Coop defende integração para ampliar a resiliência climática no agro
Durante o World Climate Summit, Sistema OCB defende movimento como aliado da resiliência climática
O Sistema OCB participou, nesta quinta-feira (6), do painel Riscos Climáticos e o Setor Segurador: Como Ampliar a Resiliência do Brasil?, durante o World Climate Summit São Paulo, e destacou que as mudanças climáticas tem imposto novos desafios à produção agropecuária brasileira e reforçado a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção ao produtor rural.
Representando a entidade, o gerente Técnico e Econômico, João José Prieto, participou do debate ao lado de representantes do mercado segurador, do sistema financeiro e do resseguro. A discussão abordou caminhos para fortalecer o seguro rural, ampliar o acesso ao crédito e desenvolver estratégias capazes de reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a produção agropecuária.
Prieto ressaltou que o cooperativismo já exerce um papel estratégico na gestão de riscos do agronegócio brasileiro. Atualmente, o ramo agropecuário reúne mais de um milhão de produtores vinculados a cerca de 1,2 mil cooperativas, responsáveis pela geração de aproximadamente 277 mil empregos diretos. Essas organizações estão presentes nas principais cadeias produtivas do país, como grãos, proteínas animais, fibras, setor sucroenergético, fruticultura e horticultura.
Outro diferencial destacado foi a capacidade das cooperativas de levar conhecimento técnico ao campo. Mais de 10 mil profissionais especializados atuam na assistência técnica e na extensão rural, difundindo práticas que aumentam a produtividade, promovem a sustentabilidade e ajudam os produtores a se prepararem para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Essa estrutura atende agricultores de diferentes perfis, incluindo um expressivo contingente da agricultura familiar, que representa mais de 70% da base de cooperados.
Segundo Prieto, essa proximidade faz das cooperativas importantes aliadas na construção da resiliência do setor. "As cooperativas estão ao lado do produtor em todas as etapas da atividade, desde o acesso aos insumos até a comercialização da produção. Essa relação de confiança permite disseminar práticas de gestão de riscos, orientar a adoção de tecnologias e facilitar o acesso ao crédito e ao seguro rural. Fortalecer o cooperativismo é fortalecer a capacidade do campo de enfrentar os desafios climáticos”, informou.
Além do trabalho realizado pelas cooperativas agropecuárias, o Sistema OCB destacou a atuação integrada do cooperativismo de crédito nesse processo. Enquanto as cooperativas do agropecuárias oferecem assistência técnica e acompanham a produção, as cooperativas de crédito contribuem para ampliar o acesso ao financiamento e às soluções de proteção, incluindo seguros contratados por meio de corretoras ligadas ao cooperativismo.
Para o gerente, essa integração cria um ambiente mais seguro para os produtores e contribui para reduzir a exposição do setor às oscilações provocadas por eventos climáticos adversos. "O cooperativismo incentiva a gestão de riscos e vai além. Ele utiliza esses instrumentos em benefício dos cooperados. Quando assistência técnica, crédito e seguro atuam de forma coordenada, o produtor ganha mais segurança para investir, produzir e superar períodos de maior instabilidade”, acrescentou.
Durante o painel, também foi defendido que o fortalecimento da gestão de riscos depende de um ambiente institucional mais favorável. Na avaliação do Sistema OCB, a ampliação da cobertura do seguro rural passa pela construção de políticas públicas permanentes, capazes de oferecer previsibilidade ao mercado e estimular novos investimentos.
Entre os desafios apontados estão a redução dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), a instabilidade orçamentária e a necessidade de implementação do fundo de catástrofe previsto na Lei Complementar 137/2010, instrumento considerado importante para ampliar a proteção diante de eventos climáticos de grande impacto.
