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Nós temos a oportunidade de vivenciar todos os dias o cooperativismo na nossa instituição. Os alunos podem colocar em prática o que aprendem em sala de aula e aplicar isso ao longo da vida. O potencial de difusão do cooperativismo é enorme”, comemora Pelegrini.Uma das iniciativas já realizadas com os alunos: envolvê-los na vivência do processo eleitoral. Eles puderam participar de uma campanha interna para eleger quem seriam os responsáveis pela administração da cidade. As instalações e as atividades curriculares foram adequadas para que as iniciativas dos pequenos gestores pudessem sair do papel, guiadas por valores do cooperativismo como criatividade e consciência crítica.
Esta matéria foi escrita por Juliana César Nunes e está publicada na Edição 24 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Brasília, 26/10/2020 - Está no ar o edital de intercooperação do programa Brasil Mais Cooperativo. Nesta primeira edição, 24 cooperativas agropecuárias do Nordeste serão selecionadas para participar de workshops, imersões e uma consultoria especializada com o objetivo de fomentar o crescimento de seus negócios e o acesso a novos mercados.
O lançamento ocorreu durante uma live transmitida no canal do Sistema OCB no YouTube, com a participação de representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Instituto Interamericano de Cooperação par a Agricultura (IICA), entidades parceiras na construção do edital.
Conforme comentado pelas três entidades, o edital chega como um primeiro passo, focado na região Nordeste, com o objetivo maior de alcançar toda a América Latina futuramente.
O público beneficiário do projeto será de até 24 cooperativas agropecuárias do Nordeste, principalmente da Agricultura Familiar, que tenham necessidade de aprimorar a gestão para o acesso a mercados. Até oito cooperativas que possuam expertise em gestão e tenham acesso a diferentes mercados, preferencialmente localizadas nas regiões sul e nordeste, serão mentoras das demais.
"O projeto pretende fomentar a troca de conhecimento e de experiência entre as cooperativas envolvidas", comentou o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas. Na sequencia, o representante do IICA, Christian Fischer, explicou como vai funcionar: "Serão feitos diagnósticos e workshops, e as cooperativas serão acompanhadas pelas outras, colaboradoras, e por uma consultoria especializada do IICA".
"Serão feitas também missões de intercooperação entre as cooperativas agropecuárias do nordeste e as cooperativas colaboradoras, do sul, para a construção de soluções para os problemas enfrentados pelas participantes da seleção", completou o Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, Fernando Schwanke.
A live completa, você pode ver no canal do Sistema OCB, no YouTube.
Vídeo
E aqui, você encontra o vídeo com o passo a passo.
* Valdir Simão, advogado, ex-ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU) e ex-ministro do Planejamento Orçamento e Gestão * Aldo Leite, advogado e assessor jurídico do Sescoop Nacional[/caption]
Toda cooperativa já nasce com algumas marcas inerentes ao nosso DNA: qualidade, força e integridade são algumas delas. Outras características são desenvolvidas com o tempo, como a excelência da gestão, a eficácia dos processos e a habilidade de olhar de maneira estratégica e sustentável para a condução dos negócios. E é para ajudar o cooperativismo a evoluir nesses últimos aspectos contamos com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) — serviço social autônomo, com personalidade jurídica de direito privado, instituído a partir da Medida Provisória 1.715/98, e respectivas reedições.
Em atividade desde 1999, o Sescoop foi criado para aperfeiçoar a governança, a gestão e as atividades de responsabilidade socioambiental das cooperativas brasileiras. Até então, nosso modelo de negócios avançava de forma intuitiva, sem um modelo de governança e planejamento estratégico estruturados. Com o lançamento do “S” cooperativista , o governo federal e as cooperativas brasileiras esperavam alcançar um novo patamar de gestão e profissionalização da base de cooperados e colaboradores. Mas será que isso de fato aconteceu?
Para discutir os reais impactos do Sescoop no cotidiano das cooperativas brasileiras, entrevistamos dois profissionais da Lei: o ex-ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão, que também já ocupou o cargo de ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão (2015-2016), e o assessor jurídico do Sescoop, Aldo Leite.
Saber Cooperar: O que mudou para as cooperativas brasileiras após a criação do Sescoop?
Valdir Simão: A partir da criação do Sescoop, o sistema cooperativista passou a contar com um instrumento para a promoção da cultura cooperativista e para a formação profissional e desenvolvimento gerencial das cooperativas e seus associados. Investindo fortemente em estratégia e na integração do sistema, o Sescoop vem pavimentando o caminho para o desenvolvimento contínuo do modelo cooperativista brasileiro, que apresenta índices de crescimento surpreendentes.
Aldo Leite: Antes da criação do Sescoop, os empreendimentos cooperativos não tinham o suporte adequado e específico para suas necessidades de aperfeiçoamento da gestão e capacitação de seus empregados. A depender do ramo de atuação, elas tinham de buscar ajuda em diversas outras instituições — públicas ou privadas — que não compreendiam muito bem a essência e os princípios cooperativistas, como a autogestão e a estrutura de governança própria das cooperativas. O Sescoop mudou esse quadro e passou a desempenhar um papel importantíssimo na oferta de soluções para a sustentabilidade do nosso modelo de negócios [veja encarte especial sobre o Sescoop].
No atual contexto de reformas políticas e econômicas, qual seria o principal desafio do Sescoop?
V.S: As cooperativas têm, em seu DNA, o empreendedorismo. A formação de profissionais com essa característica é fundamental para o nosso desenvolvimento econômico e para a diminuição da dependência estatal. E esse é justamente um dos objetivos estratégicos do Sescoop: capacitar pessoas. Ao participar de vários segmentos da economia nacional, o sistema cooperativista contribui para estimular a produtividade e competitividade, em prol do consumidor e do país.
A.L: A economia brasileira está passando por um processo de ressignificação. Diversos processos estão sendo reestruturados e a qualificação profissional é o eixo motor desse processo. Nesse sentido, o Sescoop pode contribuir significativamente para o crescimento e aumento da importância das cooperativas na economia brasileira, criando novas oportunidades de geração de renda e trabalho para a população.
E em relação à melhora da eficiência e da gestão das cooperativas, qual o papel desempenhado pelo Sescoop?
V.S: O papel é central, de identificação e disseminação de boas práticas de gestão e formação de pessoas, o que garante eficiência e entrega de bons resultados.
A.L: O Sescoop detém papel importantíssimo na melhoria da gestão e da governança dos empreendimentos cooperativos, ajudando inclusive na projeção das cooperativas brasileiras no cenário econômico nacional e internacional. Fazemos isso por meio de programas próprios de capacitação, como o Programa de Desenvolvimento da Gestão Cooperativa (PDGC), mas também por intermédio de parcerias firmadas com diversos atores nacionais, como o Banco Central do Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fundação Unimed, Fundação Sicredi, dentre outros. Também firmamos parcerias voltadas ao fortalecimento do cooperativismo com atores internacionais, a exemplo da Organização das Nações Unidas (Onu), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Confederação Nacional das Cooperativas da Alemanha (DGRV), dentre outros.
Existe diferença entre a chamada “governança cooperativista” e a governança corporativa das empresas tradicionais?
V.S: Governança, gestão de riscos e controles são ferramentas essenciais para organizações de qualquer natureza, públicas ou privadas, de fins lucrativos ou não. Os princípios da boa governança aplicados em empresas privadas devem ser aplicados também nas cooperativas, para garantir um processo decisório equilibrado, transparência e accountability.
A.L: Não obstante os princípios aplicáveis à boas práticas de governança e gestão sejam universais, transversais e essenciais, temos de ter a clareza: enquanto o modelo de governança corporativa visa atender aos interesses dos sócios ou acionistas das sociedades empresarias em geral, a governança cooperativista é um modelo de direcionamento estratégico fundamentado nos valores e princípios cooperativistas. Portanto, tem um impacto mais positivo no ambiente ao qual está inserido, pois visa garantir a execução dos objetivos sociais e assegurar a gestão das cooperativas de modo sustentável, e em consecução com os interesses dos associados. As boas práticas da governança cooperativista — além de seguir os princípios gerais e boas práticas de governança e gestão — observam princípios próprios, dentre os quais ressalto a autogestão, bem como diversos outros regramentos próprios disciplinados na própria Lei 5.764/71. Além disso e a depender do ramo de atuação, observam-se regras/resoluções de agentes públicos normalizadores, a exemplo do Banco Central para as instituições financeiras cooperativas e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para as cooperativas de saúde. Por isso o Sescoop fomenta tão fortemente o aperfeiçoamento e as boas práticas de governança e gestão nas cooperativas. Acreditamos que essas boas práticas ajudarão no avanço e no fortalecimento das cooperativas e, com isso, a comunidade em volta da cooperativa também será beneficiada.
Todos os anos, o Sescoop realiza a capacitação técnica de milhares de cooperados e trabalhadores de cooperativas. Na sua opinião, a forma de atuação e disponibilização dessas informações está satisfatória? Onde é possível melhorar?
V.S: É satisfatória, mas sempre é possível melhorar, com olhar voltado para as novas tecnologias e para as necessidades do mercado, em constante evolução.
A.L: Sabemos que a atuação e disponibilização das informações, em qualquer instituição, precisa estar em constante processo de evolução e interconexão. As ferramentas e os resultados obtidos pelo Sescoop precisam ser melhor divulgados à sociedade. Temos muito a contribuir com a sociedade e a economia brasileiras e precisamos divulgar melhor nossas ações.
Sabemos que toda e qualquer organização, seja privada ou pública, pode e deve otimizar recursos e revisitar seus custos periodicamente. Na sua opinião, como o Sescoop pode melhorar nesse sentido?
V.S: Inovando e refletindo continuamente sobre o seu modelo de atuação, para identificar novas formas de atuação, em especial com a utilização de tecnologia, bem como para gerar sinergia na utilização dos recursos e das estruturas de cada unidade de negócio.
A.L: Como já dito, toda e qualquer organização, seja ela pública ou privada, deve promover e incentivar a otimização de seus recursos. E o Sescoop já vem trabalhando nessa tônica há alguns anos. Criamos, por exemplo, um centro de serviços compartilhados que centralizou na unidade nacional, em Brasília, os serviços de processamento da folha de pagamento e contabilidade dos estados. Com isso, conseguimos liberar as equipes das unidades estaduais, que são reduzidas, para se dedicarem ao atendimento das cooperativas. Destaco, ainda, que outras iniciativas estão em processo de reflexão e discussão interna. Estamos, inclusive, dialogando com alguns Ministérios do novo governo, no sentido de estruturar uma cadeia de formação e qualificação profissional que fomente a sustentabilidade, colocação ou recolocação profissional dos trabalhadores de cooperativas.
Quais são as expectativas para o Sescoop e para as nossas cooperativas nos próximos anos?
V.S: Tenho confiança que o sistema continuará crescendo de forma sustentável. O cooperativismo já é compreendido pela sociedade e pelos governos como modelo de negócio capaz de gerar valor aos associados e produzir bens e serviços de qualidade. Também gera oportunidade de entrada no mercado de trabalho para aqueles que pretendem desenvolver determinada atividade econômica mas dependem de algum tipo de cooperação para isso. Esse desenvolvimento contínuo tem como motor propulsor o Sescoop, seja na formação profissional ou na qualificação gerencial das cooperativas.
A.L: Minhas expectativas para o Sistema Cooperativista Nacional são as melhores possíveis, já que é visível e significativo o crescimento e participação das cooperativas no cenário econômico nacional e internacional. O mundo tem buscado alternativas para um crescimento consciente e sustentável. E cada vez mais, pessoas e organizações se engajam nesse propósito. Segundo estudo da Nielsen Global de Responsabilidade Social Corporativa, 66% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços advindos de instituições/empresas comprometidas com impacto social e ambiental positivos. E o cooperativismo é uma alternativa extremamente conectada, desde o início, com esse tema e com seus princípios, já que estamos falando de adesão livre e voluntária, gestão democrática, intercooperação, interesse pela comunidade, dentre outros.
Especificamente em relação ao Sescoop, posso afirmar com a certeza de quem trabalha há 10 anos no Sistema S: fazemos muita diferença na vida dos dirigentes, cooperados e empregados das cooperativas. Os números de crescimento do cooperativismo são fruto direto da atuação do Sescoop na melhoria da gestão e governança das cooperativas.
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O Sescoop é parte do Sistema OCB, composto por três instituições complementares entre si, mas com desafios distintos:
MISSÃO
Sescoop promover a cultura cooperativista e o aperfeiçoamento da gestão para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras.
OCB promover um ambiente favorável para o desenvolvimento das cooperativas brasileiras, por meio da representação político-institucional.
CNcoop defender o cooperativismo e os interesses da categoria econômica das cooperativas brasileiras.
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Hiperlink 01: Termo que define um grupo de instituições paraestatais dedicadas à capacitação, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica da principais categorias econômicas existentes no país, incluindo o cooperativismo.
Hiperlink 02: expressão inglesa que pode ser livremente traduzida como “prestação de contas” ou “responsabilização da gestão”. Consiste na boa prática de apresentar aos públicos interessados (acionistas, clientes, fornecedores etc.) os resultados financeiros e as decisões estratégicas tomados por uma organização, pública ou privada, durante a condução dos negócios.
Esta matéria foi escrita por Paula Andrade e está publicada na Edição 25 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
As cooperativas são inovadoras e criativas e promovem uma matemática em que 1+1 é igual a 3", disse o pontífice.Na ocasião, ele ainda destacou como o cooperativismo transforma realidades sociais e combate práticas de mercado injustas. Mas esta não foi a primeira vez que Francisco mencionou o cooperativismo. Em 2015, ele associou o princípio da solidariedade – parte da doutrina social da Igreja Católica – com o trabalho das cooperativas e elogiou sua busca “pela relação entre a economia e justiça social” observando “sempre a pessoa e não o dinheiro”. Mais cedo, no mesmo ano, ele já havia afirmado que cooperativas “têm enfrentado as dificuldades da crise econômica com os seus meios, unindo forças, e não às custas de outros.” No Brasil, em 2016, a mensagem cooperativista chegou às casas de milhões de telespectadores que acompanharam a novela “Velho Chico”. Na trama, o protagonista Santo (interpretado pelo saudoso Domingos Montagner) foi eleito presidente de uma cooperativa de pequenos produtores agrícolas que enfrentava os desmandos de um coronel. Quando Santo desapareceu, seu filho Miguel (Gabriel Leone) passou a liderar a cooperativa, enfatizando o desenvolvimento sustentável. "Você concorda em continuar produzindo do jeito convencional? Jogando veneno na terra? No rio? Extraindo o resto de vida do solo?", questionava em cena. Além de estar na pauta do dia, o cooperativismo tem mostrado sua popularidade com o interesse crescente de personalidades, empresas e entidades do terceiro setor, que cada vez mais buscam se associar ao que as cooperativas defendem: comércio justo, desenvolvimento econômico com responsabilidade social e sustentabilidade. A atriz Emma Watson, embaixadora da boa vontade das Organizações das Nações Unidas (ONU) costuma ir a eventos de gala com vestidos feitos por marcas “eticamente responsáveis”. Ou seja, marcas que evitam promover sofrimento e desgaste no processo de fabricação de seus produtos, levando em consideração tanto recursos naturais quanto humanos. Uma de suas parceiras é a Zady , marca parceira de cooperativas que produzem tecidos na Índia e em fazendas de orgânicos nos Estados Unidos. A Fundação Nobel — responsável pelos Prêmio Nobel da Paz, de Química, Física, Medicina e Literatura — também contrata, desde 2015, duas cooperativas mineradoras colombianas para fazer suas medalhas: a Codmilla Cooperativa e a Cooperativa Agromineradora de Iquira. “É um reconhecimento do trabalho árduo, porém decente, que estamos fazendo em uma comunidade tradicional mineradora para garantir o sustento de nossas famílias e o desenvolvimento de nossas comunidades. Todos os dias arriscamos nossas vidas nas profundezas das montanhas e, além disso, é um desafio viver em paz em um país com tantos conflitos”, disse Harbi Guerrero, membro da Codmilla, por ocasião do segundo ano de fabricação das medalhas do Nobel. Com a repercussão gerada pelo prêmio, ambas as mineradoras passaram a ser contratadas por marcas de joias eticamente responsáveis de todo o mundo. DESIGN COOPERATIVO [caption id="attachment_76428" align="alignnone" width="1920"]
Crédito: Getty Imagens[/caption]
No Brasil, no coração da Amazônia, uma cooperativa vinculada ao Sistema OCB chamou atenção de alguns dos maiores designers de móveis brasileiros da atualidade. Desde o início de 2017, a Cooperativa Mista da Floresta Nacional dos Tapajós (Coomflona) Fomos buscar parcerias para desenvolver um projeto de promoção comercial. Não queríamos apenas compradores, mas pessoas que entendessem que a nossa madeira vem de uma comunidade tradicional, que é certificada, e cujo manejo preserva a floresta, zela por suas populações e gera benefícios socioambientais. Queríamos pessoas que entendessem todo o valor por trás desse trabalho”, explica Angelo.Ao longo desta busca, alguns cooperados participaram de uma oficina da BVRio. Lá, surgiu a ideia de levar designers para a cooperativa. O projeto Design & Madeira Sustentável foi formatado, então, com o objetivo de levar esses profissionais para transmitirem seus conhecimentos sobre a criação de móveis para a região. Em muitos casos, desses encontros surgiram novas e produtivas parcerias comerciais. UM OUTRO OLHAR [caption id="attachment_76429" align="alignnone" width="5760"]
Crédito: Paulo Alves[/caption]
O designer paulista Paulo Alves esteve na Coomflona em junho de 2018 e desenvolveu peças como mesa de jantar, mesinhas e bancos utilizando galhos e pranchas costaneiras — primeiras pranchas a serem retiradas quando se fatia uma tora. Esses materiais são geralmente descartados por serem irregulares e de difícil aproveitamento em produções convencionais.
A ideia era provocá-los e mostrar possibilidades. Queria que olhassem para a madeira e imaginassem como seria possível criar uma cama, uma cadeira. Ao final da minha estadia, um dos madeireiros me falou: ‘Nunca mais vou conseguir olhar para um galho sem pensar em tudo que dá pra fazer a partir dele’. Isso para mim é o mais interessante”, recorda o designer.Ainda segundo Paulo Alves, mais do que simplesmente criar uma dinâmica em que a cooperativa forneça mão de obra, o projeto busca capacitá-la a produzir suas próprias peças de design. Ângelo, o analista ambiental da Coomflona, confirma que o principal objetivo é promover “o empoderamento da comunidade por meio da sua história de lutas, de decisão e de território”. Animado, ele conta como foram os primeiros resultados da parceria com Paulo Alves: “Ele acabou desenhando um projeto sofisticado para a gente desenvolver, fizemos um protótipo e fomos a São Paulo visitá-lo e acompanhá-lo numa feira de design. Ele nos disse que estamos preparados para competir no mercado nacional, para estar com grandes designers. Foi legal ver que o nosso trabalho não tem sido em vão e que estamos oferecendo o que pessoas que têm consciência ambiental estão buscando.” MARKETING SOCIAL [caption id="attachment_76430" align="alignnone" width="1024"]
Crédito: Shutterstock[/caption]
O pesquisador de marketing e cooperativismo Rumeninng Abrantes, professor da Universidade Federal do Tocantins, considera que ao divulgar ações que naturalmente já adotam, as cooperativas acabam por melhorar sua imagem perante à sociedade. Em paralelo, conseguem agregar valor aos seus produtos.
O sétimo princípio do cooperativismo, que é o interesse pela comunidade, é um tipo de marketing social. Então algo que as cooperativas já fazem como obrigação, como princípio, pode fazer com que elas sejam vistas com outros olhos”, explica.Esta é a aposta da Coomflona: focar no consumo consciente como tendência que os consumidores mais atentos já têm buscado. Além das sessões de capacitação, o projeto Design & Madeira Sustentável prevê participação em feiras de negócios, a realização de uma exposição em 2019 e a produção comercial de algumas peças. Carlos Motta, o primeiro designer a visitar a Coomflona já colocou no mercado uma linha de 12 bowls e 3 modelos de bancos produzidos na Coomflona. A cooperativa trabalha, agora, na implementação de uma serraria para poder dar melhor tratamento e finalização às peças e para aumentar a escala de produção. Atualmente, desenvolvem apenas peças sob encomenda e têm em designers, hotéis e construtoras seus principais clientes. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A Coomflona desenvolve móveis apenas sob encomenda. Para saber mais, procure por Comflona na internet, ou mande um e-mail para
Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 24 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
A conheço profissionalmente e pessoalmente. É uma mulher dura, mas serena. Uma mulher meiga, amiga e determinada”, conta.O dinamismo e comprometimento da hoje ministra foram sendo reconhecidos e ela então começou a ser convidada a participar da diretoria de várias federações e associações que representam o setor agropecuário brasileiro. “A dedicação à área pública sempre esteve presente em minha família”, conta Tereza. Ela é bisneta de Pedro Celestino Corrêa da Costa e neta de Fernando Corrêa da Costa, ex-governadores de Mato Grosso (quando o estado ainda não havia sido separado). Entre 2007 e 2014, Tereza Cristina assumiu a Secretaria Estado de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo do Mato Grosso do Sul (Seprotur). Em sua gestão, conseguiu importantes conquistas para o estado. Uma delas foi tornar o MS livre da febre aftosa. A conquista foi reconhecida internacionalmente por meio da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Nesse período como secretária, a agricultura do Mato Grosso do Sul cresceu 12% ao ano. Em sete anos, o PIB do estado aumentou 152,42%. Os empregos na área industrial também dispararam: o aumento foi de 40,7%. Após essa experiência, foi eleita deputada federal para o seu primeiro mandato pelo estado de Mato Grosso do Sul, entre os anos de 2015 a 2018. “Meu foco sempre foi o desenvolvimento do país”, afirma. Nesse período, continuou buscando melhorias para o setor agropecuário e para o seu estado. A busca, ela faz questão de enfatizar, sempre foi por legislações mais eficientes e justas.
Buscamos melhorias em questões fundamentais para o setor produtivo nacional, como o crédito rural, investimentos em política agrícola, renegociação de dívidas, fortalecimento das relações comerciais, abertura de mercado para o Brasil, direito de propriedade, dentre outras pautas”, explica.Em 2018, foi reeleita para a legislatura que se encerra em 2022, mas encontra-se afastada do mandato para se dedicar ao Mapa. UNÂNIMIDADE [caption id="attachment_76353" align="alignnone" width="853"]
Crédito: Guilherme Martimon[/caption]
O nome de Tereza Cristina foi indicado ao presidente Jair Bolsonaro pela Frente Parlamentar da Agricultura.
Nós tínhamos vários perfis. Temos excepcionais parlamentares lá dentro. Mas no pente fino que fizemos, ela preenchia todos esses requisitos. Não havia pessoa mais adequada para assumir essa responsabilidade”, recorda Marcos Montes (MG), então deputado da Frente.Ainda segundo o secretário, todos ficaram animados com a escolha. “Podemos ver a receptividade com que ela foi recebida em todos os meios. No meio parlamentar, não apenas na nossa Frente, mas em todas as bancadas. Ele também foi muito bem recebida pelos produtores rurais e pelo meio empresarial”, conclui. Naquela época, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, João Martins, também comemorou a escolha. “A deputada sempre atuou na defesa dos produtores rurais brasileiros e agora terá condições de trabalhar ainda mais em benefício do setor”, destacou. MADRINHA [caption id="attachment_76344" align="alignnone" width="1280"]
Crédito: Guilherme Martimon[/caption]
Teresa Cristina sempre teve certeza de que o cooperativismo tem um papel fundamental para o avanço do Brasil. “Hoje as cooperativas têm um papel pujante no crescimento econômico e social do País com enorme representatividade no Congresso Nacional. Para o campo, elas também são o motor do progresso. Promovem oportunidade, geram renda e desenvolvimento sustentável”, argumenta.
Justamente por isso, este ano ela foi convidada para ser madrinha do Dia de Cooperar (Dia C) — projeto de responsabilidade social das cooperativas brasileiras que tem por objetivo colocar em prática os valores e os princípios do cooperativismo através de programas para o desenvolvimento social da comunidade onde essas cooperativas estão inseridas.
Confira a mensagem que ela enviou para nossas cooperativasno evento:
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Esta matéria foi escrita por Tchérena Guimarães e está publicada na Edição 24 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
O que percebo, tanto aqui quanto em outros países, é que o principal obstáculo à constituição dessas cooperativas ainda são as pessoas. É difícil reunir um grupo, sentar todos em uma sala e fazê-los fechar um acordo. Elas ainda não sabem abrir mão das suas vontades pessoais em prol de um bem maior. Esse é o principal desafio do cooperativismo de plataforma em todo o mundo”, lamenta.Já o professor-doutor e diretor geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mário de Conto acredita que faltam instrumentos na legislação brasileira para apoiar o desenvolvimento de iniciativas como essas. “Analisando as características da Lei Geral das Cooperativas, evidentemente, há desafios que concernem à novidade do modelo, como formas de efetivar a participação democrática e o processo de tomada de decisões em um contexto digital”, pondera. BENCHMARKING INTERNACIONAL [caption id="attachment_76307" align="alignnone" width="1170"]
Crédito: Depositphotos[/caption]
Usando o exemplo de experiências nos Estados Unidos, Espanha e França, uma ideia capaz de adubar o terreno para cooperativas de plataforma é a criação de incubadoras dessas empresas nas universidades, organizações não governamentais e dentro das próprias cooperativas.
A proposta da incubação é apoiar novos empreendimentos com suporte técnico, jurídico e contábil, muitas vezes oferecendo consultorias e mentorias especializadas na potencialização de um negócio. E foi justamente esse modelo que resultou na criação da Up and Go — cooperativa de plataforma criada para oferecer emprego e renda às mulheres de uma comunidade de imigrantes, em Nova Iorque.
A Up and Go possui, hoje, cerca de 40 cooperadas. Graças à plataforma, pela primeira vez desde que chegaram à América, essas mulheres conseguiram uma remuneração justa por seu trabalho. Quem nos conta essa história é Sylvia Morse, gerente de projeto do Center for Family Life (CFL) — organização sem fins lucrativos que realiza a incubação de cooperativas de plataforma na cidade de Nova Iorque.
Antes de fazerem parte da cooperativa, essas mulheres ganhavam muito mal e não tinham garantia de serem pagas pelo serviço que prestavam. Às vezes limpavam a residência e o dono dizia estar sem dinheiro para pagá-las na hora. Outras vezes, pagavam as passagens para ir até a casa do cliente e, ao chegar, eram avisadas que ele tinha desistido. Com isso, tinham um prejuízo grande porque não eram ressarcidas pelo deslocamento”Desde 2006, o CFL capta fundos e oferece suporte técnico e financeiro à criação de cooperativas de plataforma nas áreas de serviços de limpeza e cuidado de crianças pequenas. “Nossa equipe trabalha para ajudar esses trabalhadores a constituírem sua cooperativa, ajudando a definir como deve ser o site, o aplicativo, o atendimento aos clientes, a política de preços e as assembleias de cooperados”, resume Sylvia, que também participou como palestrante do 14º CBC. No caso da Up and Go, por exemplo, cada cooperada recebe 95% do valor pago pelos clientes. Os outros 5% são revertidos para o fortalecimento da plataforma.
Antes, quando trabalhavam como empregadas de outros sites que oferecem serviços de limpeza, elas recebiam bem menos por hora trabalhada. E isso, apesar de o cliente pagar mais caro que na pelo serviço”, constata a gerente do CFL.Além de ganharem mais como cooperadas e de serem as donas do próprio negócio, as mulheres da Up and Go utilizam os 5% destinados para a plataforma para fortalecerem o próprio negócio e para garantirem alguns benefícios importantes para elas, como cursos de inglês e capacitação profissional. “A cooperativa empodera essas mulheres e muda as vidas delas e a de suas famílias”, comemora Sylvia. De acordo com a norte-americana, as cooperativas têm impactado tão positivamente Nova Iorque que a cidade foi a primeira dos Estados Unidos a criar um fundo exclusivo para o financiamento desse tipo de empreendimento. “As cooperativas de plataforma têm ajudado a incluir públicos que nem sempre encontram boas oportunidades de trabalho no mercado formal, como as mulheres, os negros e os imigrantes. Por isso, elas têm recebido suporte de entidades públicas e privadas para se desenvolverem no meu país”, constata. Sylvia acredita que essas incubadoras de cooperativas de plataforma poderiam funcionar também no Brasil. “Vocês têm uma organização que cuida especificamente do cooperativismo”, diz, referindo-se ao Sistema OCB. “Esse é um primeiro passo importante, porque já existe um centro de referência para os trabalhadores que desejem montar uma cooperativa no país. O próximo passo é buscar apoio de outras organizações públicas e privadas para criar um ecossistema favorável à criação de cooperativas de plataforma no Brasil”, conclui.
Esta matéria foi escrita por Karine Rodrigues e Guaira Flor e está publicada na Edição 26 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Dirigindo para os aplicativos, posso alternar os meus horários. Se eu não conseguir trabalhar de manhã, vou à noite. Se eu não lucrar bem na semana, posso ir no sábado e no domingo”, explica.Só existe um problema: ele e tantos outros motoristas de aplicativo estão dividindo o resultado de seu trabalho com os donos da plataforma, perpetuando um modelo de trabalho que explora a mão de obra do trabalhador em busca do maior lucro possível, sem lhe dar nenhuma garantia ou segurança jurídica. Ao perceber essa realidade, pesquisadores dos Estados Unidos e Europa começaram a se perguntar: não seria mais justo que os motoristas fossem os verdadeiros donos do negócio, já que possuem o carro e fornecem a mão de obra? E se os princípios cooperativistas, consolidados na busca por relações mais dignas, justas e solidárias fossem aliados à veia democrática da internet, nascida da noção pública de propriedade coletiva? E se, no contexto de economia compartilhada, pudéssemos desenvolver alternativas de negócios conduzidas por ideais comunitários? E foi para responder a essas perguntas que surgiu um novo conceito: o cooperativismo de plataforma — proposta de empreendimento que combina os princípios e os valores do cooperativismo com o imenso potencial disruptivo das novas tecnologias da informação. O COMEÇO DE TUDO [caption id="attachment_76300" align="alignnone" width="800"]
Crédito: Shutterstock[/caption]
O conceito “cooperativismo de plataforma” foi utilizado pela primeira vez por Trebor Scholz, professor de cultura e mídia associado à The New School autor do livro Cooperativismo de Plataforma. Ele esteve no Brasil em maio especialmente para o 14º CBC. Em palestra que lotou um dos auditórios do evento, afirmou: o cooperativismo é o modelo de negócios capaz de tornar mais justas as novas relações de trabalho impostas pelo “ubercapitalismo” — nova onda capitalista caracterizada pela supressão do Estado como mediador entre o capital e o trabalho, um modelo que transforma todos em trabalhadores individuais, apartados entre si, cada qual, lutando por sua sobrevivência.
Scholz alerta que por trás de todo o conceito “descolado” e engajado da economia compartilhada — que vende aos cidadãos a ideia de que é possível ganhar mais, tendo liberdade de escolher quando e por quanto tempo se quer trabalhar, com a vantagem de não estar subordinado a um chefe direto — existe a crise econômica, o desemprego e a necessidade de complementação de renda. Uma realidade bem conhecida dos brasileiros nos últimos anos.
Ainda segundo o autor, essa nova forma de trabalho ofertada por alguns aplicativos de serviço pode ser, na verdade, uma armadilha para a precarização dos direitos do trabalhos.
Eu estudo as mudanças trazidas pela internet no mercado de trabalho desde 2008 e fui percebendo que as relações estabelecidas entre algumas plataformas de serviço e as pessoas são uma nova forma de exploração da mão de obra do trabalhador ainda mais perversa que a anterior, pois lhes tira todos os direitos e benefícios, maximizando ao extremo o enriquecimento dos donos dessas plataformas”, critica.De fato, de acordo com o IBGE, o rendimento de um trabalhador informal é, em média, 40% menor do que quem atua com carteira assinada. Também é importante lembrar da falta de garantias para os funcionários nessas plataformas de compartilhamento. O que mais preocupa Ezequiel Avelino, motorista de aplicativos, é a segurança. Em uma situação de sequestro ou roubo, enquanto estiver dirigindo, o prejuízo é 100% do dono do automóvel. Por isso, ele pondera ao aceitar corridas em determinados horários e lugares, o que pode colocar em risco sua pontuação nos apps. Em poucos cliques — medido em estrelinhas que variam de uma a cinco — está na mão do consumidor o poder de classificar um motorista da plataforma. Quem ficar abaixo de uma média de corte, que controla a qualidade dos funcionários, pode ter o cadastro suspenso ou cancelado. POR UMA RELAÇÃO MAIS JUSTA [caption id="attachment_76305" align="alignnone" width="5760"]
Crédito: Pexels[/caption]
Outro papa do cooperativismo de plataforma é o professor de estudos de mídia da Universidade do Colorado, Nathan Schneider, coautor do livro Nosso para hackear e possuir: a ascensão do cooperativismo de plataforma, uma nova visão para o futuro do trabalho e uma internet mais justa. Em entrevista exclusiva à Saber Cooperar, ele definiu o cooperativismo de plataforma como “uma comunidade transnacional de usuários-trabalhadores. Uma nova geração de pessoas que entram no movimento cooperativo e tentam usá-lo para criar uma economia on-line mais justa, responsável e democrática”.
Scheider defende que a natureza do compartilhamento de informações, software de código aberto, colaboração distribuída e comunicação rápida da internet é não apenas propícia às práticas cooperativistas, como trata-se de uma oportunidade de renovar o espírito transformador da economia cooperativa, fundada há quase dois séculos.
Também entusiasta do potencial transformador da internet para o cooperativista, o advogado, professor-doutor e diretor geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mário de Conto, tem pesquisado sobre o conceito no Brasil, com o incentivo do Sistema OCB. Para ele, a modalidade poderia melhorar o desenvolvimento local, sob a forma de trabalho democrático e colaborativo.
Tratam-se de iniciativas em que os trabalhadores são proprietários das plataformas, tomam as decisões de maneira democrática através de mecanismos digitais e a distância, de forma muito diferente da experimentada nas cooperativas tradicionais”, explica o pesquisador.
Na visão de de Conto, as “CoopTechs” (cooperativas de base tecnológica) podem não apenas incluir quem está de fora da digitalização na troca de serviços, como ajudar a reduzir as desigualdades e a concentração do poder que está nas mãos dos agentes que detêm o capital (o software hoje em dia). “Nesse contexto, o cooperativismo de plataforma tem como principal impacto no eixo social viabilizar a inserção de trabalhadores em plataformas digitais nas quais eles tenham maior possibilidade de definir suas margens de retorno e fazer sua autogestão”, avalia.
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NÚMEROS
Existem pelo menos 350 Cooperativas de plataforma ao redor do mundo
26 Países já colocaram a ideia em prática, incluindo o Brasil
USS 1 milhão Valor aportado pelo Google para o financiamento de cooperativas em 2019
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Esta matéria foi escrita por Karine Rodrigues e Guaira Flor e está publicada na Edição 26 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Minha evolução enquanto profissional se confunde muito com o próprio desenvolvimento do Sicredi e a necessidade de busca por novos conhecimentos e metodologias que pudesse aplicar aqui. Sempre tive aqui muito apoio, tanto de me darem força e incentivo quanto financeiro”, conta.O acesso aos estudos fomentados pela cooperativa foram, além de uma ferramenta profissional, uma conquista pessoal. Rogério, que veio de família humilde, começou a trabalhar como auxiliar de oficina mecânica aos 14 anos e sempre quis crescer por meio dos estudos, pois essa era a orientação dos seus pais. “Eles diziam que a gente precisava buscar crescer, enquanto pessoa, por meio dos estudos”, conta. Hoje, homem feito, tenta cultivar no Sicredi União a cultura de aperfeiçoamento que um dia lhe foi passada. Atualmente, a cooperativa tem um curso de MBA somente para os colaboradores, chamado Academia Cooperativa. A primeira turma forma-se em outubro deste ano. E há também uma Escola de Talentos, que funciona com pequenos módulos de formação ao longo de 12 meses, e todos os funcionários participam. Além disso, Rogério destaca que, antes de colocarem a mão na massa, todos os novos funcionários passam quinze dias de trabalho em um projeto de integração:
Eles têm esse tempo para conhecer a cultura cooperativa e enxergarem que, no cooperativismo, as pessoas são valorizadas pelo que são, e não pelo que têm. Isso ressignifica a forma como se veem como profissionais. Por isso, nossos profissionais atuam com paixão e engajamento em tudo o que fazem”.Na avaliação do executivo, essa é uma forma de manter coesão na cooperativa — que tem 1.300 funcionários (300 contratados somente em 2019 para 25 novas agências) e é uma das quatro maiores do Brasil. “Construímos isso com respeito aos colaboradores, humildade nas nossas ações e coerência naquilo no que somos. Passamos para o time nosso posicionamento no mercado, de maneira clara. Aqui, buscamos não só o desenvolvimento técnico das pessoas, mas o interpessoal”
Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 27 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
É um movimento interessante, pois, enquanto os bancos tradicionais estão caminhando no sentido da completa digitalização do relacionamento com o cliente, o cooperativismo financeiro — mesmo adotando a tecnologia —, faz questão de manter uma relação de proximidade, de olho no olho com o cooperado”, observa.Tal proximidade “gera um laço mais firme de confiança entre o cooperado e sua cooperativa financeira”, diz Clara. Além disso, alinha-se aos princípios cooperativistas ao promover o desenvolvimento sustentável com a criação de postos de trabalhos para aquecer a economia local, gerando trabalho e renda para profissionais com perfis variados, como Jonathan Villalba, assistente financeiro do Sicoob Norte em Porto Velho (RO). Contratado em maio deste ano, Jonathan sentiu na pele os efeitos da crise econômica ao ficar desempregado por seis meses. A empresa em que ele trabalhava como gerente administrativo, no Paraná, decretou falência, e ele se viu sem trabalho pela primeira vez, aos 34 anos. Incomodado, avaliou que a situação do estado não era boa e decidiu buscar novas oportunidades em Rondônia, onde viveu por alguns anos, anteriormente. Lá, não encontrou uma situação muito diferente. Muitas empresas recusavam-se a contratá-lo porque tinham um teto salarial incompatível com sua experiência. “Foi difícil, encontrei muita dificuldade em recolocação no mercado de trabalho”, lembra. Desgastado pela busca, Jonathan optou por mudar a rota profissional e investir em um antigo sonho: trabalhar no mercado financeiro. Tirou uma certificação e partiu em busca de oportunidades na nova área. “No entanto, desta vez me deparei com outro obstáculo — a idade —, pois as grandes instituições financeiras no país costumam contratar assistentes de até 25 anos”, diz. A oportunidade que ele buscava surgiu no Sicoob Norte. “Encontrei uma oportunidade de recolocação e a realização de um sonho de menino, de trabalhar de roupa social em uma instituição financeira. Foi uma oportunidade importante, pois o Sicoob não faz distinção de idade”, diz. Hoje ele credita sua oportunidade ao mesmo fator apontado pela gerente do Sistema OCB: a capilaridade de um sistema que investe em contato presencial para se expandir. “Nosso sistema tem tudo para continuar crescendo, devido ao excelente atendimento, que é diferenciado justamente por ser personalizado”, afirma Jonathan. GESTÃO PROFISSIONAL [caption id="attachment_76226" align="alignnone" width="512"]
Crédito: Pixabay[/caption]
Crescendo em contratações, o sistema cooperativista tem atraído profissionais cada vez mais qualificados, como a gerente regional de investimentos do Sicredi Vale do Piquiri (SP/PR), Márcia Guerra.
Trabalhando na área de investimentos há 16 anos e com várias certificações, Márcia tornou-se alvo de recrutamento de diversas instituições quando decidiu sair do banco no qual trabalhava, em 2017, por conta de mudanças internas de gestão. Ela já tinha fechado uma proposta com uma grande instituição financeira quando foi contatada pelo Sicredi, que identificou seu currículo em uma plataforma on-line de empregos e vagas.
Eles me convidaram para que eu viesse conhecer a cooperativa e, até então, eu não conhecia bem o cooperativismo. Comecei a estudar a história e o modelo de negócios pelo mundo. Me encantei”, relembra Márcia.Além disso, ela achou que a proposta de trabalho era mais desafiadora do que o que ela encontraria em uma instituição tradicional. “O Sicredi me oferecia um desafio maior, por atuar com uma marca nova em São Paulo, que é uma praça forte e consolidada. Inserir uma marca aqui é difícil e requer muito conhecimento técnico. E eu quis muito esse desafio.” Em dois anos no cargo, Márcia e sua equipe conseguiram implantar uma assessoria de investimentos e entregar as metas inicialmente propostas. Ela também fez uma formação internacional em cooperativismo, na Alemanha. As propostas de trabalho continuam chegando (“o mercado assedia bastante, viu?”), mas o ambiente de trabalho saudável é, para ela, algo valioso. “O Sicredi me abraçou. A diretoria e a presidência entenderam as ideias que eu trouxe, a mudança de cultura na forma de ver investimentos que propus. Eles abraçaram a causa e me veem não como gestora, mas como pessoa. Sabe aquela coisa de assistir à televisão no domingo à noite com preguiça de vir trabalhar no dia seguinte? Comigo não tem isso: eu amo trabalhar aqui”, conta. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Estados que mais empregam ESTADO NÚMERO DE EMPREGADOS CRESCIMENTO ENTRE 2017 E 2018 Paraná 12.055 21,1% Minas Gerais 11.439 14,5% Rio Grande do Sul 10.719 11,4% Santa Catarina 9.519 15,3% São Paulo 6.860 7.7% *Números absolutos de 2018. Variação percentual entre 2017 e 2018. Dados Anuário OCB 2010. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Estados em que a empregabilidade mais cresce* ESTADO NÚMERO DE EMPREGADOS CRESCIMENTO ENTRE 2017 E 2018 Amazonas 80 196,3% Tocantins 395 59,9% Sergipe 54 38,5% Ceará 273 25,2% Piauí 42 23,5 * Números absolutos de 2018.Variação percentual entre 2017 e 2018. Dados Anuário OCB 2018. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
AGENDA BC# Reconhecendo o potencial de crescimento, empregabilidade e inclusão financeira do cooperativismo financeiro, o Banco Central destacou a importância do setor no lançamento da Agenda BC#, em junho deste ano. “Mesmo durante as crises na década anterior, o cooperativismo manteve-se firme na trajetória de crescimento. A gente precisa agora consolidar essa atuação”, afirmou o presidente do Banco Central, Roberto Campos, no evento. A Agenda BC# lista medidas para melhorar a saúde financeira do brasileiro e, por consequência, a economia do país, com foco em quatro pilares: Inclusão — o foco dessa dimensão é facilitar o acesso ao mercado financeiro para todos: pequenos e grandes, investidores e tomadores, nacionais e estrangeiros. Entre as medidas para alcançar esse objetivo, estão plataformas digitais, menos burocracia e simplificação de procedimentos. É intenção do BC atuar para que fontes privadas de financiamento ocupem mais espaço no mercado, de forma que se permita a redução da participação do governo nesse segmento. Competitividade — busca a adequada precificação por meio de instrumentos de acesso competitivo aos mercados. Há diversas inovações, impulsionadas por tecnologia, que incentivam a competição. Paralelamente, há desafios para reduzir barreiras, agilizar procedimentos e gerenciar riscos. Transparência — nessa dimensão, trabalha-se para aprimorar o processo de formação de preço e as informações de mercado e do BC. Ela investe no incremento da comunicação, na avaliação de resultados e na simetria de informação. Para tanto, é fundamental o relacionamento com parlamentares, investidores e o grande público. O BC trabalha para que a informação flua transparentemente em todos os aspectos, como no direcionamento de crédito e nos serviços financeiros. Educação — a dimensão Educação almeja conscientizar o cidadão para que todos participem do mercado e cultivem o hábito de poupar. Nesse sentido, é chave a participação de agentes de mercado, como cooperativas e distribuidores de microcrédito. Para atingir alta capilaridade, a dimensão prossegue também no esforço de plena implementação da Base Nacional Comum Curricular, de que consta a educação financeira como conteúdo programático elegível para escolas.
Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 27 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Belo Horizonte (5/10/20) – Na próxima quarta-feira, dia 7 de outubro, o Sistema Ocemg realiza mais uma edição da palestra gratuita Orientações Básicas sobre Cooperativismo, em ambiente digital. A atividade é gratuita e aberta ao público. São oferecidas 25 vagas. Os interessados podem se inscrever clicando na aba de Cursos e Treinamentos do Portal do Sistema Ocemg, no endereço: www.sistemaocemg.coop.br.
Após confirmada a inscrição, os participantes receberão um link por e-mail para acessar a palestra, que será disponibilizada utilizando a metodologia do Microsoft Teams. Na aula on-line, o participante poderá interagir ao vivo.
A palestra Orientações Básicas sobre Cooperativismo busca informar os participantes a respeito dos fundamentos básicos e da organização de uma cooperativa. O conteúdo programático contempla informações sobre o cooperativismo e os aspectos jurídicos e contábeis relativos a essa forma de empreendimento. (Fonte: Sistema Ocemg)
“Antes da pandemia, nossas capacitações eram feitas no modo presencial, reunindo um grande número de cooperados. Agora elas são feitas via web”, constata Ricardo Khouri, presidente da cooperativa.Como isso está acontecendo? Por meio de um aplicativo, no qual o quadro técnico recebe orientações via comunicados e até videoconferências. Além disso, o planejamento da safra 2020/2021 também não foi feito nos moldes tradicionais, porque os cooperados — habituados a uma relação de proximidade com os técnicos — passaram a recorrer mais a computadores ou aplicativos de celular para essa comunicação. “Desde fevereiro, o departamento comercial também tem feito uso mais frequente de plataformas digitais para a aquisição de insumos”, explica o presidente. Segundo Khouri, as atividades do processo produtivo de grãos não sofreram grandes mudanças, tendo em vista as exigências naturais da agricultura: determinadas épocas de plantio, manejo de pragas e doenças, colheita, transporte e armazenamento. A execução dessas atividades, entretanto, precisou incorporar ações de garantia da segurança dos cooperados, como o reforço nos cuidados sanitários, implementação de distanciamento social, uso de máscaras e higienização frequente das mãos e das superfícies de contato. VITRINE VIRTUAL Outra mudança importante foi o aumento da visibilidade da Coapa. Em maio deste ano, por exemplo, Khouri participou de um painel virtual da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins) — maior evento de negócios da Região Norte, que teve sua 20ª edição realizada 100% pela internet.
“Essa experiência foi inédita para mim. Eu falo muito para produtores rurais, para 50 ou até 200 pessoas, mas nessa live eu falei para 1.600 pessoas! Você atinge um público maior e não precisa do aparato de ter de viajar ou promover o deslocamento de produtores. É algo que veio para ficar. É uma revolução no jeito de levar informação para o produtor rural”, analisa o executivo.Para acompanhar o calendário de lives do cooperativismo, acesse a aba de notícias do site somoscooperativismo.coop.br.
Com linguagem fácil, didática e vários hiperlinks para quem quiser se aprofundar no assunto, as cartilhas provam ser possível inovar agora para não perder o bonde da história — já que pesquisas indicam que as pessoas vão manter os hábitos de consumo adquiridos agora, durante a pandemia. Além disso, o material orienta cooperados a lidar com a maior concorrência no e-commerce, tendo em vista o exponencial aumento de empresas presentes no mundo digital. “Se você não divulgar bem o seu produto ou serviço, não terá visibilidade. E se você não atender às novas demandas do seu cliente, pode acabar perdendo mercado agora e também no cenário pós-pandemia”, alerta Samara Araujo, coordenadora do Núcleo de Informações e Mercados do Sistema OCB.
Samara chama a atenção para o fato de que — neste momento de redução de gastos —, os consumidores tornam-se mais seletivos nas compras e menos fiéis a marcas, o que tende a ser propício para inserção de novas empresas no mercado. Nesse contexto, o marketing digital é ferramenta importante para a divulgação e o fortalecimento de uma marca.
“Muitas pessoas estão com o recurso mensal comprometido, tendo de fazer escolhas de consumo. Nesse momento, marcas que antes não estavam no universo digital, mas conseguem se inserir, têm a oportunidade de falar com essas pessoas, que estão mais flexíveis para mudar de fornecedor.”Ainda de acordo com a coordenadora de inovação, as cooperativas devem avaliar a possibilidade de fazer parcerias para inovar em curto prazo, seja para criar uma plataforma de comércio eletrônico, incluir serviços de delivery ou contratar uma agência de marketing digital. “Nesse primeiro momento, é difícil montar uma equipe dedicada a isso, especialmente para as cooperativas de pequeno porte. Então, faz mais sentido fazer parcerias para inovar de forma ágil, barata e eficaz”, orienta.
Esta matéria foi escrita por Mariana Fabre e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
A loja on-line é um projeto novo, que surgiu em decorrência da pandemia. Estamos aprendendo a trabalhar com esse novo mercado, pois ainda não temos muita experiência no meio digital. Contratamos uma empresa que criou o site e nos deu total suporte”, relata o presidente da Coopram, Darli José Schaefer.Após ver uma postagem em rede social feita por uma amiga que havia adquirido uma cesta de alimentos da Coopram, a advogada e estudante de gastronomia Jéssica Oliveira resolveu também comprar alguns produtos. “Confesso que sou muito criteriosa com essa coisa de comprar alimento pela internet. Mas eu gostei de lá porque realmente vem tudo muito fresco e de ótima qualidade”, comenta. CLIENTE Há quase dois meses, Jéssica mantém a rotina de fazer uma encomenda por semana e diz gostar da praticidade de poder escolher cada produto que irá compor sua cesta. “Tem ainda a questão de valorizar os pequenos produtores; sempre procuro isso e tenho indicado para muita gente”, afirma. A advogada lembra que não tinha o hábito de fazer esse tipo de compra via internet, mas precisou se adaptar em função da pandemia e acredita que essa tendência será mantida no futuro próximo. Hoje, a Coopram entrega cerca de 30 cestas de produtos por semana na região de Vitória, Vila Velha e Domingos Martins. Nada mal para um cooperativa que sequer possuía serviços de entregas em domicílio.
Foi uma reinvenção necessária para a sobrevivência da cooperativa”, admite Schaefer. “Remanejamos as equipes que estavam paradas, como o caso da área responsável pelo atendimento ao PNAE, para atender a essa nova demanda de delivery. A qualidade dos serviços prestados tem feito a procura pelo nosso site crescer.”--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Vale destacar: o setor de Alimentos e Bebidas foi o que mais cresceu dentro do comércio eletrônico brasileiro no mês de abril, com um aumento de 294,8% no volume de compras em relação a abril de 2019. Os dados são do Compre & Confie, que ainda contabilizou um faturamento do varejo digital brasileiro de R$ 9,4 bilhões em abril, valor 81% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Somente em abril foram realizadas 24,5 milhões de compras via internet no Brasil, 98% a mais do que em abril de 2019. Para saber mais, veja o case da Coopram em Inova.coop.br/radar. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- INFORMAÇÃO IMPORTANTE!
No último dia 7 de abril, foi publicada a Lei nº 13.987, que altera o marco legal do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para autorizar, durante o período de suspensão das aulas, a distribuição de gêneros alimentícios adquiridos com recursos do programa diretamente aos pais ou responsáveis dos estudantes das escolas públicas de educação básica. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação disponibilizou um manual com orientações para os agentes do setor.
Esta matéria foi escrita por Mariana Fabre e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Infelizmente a área cultural, criativa e do entretenimento é a primeira que para e, provavelmente, vai ser a última a voltar. Por isso, essa lei é de extrema importância para o setor", explica.[caption id="attachment_76045" align="alignnone" width="6000"]
Crédito: Shutterstock[/caption]
A Lei Aldir Blanc atende artistas, contadores de histórias, produtores, técnicos, curadores, trabalhadores de oficinas culturais e professores de escolas de arte e capoeira que estejam sem emprego formal, com comprovada atuação na área nos últimos dois anos e renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa da família. No caso das instituições — dentre as quais, as cooperativas — há uma relação direta entre a execução do fazer artístico e o funcionamento administrativo delas. Daí, a importância do auxílio para a manutenção destes espaços.
Muitas cooperativas, associações e empresas desenvolvem projetos e têm uma estrutura que precisa ser mantida. E como não está sendo possível se apresentar, elas estão financeiramente descobertas. Então, é interessante saber que poderão contar com uma verba para tentar se manter nesse período. É mais um pontinho que a cultura, que a arte, acaba ganhando", defende Marília.Cabe, é claro, lembrar do importante papel que o setor cultural está desenvolvendo no decorrer da pandemia. Basta se perguntar: quantas lives, filmes e programas de televisão você já assistiu? Quantos livros leu? "Um dos grandes salvadores para que as pessoas ficassem em casa e fizessem isolamento social foi poder acessar a cultura das mais variadas formas. Agora tem até empresa se especializando em lives, uma parte do mercado que a arte ainda era um pouco reticente", conclui a produtora. Quer saber mais sobre a Lei Aldir Blanc? Dá uma olhadinha na matéria que selecionamos para você! E para conhecer melhor o compositor que deu nome à lei, assista esse vídeo: [embed]https://www.youtube.com/watch?v=uZ1lDbYRQFE[/embed]
Esta matéria foi escrita por Farol Conteúdo e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
- no primeiro trimestre de 2020 houve um crescimento de 32,6% nos pedidos on-line realizados no Brasil em comparação ao mesmo período do ano passado, atingindo um total de quase 50 milhões de transações;
- com o aumento do número de vendas, o faturamento das plataformas de e-commerce teve um incremento de 26,7% em relação ao primeiro trimestre de 2019, totalizando mais de R$ 20 bilhões;
- quase 16 milhões de brasileiros adquiriam algum produto ou serviço pela internet nos três primeiros meses do ano. Alta de 22,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Crédito: Cooplem[/caption]
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Nome: Cooperativa de Ensino de Língua Estrangeira Moderna (Cooplem)
Ramo: Trabalho, Produção de Bens e Serviços
Estado: DF
Mudança implementada: Migração das aulas presenciais para uma plataforma digital de ensino.
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Um dos setores mais impactados pela pandemia do coronavírus foi o educacional. Em todo o país, as aulas de escolas, cursos de idiomas e universidades estão suspensas desde o começo de março. Diante desse cenário, a primeira cooperativa de idiomas do Brasil — a Cooperativa de Ensino de Língua Estrangeira Moderna (Cooplem) — soube inovar rapidamente seu modelo de operação.
Conseguimos colocar toda a equipe do presencial para trabalhar on-line em 15 dias, o que acho um tempo recorde”, comemora Débora Lima, presidente da Cooplem. Ela explica que, desde o ano passado, havia um projeto de desenvolvimento de uma plataforma de ensino virtual. “A pandemia nos obrigou a acelerar esse processo. Foi desafiador, mas valeu a pena”, comemora.Hoje, todas as aulas, os plantões, as atividades e avaliações da cooperativa funcionam digitalmente em uma plataforma que reúne mais de 7.500 alunos e 140 professores. As aulas são transmitidas ao vivo, nos mesmos horários das antigas turmas presenciais. De casa, os alunos acessam a plataforma da escola (https://online.cooplem.com/) usando login e senha, e participam das aulas por meio do Google Meet — serviço de videochamada que permite reunir até 250 participantes. Antes de colocar a plataforma no ar, a direção da Cooplem teve o cuidado de realizar capacitações virtuais com os professores. Objetivo? Ensiná-los a lidar da melhor forma possível com as novas ferramentas do ensino a distância (EaD). Também foram desenvolvidas atividades de adaptação para alunos ao novo formato de ensino. “Criamos tutoriais, vídeos e posts explicando o passo a passo do ED. Uma equipe foi disponibilizada para dar suporte aos alunos que enfrentassem alguma dificuldade, com colaboradores ajudando a criar os logins e a fazer as configurações necessárias para acessar a plataforma e entender o seu funcionamento. Tem sido uma adaptação para eles, e para nós também”, conta Débora. O novo formato das aulas tem agradado os estudantes. “Particularmente, gosto muito das aulas on-line, porque a gente tem recursos muito bons, como filmes ou músicas, que às vezes não temos condição de usar na aula presencial”, avalia Giovanna Nolasco, aluna da Cooplem desde os 10 anos de idade. Para ela, a única dificuldade do formato digital foi encontrar maneiras de se manter concentrada na telinha do computador.
Fazer as coisas em casa não é fácil, porque tem muito mais distração do que dentro de uma sala de aula. Então você realmente precisa estabelecer um horário fixo, fechar a porta e falar ‘agora não dá pra ter contato com ninguém’”, orienta a estudante.Quando toda essa crise passar, a Cooplem não pensa em retroceder em relação às aulas digitais. “Nosso objetivo, agora, é ampliar nossa atuação on-line, levando nossos cursos para todo o Brasil”, vislumbra Débora. O primeiro passo nesse sentido já foi dado. Em 16 de junho, foi lançado na internet o Cooplem em Casa — nova modalidade de curso 100% digital. Segundo ela, a projeção é alcançar no mínimo 13 mil novos alunos pela rede mundial dos computadores. Dessa forma, a cooperativa atuará nas duas frentes, tanto on-line quanto presencial, nas 12 unidades no Distrito Federal.
Esta matéria foi escrita por Farol Conteúdo e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Florianópolis (8/9/20) – O cooperativismo catarinense é reconhecido por exercer com excelência o sétimo princípio: interesse pela comunidade. E neste período de pandemia, não poderia ser diferente. Um levantamento realizado pela Ocesc (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) junto às cooperativas registradas revelou que, desde o início das recomendações de isolamento social, elas desenvolvem cerca de 220 ações para ajudar na prevenção e no combate do novo coronavírus nas comunidades em que atuam.
Além de instituírem medidas de segurança interna para empregados, as 44 cooperativas que reportaram ações à Ocesc ainda fizeram doações a hospitais e a famílias carentes. Ao todo, 11 cooperativas doaram dinheiro a instituições que atuam na linha de frente do combate à pandemia. Juntas, essas doações somaram mais de R$ 660 mil. Além disso, quatro cooperativas catarinenses participaram de mobilizações para arrecadação de fundos e alimentos e seis distribuíram cestas básicas e outros alimentos para comunidades em situação de risco.
O relatório mostra, ainda, que três cooperativas doaram EPIs (equipamento de proteção individual), materiais de higiene e respiradores para hospitais. Quatro doaram e financiaram a produção de máscaras e duas distribuíram álcool em gel, para ajudar na prevenção da doença. Duas cooperativas instalaram unidades de atendimento móvel para apoiar a realização de testes e uma doou testes rápidos.
Para o presidente da Ocesc, Luiz Vicente Suzin, os números destacam a preocupação do cooperativismo com a sociedade.“No momento de crise da saúde pública que estamos vivendo, as cooperativas catarinenses demonstram a importância de cooperar em prol de um bem maior. Com doações de respiradores, equipamentos de proteção, alimentos e muitos outros, elas atuam no combate e na prevenção da doença, honrando com os nossos princípios mais fundamentais”, enfatiza Suzin.
O relatório mostrou também que as cooperativas estão divulgando as maneiras corretas de se prevenir, promovendo palestras e treinamentos para empregados e veiculando informativos nas mídias sociais.
Como a área econômica também foi afetada pela pandemia, algumas cooperativas do ramo crédito, por exemplo, liberaram operações especiais de crédito para os cooperados. O levantamento mostrou também que, nesse período de isolamento social, os canais digitais de atendimento foram fortalecidos e tornaram-se aliados das cooperativas, garantindo atendimento de qualidade. (Fonte: Ocesc)
Nestes meses temos aprendido que estar presente faz diferença. As necessidades do mercado mudaram, surgiram novos regulamentos e novas necessidades, mas nós aprendemos que mudar é possível em um período curto de tempo. Fizemos muito mais coisas do que antes fazíamos, e na metade do tempo. Estamos todos trabalhando de maneira muito mais inteligente, poluindo menos e construindo o futuro”, afirma.Além disso, para ajudar as cooperativas com problemas de liquidez financeira, a Liga ofereceu empréstimos com taxas de juro zero. ÁFRICA [caption id="attachment_75989" align="alignnone" width="1920"]
Crédito: Banco de imagens[/caption]
O continente africano — composto por muitas economias subdesenvolvidas — também tem sofrido com bastante intensidade os efeitos da pandemia. A diretora regional da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) África, Chiyoge B. Sifa, salienta que as cooperativas estão trabalhando em parceria com os governos dos países mais afetados, colaborando tanto com a promoção de políticas públicas quanto promovendo iniciativas próprias de auxílio à população.
“As cooperativas têm tentado se organizar rapidamente para auxiliar os seus membros. Os cooperados também têm colaborado conosco, com a doação de dinheiro, alimentos e produtos de higiene, para podermos implementar as medidas do governo”, acrescenta.Como o comércio foi fortemente atingido pelo lockdown, as cooperativas precisaram fazer empréstimos com a Ásia e Europa, além de países africanos, para a compra de equipamentos de saúde. “A infraestrutura de saúde e a infraestrutura de transporte têm recebido poucos investimentos. Então, isso tem sido um fator negativo para o desenvolvimento da nossa resposta à Covid. As nossas cooperativas têm feito o possível para ajudar os nossos governos e as nossas economias”, avalia Chiyoge. O Banco Cooperativo do Quênia, por exemplo, doou 1 milhão de dólares para o enfrentamento do vírus e a aquisição de equipamentos médicos. Outra contribuição das cooperativas tem sido o compartilhamento de informações sobre a prevenção à doença. O pico da Covid-19 no país é esperado para este mês de setembro. Até lá, a insegurança alimentar deve ser fator de constante atenção. Para enfrentar essa dificuldade de acesso a alimentos básicos, as cooperativas contam com o apoio de outros continentes no estímulo à agricultura. Ao avaliar o momento, a diretora da ACI na África afirma que a pandemia tem ensinado a importância da sustentabilidade financeira e de recursos.
“A pandemia nos ensinou que é preciso ter alguma reserva para poder oferecer. Temos visto como o mundo tem se esforçado para superar o problema, e que muitos países fecharam suas fronteiras. A sustentabilidade nacional em cada país e a das nossas próprias organizações se tornaram fundamentais e terão repercussão na forma que cooperaremos. Qualquer momento uma nova crise pode vir, e não podemos estar vulneráveis”, avalia.Chiyoge acrescenta que não podemos alcançar essa sustentabilidade sem cooperação. “Nossos amigos de outros países nos precederam nessa experiência. Logo, não precisamos reinventar a roda”, prevê a diretora, citando o caso da China, que conseguiu uma boa resposta à pandemia e tem colaborado com o intercâmbio de informações. BRASIL [caption id="attachment_75990" align="alignnone" width="1200"]
Crédito: Banco de imagens[/caption]
O representante do Brasil no Conselho de Administração da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Onofre Cezário Filho, ressalta a importância da cooperação entre países no combate à Covid-19.
“A partir das experiências vividas no Brasil e observadas em outros países, fica claro que o caminho natural e necessário para a saída dessa crise global é a cooperação. As organizações com maior capacidade de atender às novas demandas sociais de forma mais justa e solidária, sem dúvidas, são as cooperativas”, afirma.Para a OIT, as cooperativas precisam ser reconhecidas não apenas pelas suas colaborações nos momentos emergenciais, mas também pelos seus potenciais na recuperação e transformação de sociedades e economias a médio e longo prazos.“É importante que as cooperativas mostrem ao mundo como esse modelo de negócios pode criar empregos e novas fontes de renda, já que haverá muitas falências e demissões em empresas tradicionais”, enfatiza a diretora de Cooperativismo da OIT Simel Esim. “Temos toda a confiança de que os valores e princípios do cooperativismo podem orientar a transição não apenas para um novo normal, mas para um melhor normal”, conclui.
Esta matéria foi escrita por Tchérena Guimarães e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
Crédito: banco de imagens[/caption]
Muitas cooperativas mudaram suas produções para atender melhor à população. Em vez de manipular medicamentos ayuvérdicos , elas agora fabricam máscaras faciais e desinfetantes para as mãos. Os materiais foram distribuídos para pessoas com alto risco de contágio pela Covid-19, incluindo trabalhadores da linha de frente, como profissionais de saúde.
Cooperativas de crédito atuaram para reduzir os impactos econômicos gerados pela crise e reduziram taxas com o objetivo de assegurar que pessoas físicas e jurídicas conseguissem honrar seus compromissos. O cooperativismo também tem sido um dos principais responsáveis por manter a cadeia de suprimentos de alimentos e mercadorias essenciais em movimento. Vale destacar: a Índia é o país com o maior número de cooperados do mundo.
medicamentos naturais desenvolvidos dentro de uma antiga filosofia indiana, com mais de dois mil anos de existência. A palavra Ayurveda é proveniente do sânscrito e possui duas partes: Veda, que é traduzido como conhecimento, ciência ou sabedoria; e Ayus, que significa vida. Nesse contexto, Ayurveda é o conhecimento, a ciência ou sabedoria que propõe uma vida saudável em harmonia com as leis da natureza.
CHINA
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Crédito: banco de imagens[/caption]
As cooperativas conseguiram importantes resultados na estruturação de respostas à Covid-19 relacionada à produção no campo. Como o país foi o primeiro a sentir os efeitos sanitários e econômicos da pandemia, as cooperativas precisaram desenvolver estratégias rápidas e inovadoras para garantir a produção de alimentos, inclusive na província de Hubei — o primeiro epicentro da Covid-19.
“Muitas cooperativas instituíram equipes de trabalho imediatamente para ajudar a distribuir suprimentos, além de reunirem esforços para garantir que os insumos — como fertilizantes, inseticidas e sementes — estivessem disponíveis para a produção no campo”, explica Zhang Wangshu, diretor-geral do Departamento de Cooperação Internacional da Federação Chinesa de Cooperativas (ACFSMC) — entidade de representação que conta com 17 milhões de cooperados, sendo a sua maioria produtores rurais.
Uma das formas encontradas para amenizar os impactos do bloqueio — que durou cerca de dois meses no país — foi o desenvolvimento de plataformas digitais para comercialização de produtos e o aperfeiçoamento da plataforma 832, voltadas para o estímulo do comércio nas 832 comarcas chinesas consideradas de extrema pobreza. Os recursos on-line, como transmissões ao vivo, foram amplamente utilizados para a promoção do produtos do campo. Em paralelo, as cooperativas se empenharam na melhoria da rede logística de circulação dos produtos e na conexão entre as áreas urbanas e rurais.
No âmbito das cooperativas, a resposta à Covid 19 se dividiu em quatro linhas principais:
- Empenho de esforços para a retomada de trabalho e produção;
- Proteção à produção agrícola;
- Assistência ao comércio de produtos; e
- Recuperação contínua com a melhoria da rede de circulação.
Esta matéria foi escrita por Tchérena Guimarães e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
“Em média, colhíamos em torno de 130 toneladas de cana-de-açúcar por alqueire no primeiro corte. Já no primeiro ano em que plantei com as mudas da Coplana, extraí 175 toneladas por alqueire”, relata.O projeto da cooperativa — batizado de +Cana — tem trazido esses e outros benefícios para os cooperados. Desde que começaram a utilizar mudas pré-brotadas em laboratório, o custo de plantio dos canaviais foi reduzido pela metade, caindo de R$ 1,4 mil para R$ 720. Quer mais? No modelo antigo, cada cooperado precisava adquirir um hectare de mudas para montar um canavial com cinco hectares de extensão. Utilizando as mudas produzidas pela própria cooperativa, conseguem plantar um canavial de 50 hectares com a mesma quantidade de mudas. Uma melhora de 900%. Para completar, as mudas desenvolvidas em laboratório chegam ao solo 100% livres de pragas e doenças, dando origem a outras mudas sadias. “Outro problema que tínhamos constatado na região é que havia produtores com variedades defasadas de cana”, analisa Pablo Humberto Silva, então gestor do departamento de tecnologia e inovação da Coplana. “Agora temos variedades mais modernas de cultivares, uma nova metodologia de plantio e um custo de produção significativamente menor”, completa. Por tudo isso, o projeto +Cana revolucionou o plantio da cana-de-açúcar em São Paulo. A iniciativa gerou resultados tão positivos para os cooperados que garantiu à Coplana o troféu de campeã do Prêmio SomosCoop 2016, na categoria Inovação e Tecnologia. Motivada pelo reconhecimento dos cooperados e do Sistema OCB, a cooperativa desde então trabalha em novos projetos inovadores.
Esta matéria foi escrita por Kelly Ikuma e está publicada na Edição 23 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação
É preciso saber ouvir, não perder a paciência com os diferentes pontos de vista, agregar e alinhar pessoas e pensamentos. Nada disso é fácil, mas, quando conseguimos alcançar os resultados almejados, é também extremamente gratificante; uma conquista coletiva e que se potencializa justamente por isso.”Apaixonado pelo que faz, ele explica o que o motiva a se levantar todos os dias: sentir que pode fazer a diferença. Esse é o estímulo que o faz se dedicar diariamente à busca de alternativas que permitam aprimorar cada vez mais os processos que envolvem as necessidades da cooperativa. Uma característica claramente percebida pelos sócios e cooperados da Coana. “Em geral, a principal característica dos nossos cooperados é o conhecimento técnico com a produção propriamente dita. O Edis conhece a parte de gestão, de administração mesmo. E isso permitiu uma maior profissionalização da cooperativa, tanto em termos de estrutura quanto funcionalmente. Ele trouxe empresas parceiras, consultoria especializada”, destaca Newton. Jerry Ito, também cooperado desde a fundação da Coana, concorda:
Com o Edis experimentamos uma nova era de governança, gestão e valorização dos profissionais envolvidos. Ele investiu em capacitação e em processos de avaliação vertical e horizontal de alto nível que trazem resultados inquestionáveis e valorizam o nosso produto. Apesar de também ser cooperado, age mais como um CEO e deixa aflorar um trabalho de excelência como gestor e coordenador”.De fato, foi por iniciativa de Edis que a Coana desenvolveu seu primeiro planejamento estratégico, pensado para o quinquênio 2017-2021. As metas, no entanto, podem ser alcançadas já em 2020. “Projetamos um faturamento de R$ 100 milhões e a comercialização de 11 mil toneladas de uva para o fim de 2021, e nossas projeções apontam que vamos alcançar esses números ainda este ano. Além disso, avançamos na criação de um departamento de marketing e outro de tecnologia da informação, que também faziam parte do planejamento”, explica o gestor. TRAJETÓRIA [caption id="attachment_75923" align="alignnone" width="1914"]
Arquivo Pessoal[/caption]
Fundada em abril de 2005, a história da Coana está entrelaçada com a trajetória de Edis em Petrolina. Tudo começou com Newton, que se mudou para a região ainda na década de 1980, quando era funcionário da Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC). Engenheiro agrônomo, ele sempre quis atuar em áreas de fronteira agrícola e decidiu deixar Cotia para trabalhar com consultoria e assistência técnica no Vale do São Francisco. Quando surgiu uma oportunidade, adquiriu terras em sociedade com Edis (que até então entrou apenas com capital) e investiu no plantio de uvas sem semente. Deu tão certo que ele chamou o irmão para assumir a sociedade de fato e o ajudar na fazenda.
Era o ano de 2002, e Edis atuava como engenheiro mecânico em uma grande empresa em São Paulo. Estava casado há cerca de um ano e não se via como produtor agrícola, apesar de ser filho de um pequeno agricultor que plantava café e uvas, tinha uma granja de galinhas poedeiras e chegou a criar bicho da seda.
Quando o Newton me chamou, conversei com minha esposa, Priscilla, e resolvemos arriscar. Já tínhamos em mente que não queríamos criar nossos futuros filhos na correria de uma cidade como São Paulo e vimos o convite como uma oportunidade”, relembra Edis.A mudança foi acomodada em uma caminhonete e o casal partiu sem pressa, rumo a Petrolina. Também levavam na bagagem mais incertezas que certezas. “Não sabíamos como seria, mas confiava muito no trabalho do meu irmão”, afirma Edis. No caminho, descobriram que Priscilla estava grávida. Assim, a chegada foi cercada de uma forte carga de emoção e dúvidas. “Foi tudo muito radical. Saímos de uma cidade em que tínhamos tudo e chegamos em um local com um índice de pobreza muito alto, no meio do semiárido e com uma dinâmica completamente diferente”, acrescenta. A adaptação não foi fácil, principalmente para Priscilla. “O Edis tinha o irmão e os pais, que também vieram para Petrolina. Eu não tinha ninguém da família por perto; além disso, tudo era longe e difícil, ainda mais com um filho recém-nascido”, relata. Edis lembra que se estressava muito no início, por conta do ritmo mais lento da cidade e das dificuldades para resolver pequenas coisas. “Como família, acredito que levamos cerca de cinco anos para nos adaptar por completo. Isso só aconteceu quando nasceu nossa filha e conseguimos consolidar algumas amizades.” Quando chegaram, Newton e o pai de Edis já eram associados a uma outra cooperativa em Juazeiro, na Bahia, cidade vizinha a Petrolina, separada apenas pelo Rio São Francisco. Ele também se associou e passou a compor o conselho fiscal da entidade. Em 2005, no entanto, divergências sobre os rumos que deveriam seguir levaram a uma ruptura e à fundação da Coana. “Queríamos focar na qualidade e na exportação da nossa produção. Para isso, precisávamos investir em certificações internacionais. A Coana nasceu voltada para essas características”, explica Edis. UM LÍDER NATO
Apaixonado por gestão, Edis fez uma pós-graduação na área quando ainda morava em São Paulo e sempre participou da diretoria da Coana, atuando nas áreas contábil e financeira. “A produção é o ponto crucial para os associados, que se voltam muito para essa parte e acabam tendo menos tempo para as questões administrativas. Como gosto e tenho facilidade com essa parte, liderar a cooperativa acabou sendo um processo natural”, afirma.
Prestes a completar 15 anos de existência, a Coana, segundo Edis, ainda tem muito para avançar, mas já começa a dar mostras de amadurecimento. “Tivemos um período muito difícil entre o quinto e o décimo ano, principalmente no que diz respeito a questões de relacionamento. Agora, no entanto, estamos mais próximos de uma grande família. Já conseguimos falar e escutar sem nos machucar, e esse é um sinal evidente de maturidade. Levamos 12 anos para fazer nosso primeiro planejamento estratégico, mas temos trabalhado muito essa questão da gestão e profissionalização de nossas ações para que o futuro seja cada vez mais promissor”.
Edis acredita que a Coana estará totalmente desenvolvida quando alcançar uma estrutura capaz de medir a eficiência de todos os seus setores e ter uma visão voltada para a sucessão, a partir da troca de geração.
Precisamos nos preocupar com quem virá depois de nós. Nossos sucessores precisam entender o que a cooperativa significa e sua importância no contexto do nosso negócio. Precisamos ter gestão, liderança, história e estrutura. Mas também precisamos ter como passar o bastão”, ressalta.Pessoalmente, Edis considera que seu trabalho à frente da cooperativa é uma realização pessoal e profissional. “Consegui crescer junto e sobreviver a várias crises nestes 15 anos. As conquistas são sempre muito motivadoras e busco melhorar sempre. Estudo, aprimoro meus conhecimentos, procuro aconselhamento, quando necessário. Assim como a Coana, sinto que estou no meio do caminho e ainda há muito a fazer.” Seu mandato como presidente termina em dezembro deste ano, mas ele nem se imagina longe das decisões da cooperativa. “Certamente vou continuar atuando como diretor, ou de alguma outra forma”. Priscilla concorda: “É realmente o que ele nasceu para fazer”. Totalmente adaptados, nem cogitam a ideia de deixar Petrolina. “É aqui que vamos ficar”, concluem. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Amor pelo Cooperativismo Edis é um defensor apaixonado do cooperativismo. Acredita no trabalho colaborativo e vende a ideia para todo mundo que pode. “Representa uma solução importante para muitos problemas que sozinhos não conseguimos resolver. Permite, por exemplo, ganho de escala tanto para a produção quanto para a comercialização, acesso à tecnologia de ponta e assistência técnica especializada, além de suporte financeiro e administrativo. São inúmeros os pontos positivos”, ressalta. Ele acredita, inclusive, na intercooperação (cooperação entre cooperativas) e, por isso, está engajado a várias que se completam para o desenvolvimento da Coana como sindicatos de produtores de uva, o sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). “Só no perímetro irrigado em que atuamos são cerca de 2.200 pequenos produtores de frutas. Por outro lado, são pouquíssimas cooperativas. Gostaria de ver esse quadro mudar, mas um dos pontos que impedem essa mudança a meu ver é a falta de lideranças fortes e confiáveis. Por isso, precisamos investir também na formação de pessoas voltadas para a gestão”, afirma. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Conheça a Coana A Coana é formada por 20 sócios proprietários de nove fazendas produtoras de uvas finas de mesa em Petrolina. São os mesmos sócios que participaram da fundação da cooperativa em 2005. Mudaram o número e o tamanho das fazendas que inicialmente totalizavam sete e tinham entre 35 e 50 hectares. Atualmente são nove fazendas, de 45 a 120 hectares. Nelas, são produzidas 15 diferentes variedades de uvas verdes, vermelhas e negras, principalmente as sem sementes. Quando foi criada, a Coana tinha foco exclusivo para a exportação, mas, com a crise de 2008, passou a investir também no mercado interno. “Chegamos a exportar 95% da nossa produção. Tivemos, no entanto, um período muito difícil em 2008, quando a crise nos atingiu em cheio e tivemos ajuda do governo para evitar prejuízos maiores e passamos a inserir nosso produto também no mercado interno”, explica Edis. Atualmente, 55% da produção — ou 6 mil toneladas de uva — são comercializadas no país e 45% (5 mil toneladas) são exportadas para países do norte da Europa (90%), como Inglaterra, Holanda, Bélgica, Alemanha, Suécia e Finlândia. Os outros 10% são comercializados no Estados Unidos. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Esta matéria foi escrita por Raquel Sacheto e está publicada na Edição 30 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação