Experiência brasileira é destaque em conferência mundial de crédito
Regulação, inovação, segurança, inteligência artificial e sustentabilidade foram temas abordados
A experiência brasileira no cooperativismo de crédito foi destaque na programação da World Credit Union Conference (WCUC) 2026, realizada em Sydney, na Austrália, entre os dias 19 e 22 de julho. Representando o Sistema OCB, a superintendente Fabíola Nader Motta participou, nesta segunda-feira (20), do painel How Geopolitics Are Affecting Credit Unions, que discutiu os impactos das mudanças geopolíticas sobre o sistema financeiro cooperativo.
Ao lado de Fabíola, participaram do debate Jeff Guthrie, presidente e CEO da Canadian Credit Union Association e diretor do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU), representando o Canadá; Scott Simpson, presidente e CEO da America's Credit Unions, pelos Estados Unidos; e Anthony Hughes, CEO do Teachers Mutual Bank, da Austrália. As lideranças compartilharam experiências sobre os desafios e as estratégias para fortalecer a resiliência das cooperativas de crédito diante de um cenário internacional cada vez mais complexo.
Organizado pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU), em parceria com a Customer Owned Banking Association (Coba), o encontro é considerado o principal evento internacional do cooperativismo de crédito. A edição de 2026 reúne cerca de 3 mil participantes de mais de 60 países e abre espaço para o intercâmbio de experiências sobre regulação, inovação, segurança cibernética, inteligência artificial, sustentabilidade e fortalecimento das cooperativas financeiras.
No painel, realizado no palco principal do evento, Fabíola apresentou a trajetória brasileira de consolidação do cooperativismo de crédito e destacou como o ambiente regulatório construído ao longo dos últimos anos contribuiu para o crescimento sustentável do setor. Ela compartilhou experiências sobre a capacidade das cooperativas de responder aos desafios impostos por um cenário internacional cada vez mais complexo.
Resiliência
Entre os temas debatidos estiveram os impactos das tensões geopolíticas sobre o sistema financeiro, os riscos cibernéticos, a transformação digital, o uso da inteligência artificial, a renovação geracional e o papel das cooperativas na promoção da resiliência econômica das comunidades onde atuam.
Fabíola ressaltou que o caso brasileiro demonstra que inovação financeira e segurança regulatória podem caminhar juntas. Ela também apresentou exemplos da evolução do ambiente institucional do país, marcado pelo diálogo permanente entre o setor, o Banco Central e o Congresso Nacional, o que permite avanços importantes para o cooperativismo de crédito.
"O Brasil mostra que é possível construir um ambiente em que inovação, segurança e inclusão financeira avançam de forma equilibrada. O crescimento do cooperativismo de crédito brasileiro é resultado de uma regulação proporcional, construída com diálogo e confiança entre o setor e o poder público. Essa experiência fortalece nossas cooperativas e oferece aprendizados que podem contribuir para outros países que também buscam ampliar o acesso ao sistema financeiro sem abrir mão da solidez institucional", afirmou a superintendente.
Proximidade
Outro ponto levado ao debate foi a capacidade das cooperativas de crédito de responderem às transformações econômicas mantendo o foco nas necessidades das comunidades. Segundo Fabíola, a proximidade com os cooperados permite compreender com maior precisão os impactos das mudanças econômicas sobre famílias, pequenos empreendedores e produtores rurais, o que fortalece a capacidade de adaptação das instituições.
"Em um cenário internacional marcado por mudanças constantes, as cooperativas demonstram que desenvolvimento econômico e compromisso com as pessoas podem caminhar juntos. A força do modelo está justamente na combinação entre organização sistêmica, conhecimento da realidade local e uma governança orientada pelos interesses dos próprios cooperados. É isso que torna o cooperativismo um instrumento de resiliência para as economias e para as comunidades", destacou.
A participação também reforçou o protagonismo internacional do cooperativismo brasileiro. O país possui um dos sistemas de crédito cooperativo que mais crescem no mundo, sustentado por um marco regulatório reconhecido internacionalmente e por indicadores que evidenciam sua contribuição para a inclusão financeira.
Dados do Banco Central mostram que o cooperativismo de crédito reúne 21,2 milhões de cooperados, está presente em 59% dos municípios brasileiros e é a única instituição financeira com atendimento presencial em 1.072 cidades. O setor também ultrapassou R$ 1 trilhão em ativos, responde por 8% do crédito e por 9,8% dos depósitos do Sistema Financeiro Nacional.
Saiba Mais:
- Governo publica MP que cria condições para renegociação de dívidas rurais
- Coops de artesanato avançam rumo ao mercado internacional em Paris
- Modernização do FCO é defendida em reunião com a Sudeco
