AgriZone, na Casa do Seguro e no espaço Coop na COP 30, organizado em parceria com a ONU.
Mais orgulho de ser coop
O reconhecimento da ONU, a maior visibilidade do coop na sociedade e a repercussão nas redes sociais e na mídia impulsionaram o orgulho de ser coop entre os mais de 25,8 milhões de brasileiros que fazem parte do movimento.
Essa valorização do pertencimento a um modelo de negócios que gera impacto econômico e social de forma sustentável foi retratada no documentário Histórias de um mundo melhor: o Brasil que o cooperativismo transforma. A produção audiovisual percorreu as cinco regiões do país para contar histórias reais que mostram o impacto das cooperativas para as pessoas e suas comunidades. O resultado é um mosaico sensível e potente sobre como o coop amplia oportunidades e constrói um Brasil melhor. Além do documentário, o livro fotográfico Cooperativas do Brasil: retratos de um mundo melhor também reúne imagens e relatos de 60 cooperativas de todos os estados brasileiros que representam propósito, pertencimento e prosperidade nos locais onde atuam.
Mais coop pelo mundo
Para encerrar o Ano Internacional das Cooperativas e deixar um legado de reconhecimento, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) desenvolveu, com apoio do Sistema OCB, o Mapa do Patrimônio Cultural Cooperativo, um inventário digital de marcos históricos e simbólicos da cooperação nos cinco continentes.
A plataforma já reúne 31 locais simbólicos para o coop em 25 países e será atualizada de forma colaborativa. O Brasil está representado com o Monumento ao Cooperativismo, situado em Nova Petrópolis, berço da primeira cooperativa de crédito do país e Capital Nacional do Cooperativismo. A próxima etapa do projeto da ACI é a catalogação de tradições orais, práticas e rituais que incorporam a cultura cooperativa, compondo o patrimônio imaterial do coop pelo mundo.
Conheça as ações realizadas pelo cooperativismo brasileiro durante o Ano Internacional das Cooperativas no site especial.
Vídeos Saber Cooperar
Representação política e institucional
O trabalho de representação política e institucional do Sistema OCB estabelece um diálogo estratégico e constante com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para defender os interesses do movimento cooperativista e promover um ambiente favorável ao desenvolvimento de políticas públicas que valorizem o cooperativismo brasileiro.O que é a intercooperação
A intercooperação abre portas para novos negócios e ajuda a ampliar a participação de mercado e os resultados das cooperativas envolvidas. Assista ao vídeo e veja como a união entre cooperativas pode potencializar os resultados dos negócios cooperativos.
Cooperativismo e ESG
Qual é a relação entre cooperativas e bioeconomia?
A onda verde chegou com força ao setor econômico. A chamada bioeconomia está em alta, mas você saber o que ela propõe, na prática?
Infográficos
O coop e o clima: propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática
Neste infográfico, apresentamos as propostas do cooperativismo brasileiro para a agenda climática e mostramos como o modelo cooperativista torna possível unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Com forte atuação em temas centrais como transição climática, bioeconomia e uso responsável dos recursos naturais reforçamos o papel das cooperativas como parte essencial das soluções para enfrentar a crise climática.
Como as cooperativas constroem um mundo melhor?
O cooperativismo é um modelo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) por sua capacidade de promover desenvolvimento econômico com responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Essa atuação está diretamente conectada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma série de metas para construir um mundo mais justo e próspero até 2030. Descubra no infográfico interativo como as cooperativas contribuem para cada ODS.
