Conectando passado e presente para cultivar o futuro
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CulturaCoop: crescer com propósito
O Eixo CulturaCoop objetiva fortalecer a cultura cooperativista, que é o jeito de pensar, se relacionar e agir no cooperativismo, orientado pelos nossos valores e princípios. Para isso, é composto de soluções focadas na perenidade do cooperativismo e manutenção do modelo de negócios, por meio do fortalecimento da identidade, da filosofia e da educação cooperativista.
Conheça as soluções do CulturaCoop
Legado
Solução que orienta as cooperativas na identificação, organização e divulgação da sua história e memória institucional como ativo estratégico para a gestão, relacionamento e fortalecimento da cultura e identidade cooperativista.
Educação Cooperativista
Visa formar e instrumentalizar profissionais para atuarem como educadores, disseminando a cultura, fortalecendo a identidade e a filosofia cooperativista, contribuindo para que o jeito de ser coop chegue em todas as comunidades
Futuras Lideranças
Uma jornada de formação voltada para lideranças cooperativistas, atuais e futuras, com foco em preparar quem deseja assumir posições de liderança e ampliar a visão de quem já atua, oferecendo um ambiente favorável à sucessão e continuidade institucional.
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Destaques
Encontro de gerações abre caminhos para renovação
Michel Alcoforado defende intercâmbio de ideias para combinar experiência, propósito e inovação A convivência de diferentes gerações no ambiente de trabalho deixou de ser uma escolha e passou a fazer parte da rotina das organizações. Para o antropólogo Michel Alcoforado, o desafio agora é transformar as diferenças de comportamento, comunicação e expectativas profissionais em uma oportunidade de renovação para as cooperativas. O tema abriu a programação desta quinta-feira (13), terceiro e último dia da Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB, em Brasília. Na palestra Tendências de comunicação e os conflitos geracionais, Alcoforado analisou como transformações sociais, tecnológicas e demográficas alteraram as relações de trabalho e a forma como diferentes gerações enxergam carreira, liderança e propósito. Segundo o antropólogo, as organizações vivem uma situação inédita, com três, quatro e, em alguns casos, até cinco gerações dividindo o mesmo ambiente profissional. Essa convivência tende a se tornar ainda mais frequente com o envelhecimento da população e a permanência dos profissionais por mais tempo no mercado. “Você vai ter que lidar com gente que pensa diferente de você. E isso não é uma escolha”, afirmou. Para Alcoforado, um dos principais erros é analisar as novas gerações a partir da ideia de que os comportamentos do passado eram necessariamente melhores. O discurso de que “no meu tempo era melhor”, segundo ele, dificulta a compreensão das mudanças e amplia os conflitos. “O mesmo fenômeno já ocorreu com outras gerações. Os millennials também foram recebidos com desconfiança quando começaram a ocupar espaço nas empresas, especialmente por questionarem estruturas hierárquicas e demonstrarem expectativas diferentes sobre carreira. Tudo que é novo é desafiador”, disse. Conflito pode estimular inovação Alcoforado defendeu que as divergências não sejam tratadas apenas como problemas. Quando administrado de forma adequada, o conflito pode evitar a acomodação das equipes e estimular novas soluções. Ele chamou esse processo de fricção produtiva: o encontro entre pessoas com experiências, referências e visões distintas que obriga uma organização a questionar práticas consolidadas. “Toda vez que temos divergência de opinião, que alguém sabe uma coisa que o outro não sabe, temos também a possibilidade de abrir caminho para inovações e novas possibilidades”, defendeu. Para as cooperativas, segundo o antropólogo, esse processo ganha relevância porque a renovação precisa ocorrer sem que o conhecimento acumulado ao longo dos anos seja perdido. Em sua avaliação, equipes formadas apenas por pessoas com referências semelhantes correm maior risco de reproduzir as mesmas respostas para problemas que estão mudando rapidamente. “A alternativa está justamente no intercâmbio geracional: criar espaços nos quais profissionais mais experientes compartilhem conhecimento e memória institucional, enquanto os mais jovens contribuam com novas linguagens, tecnologias e formas de enxergar o trabalho”, complementou. Experiência e memória Ao abordar profissionais mais experientes, Alcoforado chamou atenção para uma mudança importante no mercado. Pessoas que antes estariam próximas da aposentadoria permanecem profissionalmente ativas e consideram estar justamente no período de maior capacidade de contribuição. Isso traz, de acordo com ele, mais um desafio para os processos de sucessão e renovação das lideranças. Ao mesmo tempo, representa uma oportunidade para preservar conhecimentos construídos durante décadas. Nas cooperativas, afirmou, a memória tem valor ainda maior porque as organizações são construídas a partir de relações de longo prazo com cooperados, comunidades e setores produtivos. “A mentoria dos mais velhos é fundamental para a vida da nossa cooperativa. Com avanço da inteligência artificial, por exemplo, os jovens podem dominar rapidamente as ferramentas, mas o repertório acumulado é necessário para avaliar criticamente as respostas produzidas”. Na análise dos millennials, Alcoforado destacou o peso atribuído ao propósito. Essa geração passou a questionar com maior intensidade não apenas o que faz profissionalmente, mas porque realiza determinado trabalho. Nesse aspecto, ele considerou que o cooperativismo parte de uma posição privilegiada em comparação com organizações que precisam construir artificialmente uma narrativa de propósito. “É mais fácil fazer isso com cooperativas, uma vez que elas têm um senso de porquê, de impacto na vida das pessoas, dos colaboradores, dos cooperados e da comunidade”, defendeu. Para ele, a meta é transformar esse diferencial em uma experiência percebida no cotidiano. “Não basta comunicar o propósito institucional, é necessário mostrar aos profissionais como o trabalho individual contribui para os resultados coletivos”. Autonomia para os mais jovens Com a geração Z, a lógica muda novamente. Alcoforado apontou que os jovens valorizam autonomia, responsabilidades concretas, reconhecimento e a possibilidade de construir uma trajetória própria. Isso não significa, segundo ele, que a resposta pode estar em oferecer responsabilidades progressivas e oportunidades para que esses profissionais experimentem, proponham e percebam sua contribuição individual. Outra característica é a construção da identidade profissional. O antropólogo destacou que parte dos jovens não pretende permanecer na mesma carreira durante toda a vida e espera que a organização também contribua para seu desenvolvimento individual. “Para as lideranças, isso exige uma relação mais próxima, com orientação, feedback e espaço para experimentação”, disse. Comunicação entre gerações As diferenças aparecem até nas situações mais simples de comunicação. Durante a palestra, Alcoforado usou exemplos bem-humorados sobre a maneira como pessoas de idades distintas utilizam WhatsApp, emojis, áudios, abreviações e outras ferramentas digitais. Embora estejam nas mesmas plataformas, as gerações atribuem significados diferentes às mensagens e adotam códigos próprios. No ambiente profissional, ignorar essas diferenças pode gerar ruídos, interpretações equivocadas e conflitos. Por isso, ele lembrou que as cooperativas precisam criar canais capazes de aproximar os diferentes grupos. Ao concluir, Alcoforado relacionou o debate diretamente à capacidade de continuidade das cooperativas. Na avaliação dele, nenhuma geração, isoladamente, possui repertório suficiente para responder à velocidade das transformações atuais. “Profissionais mais experientes podem oferecer memória, conhecimento do setor e capacidade de avaliar novidades. Os millennials ajudam a reforçar propósito e conexão com a comunidade. Já os mais jovens trazem novas formas de trabalhar, maior demanda por autonomia e disposição para testar modelos diferentes”, relacionou. A combinação dessas características, completou, deve substituir a disputa sobre qual geração trabalha melhor. “O mundo ficou complexo demais para só quem tem cabelo branco resolver, ou só para quem está cheio de cabelo na cabeça resolver. A gente precisa unir a experiência de alguém que já viu muito com a novidade de quem chegou agora”, finalizou. Saiba Mais: Semana de Competitividade 2026 celebra raízes que inspiram o futuro Documentário resgata histórias de pioneiros do coop brasileiro Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI
