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Clóvis de Barros destaca a força da cooperação para o século XXI

Professor refletiu sobre confiança, generosidade e solidariedade como caminhos para fortalecer o coletivo 

A força do cooperativismo está na capacidade de transformar interesses individuais em construção coletiva e reconhecer no outro uma parte fundamental para o desenvolvimento de todos. Essa reflexão marcou a palestra do professor Clóvis de Barros Filho, nesta terça-feira (11), durante palestra de abertura da Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB, em Brasília. Com o tema O que é ser cooperativista no século XXI, Clóvis apresentou uma reflexão sobre as relações humanas e os diferentes caminhos que levam à cooperação.  

Para ele, compreender o cooperativismo passa, primeiro, pelo reconhecimento de que ninguém atua sozinho. “Na cooperação temos uma operação que envolve pelo menos mais uma pessoa. Quando falamos de convivência, precisamos compreender a fertilidade e a riqueza da cooperação e, com isso, a riqueza desse modelo de organização social, profissional e produtiva”, afirmou. whatsapp image 2026 08 11 at 11.50.54 ee925e200dcd93bd

Um dos principais pontos abordados pelo professor foi o que classificou como uma “sociedade da desconfiança”, marcada pela tendência de enxergar o outro como alguém que precisa ser permanentemente vigiado, controlado ou fiscalizado. Segundo o professor, essa lógica favorece uma visão individualizada do sucesso, associada ao acúmulo de recursos e à busca por reconhecimento, embora a própria vida em sociedade seja sustentada por inúmeras relações de confiança e colaboração, que costumam receber menos atenção do que os episódios de ruptura.  

Nesse contexto, ele ressaltou a importância das organizações coletivas como espaços capazes de ampliar a representação e a capacidade de atuação das pessoas. “Quem entende das organizações coletivas sabe da força do coletivo. Indivíduos isolados são mais fáceis de dominar do que coletividades organizadas”, acrescentou. 

 

Talentos individuais, generosidade e solidariedade 

Ao recorrer à filosofia clássica, Clóvis lembrou a concepção de Aristóteles de que o ser humano depende da convivência para realizar plenamente sua humanidade. Segundo ele, uma sociedade justa deve criar condições para que cada pessoa reconheça e desenvolva seus talentos e coloque suas melhores capacidades a serviço dos demais. Essa ideia, explicou, está na base da “cooperação virtuosa”, em que as características individuais fortalecem o coletivo. “É uma cooperação em que cada indivíduo, respeitando as características particulares de sua própria natureza, oferece aos demais aquilo que faz de melhor”, destacou. 

Ao abordar diferentes formas de cooperação nas relações humanas, Clóvis diferenciou o amor, baseado no sentimento, da generosidade, que pode ser aprendida e estimulada. Para ele, essa característica torna a generosidade especialmente relevante nos ambientes coletivos, onde pode integrar a própria cultura organizacional. Nesse processo, destacou o papel das lideranças na valorização das pessoas e de suas contribuições. “Uma liderança generosa pode fazer uma enorme diferença”. 

Outro conceito abordado durante a palestra foi o da solidariedade, apresentada como uma forma de cooperação baseada na existência de interesses e objetivos compartilhados. O professor detalhou, que nesse modelo, cada pessoa preserva seus próprios objetivos, mas compreende que alcançá-los também depende da participação e do sucesso dos demais. “É perceber que o sucesso do coletivo pode ser condição para o seu próprio sucesso individual”. Para ele, colaborar, incentivar e contribuir para o desenvolvimento do outro fortalece todo o grupo e amplia a capacidade de alcançar resultados comuns. 

 

Programação segue até quinta 

Promovida pelo Sistema OCB, a Semana de Competitividade 2026 segue até quinta-feira (13), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília. A edição deste ano tem a cultura cooperativista como eixo central e reúne lideranças, especialistas e representantes do movimento para debater os desafios e as transformações do cooperativismo brasileiro. 

Ainda nesta terça-feira, a programação conta com a palestra As raízes do coop e a memória institucional, com Carolina Kuk, Débora Ingrisano e Eduardo Queiroz, além do painel O impacto do coop nas comunidades, com representantes do Sistema OCB, Fipe, Sicoob Credisul, CCO e Agrária. 

 

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