Ciência e sustentabilidade: Sicoob Credip apoia desenvolvimento de polo cafeeiro em Rondônia
O estado de Rondônia, situado na região amazônica do país, preservou suas condições de fauna e flora por muito tempo. No entanto, as coisas começaram a mudar no último quarto do século XX, devido aos movimentos migratórios para a região - movimento esse que causou muitas transformações econômicas, sociais e ambientais. O resultado desse movimento é que quase 35% das florestas do estado foram convertidas em áreas de produção agropecuária, causando desmatamento e impactos ambientais. O enfrentamento para tornar a atividade econômica mais sustentável se deu com a modernização do campo e a introdução da cafeicultura na região, que hoje é referência de qualidade. Tudo isso se deu com o apoio do Sicoob Credip. Quem conta essa história é Oberdan Pandolfi Ermita, Presidente do Conselho de Administração da cooperativa: “Além do crédito orientado para o produtor acessar novas tecnologias e processos produtivos, hoje somando quase R$ 200 milhões para 4 mil produtores atendidos, o Sicoob Credip juntamente com Sebrae apoiou a CAFERON (Cafeicultores Associados da Região Matas de Rondônia) na criação das identidades visuais da Identificação Geográfica dos Robustas Amazônicos da Região Matas de Rondônia”.
Revitalização produtiva sustentável
A cafeicultura local passava por um declínio de produtividade e renda. Nesse cenário, muitos produtores migravam para a pecuária extensiva ou desmatavam áreas de floresta a fim de aumentar a área de pastagem. Era como um ciclo vicioso que gerava cada vez mais incentivo para o desmatamento. No entanto, dentro desse contexto complexo, os produtores locais construíram a base de uma genética única e desenvolveram sua própria maneira de produzir café. Na última década, um esforço coletivo de pesquisa científica, extensão rural e apoio de entidades como o Sicoob Credip, passaram a fomentar e difundir entre os produtores o uso de boas práticas agronômicas. Para isso, os investimentos contribuíram para selecionar e melhorar o material genético das plantas, orientar a plantação e a colheita, aprimorar a irrigação e aumentar os cuidados no processamento da produção. A Embrapa foi a grande aliada para o desenvolvimento científico e tecnológico da iniciativa. O processo foi desafiador, narra o Presidente do Sicoob Credip: “O maior desafio é convencer o produtor a investir em qualidade e adotar novas tecnologias produtivas. No início era apenas uma ideia, os pioneiros que acreditaram não tiveram de imediato o reconhecimento ou renumeração pelo seu produto diferenciado. Mas a persistência e a atuação das entidades apoiando os concursos de qualidade começaram a revelar para o mercado algo novo e surpreendente”. O resultado desse processo foi a obtenção de uma bebida de perfil sensorial exótico e único, com plantas que se adaptaram e se naturalizaram com rusticidade e alta produtividade, dando origem aos cafés especiais Robustas Amazônicos, que obteve até mesmo uma Identificação Geográfica inédita para cafés canéforas sustentáveis do mundo. “Antigamente se acreditava que vinho de qualidade somente eram os europeus, de denominação de origem. O investimento em ciência e pesquisa e a dedicação de pessoas em todo o mundo provaram que existem novos terroirs. Exatamente esse paralelo podemos traçar com os Robustas Amazônicos”, compara Ermita.
Potencial de mercado
A posição de cooperativa financeira ocupada pela Sicoob foi essencial para essa jornada, mas essa característica foi apenas o começo de uma série de pontos estratégicos que permitiram o sucesso desse projeto. Entre eles, estão a liberação de crédito orientado para produtores com interesse no acesso a novas tecnologias e processos produtivos. A parceria com a CAFERON (Cafeicultores Associados da Região Matas de Rondônia) também foi um divisor de águas, ajudando na consolidação das marcas dos produtores locais. O reconhecimento também está na mira dessa iniciativa, uma vez que a CAFERON passou a contar com suporte financeiro para promover eventos locais de cafeicultura, premiações e muito mais. A ideia é mostrar o potencial da região para o mundo e reforçar o valor que os grãos cultivados localmente têm para o país.
Protagonismo sustentável
Fomentar o mercado e estimular a produção local foi apenas uma parte do esforço do Sicoob Credip para recuperar o ramo de cafeicultura em Rondônia. Desde o começo, a cooperativa sabia que também era necessário cuidar do ambiente rico em fauna e flora que cerca essas fazendas. Temas como a pegada de carbono do Robustas Amazônicos são mensurados com frequência e assertividade. O plano é, inclusive, transformar a metodologia de propriedade do Sicoob, Embrapa e CAFERON em uma fonte de geração de créditos de carbono. Para alinhar o aumento da produtividade e a preservação ambiental, foi usada uma inteligência inédita, que acolhe o conceito de vulnerabilidade do pequeno produtor e aplica estratégias desde os momentos iniciais para que ele não se torne um potencial agente desmatador. Graças aos esforços concentrados na região Matas de Rondônia, a produção saltou de dois para mais de três milhões de sacas beneficiadas de café. Tudo isso se deu com redução de área plantada, de 345 mil para 65 mil hectares. “Adotar novas tecnologias produtivas, que agregam produtividade e renda, trazendo para a questão da preservação também a dimensão do amazônida e da sua dignidade é a única forma que o Sicoob tem enxergado para apoiar no enfrentamento ao desmatamento. Portanto, passamos a entender que o apoio ao pequeno cafeicultor na sua transição tecnológica representa a condição de trazer dignidade e preservação da floresta”, ressalta Ermita E não é apenas o café que se beneficia: toda a região está sendo estudada e diversos pontos de expansão da atividade sem desmatamento estão sendo registrados, bem como os ativos ambientais locais. A ideia é criar uma cadeia de colaboração, proporcionando linhas de crédito para ajudar o produtor em toda a transição tecnológica. Um resultado digno de um café tão fino A qualidade do café rondoniense é reconhecida. “Trata-se de algo novo que está surpreendendo o mundo e rompendo paradigmas na indústria do café. O Robusta Amazônico possui suas singularidades e é tão bom quanto o mais fino café arábica”, elucida Ermita. Tanto é que os cafés rondonienses estão colecionando prêmios. Em 2022, os cafés das Matas de Rondônia conquistaram os cinco melhores lugares nos concursos “Coffee of The Year” e “Florada/3 corações. Além disso, os cafés produzidos na região também venceram competições internacionais, como a Great Taste Awards 2023. Mas os resultados da dedicação dessas três instituições proporcionou, também, a melhoria na condição de vida de milhares de trabalhadores. Além de trazer oportunidades para comunidades que são constantemente excluídas, tal como as indígenas, a iniciativa também gerou uma onda de reconhecimento. O ciclo, agora, é virtuoso. “Quanto mais o produtor investe em qualidade, mais demanda investimentos em novos serviços, gerando externalidades positivas para toda a comunidade”. Diversas famílias que sofriam para posicionar suas produções, agora contam com selos de qualidade e podem ver seus grãos conquistando apreciadores do mundo todo. É esse o efeito de uma causa que une sustentabilidade, cuidado social e colaboração.
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