COP31: Sistema OCB defende valorização das práticas ambientais brasileiras
Coordenador de Meio Ambiente destaca importância de métricas adequadas e incentivos econômicos
Nesta sexta-feira (6), em entrevista divulgada pela Gazeta do Povo, o Sistema OCB defendeu que a agenda ambiental precisa reconhecer as práticas sustentáveis já adotadas pela agricultura brasileira e criar condições para que a conservação também represente oportunidades econômicas para quem produz. A conversa abordou as expectativas para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que começa na segunda-feira, dia 9 de novembro, em Antália, na Turquia.
Ao veículo, o coordenador de Meio Ambiente, Alex Macedo, afirmou que a sustentabilidade precisa ser tratada como um ativo capaz de gerar valor para a produção. Para ele, acordos e políticas ambientais internacionais devem considerar as diferentes realidades produtivas e reconhecer os esforços que já estão em andamento no Brasil. “A agenda de meio ambiente deve ser uma perspectiva de impulsionamento. O verde deve ser visto como um valor, e não como um custo. É preciso valorizar as boas práticas ambientais e o cuidado que a nossa agricultura já adota no cumprimento do Código Florestal”.
Nesse sentido, Alex também chamou atenção para a importância de instrumentos econômicos que remunerem quem contribui para a conservação ambiental, como o pagamento por serviços ambientais e o fortalecimento do mercado de carbono, além de mecanismos de financiamento, seguros e incentivos adequados. “A viabilidade econômica também deve orientar iniciativas de bioeconomia e economia circular. Essas agendas precisam gerar resultados concretos para os negócios e chegar a quem está diretamente envolvido na produção”, acrescentou.
Métricas adequadas à realidade tropical
Outro ponto abordado é a necessidade de reconhecer as particularidades da agricultura tropical na construção de métricas e critérios de sustentabilidade. A aplicação de padrões desenvolvidos a partir de modelos agrícolas de clima temperado pode produzir avaliações distorcidas e desconsiderar práticas já consolidadas no Brasil.
Alex citou o plantio direto e a rotação de culturas como exemplos de técnicas de baixo carbono adotadas na agricultura brasileira. Para ele, os parâmetros internacionais precisam considerar as condições climáticas, ambientais e produtivas de cada território.
“Quando somos medidos por uma régua em cuja construção não participamos, essa régua tende a privilegiar quem a desenhou. Na agricultura tropical, já temos práticas avançadas de baixo carbono, como o plantio direto e a rotação de culturas. Ao aplicar métricas de um modelo temperado para a agricultura tropical, a conta não fecha”, explicou.
A preocupação também envolve os reflexos dessas avaliações sobre o acesso a investimentos, o desenvolvimento do mercado de carbono e a competitividade dos produtos brasileiros no comércio internacional. Por isso, de acordo com o coordenador, o Sistema OCB defende que a ciência e as especificidades da produção tropical tenham espaço nas decisões e nos padrões regulatórios discutidos globalmente.
Sustentabilidade sem barreiras comerciais
A entrevista também citou o risco de que exigências ambientais sejam utilizadas para justificar medidas protecionistas. Nesse sentido, Alex lembrou que os compromissos climáticos devem contribuir para ampliar as oportunidades de comércio sustentável, sem criar obstáculos injustificados à produção e à competitividade entre países.
“Nós não somos favoráveis a que a agenda de meio ambiente seja utilizada como instrumento anticompetitivo. Cada país tem autonomia para definir suas regras, mas não podemos aceitar uma política comercial travestida de preocupação ambiental para criar barreiras e prejudicar a competitividade do nosso setor”, ressaltou.
As posições apresentadas na entrevista estão alinhadas ao Manifesto do Coop para a COP31, documento que reúne propostas do cooperativismo brasileiro para a conferência. Com o lema Cooperar é implementar, o manifesto apresenta contribuições em áreas como segurança alimentar, energia, economia circular, financiamento climático e formação de novas gerações, com foco em transformar compromissos ambientais em iniciativas concretas.
