Manifesto apresenta propostas do cooperativismo brasileiro para a COP31
Documento reúne cinco eixos de atuação para transformar compromissos climáticos em ações concretas
Transformar compromissos climáticos em resultados concretos depende de soluções que cheguem a quem produz, trabalha e vive nos territórios. É com essa perspectiva que o Sistema OCB apresenta o Manifesto do Coop para a COP31, documento que reúne propostas do cooperativismo brasileiro para contribuir com a implementação da agenda climática global.
Com o tema Cooperação como caminho para a implementação da agenda climática, o manifesto reforça que é preciso avançar da definição de metas para a realização de ações concretas. “A próxima etapa das negociações internacionais exige justamente esse compromisso com a implementação, em sintonia com os princípios que orientam a Presidência da COP31: diálogo, consenso e ação”, destaca a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella. 
O documento também dá continuidade ao posicionamento apresentado pelo cooperativismo na COP30, em Belém, quando o setor defendeu o verde como valor social e econômico; o clima como vetor de desenvolvimento; e as comunidades como foco das ações. Para o Sistema OCB, o desafio agora é ampliar as condições para que financiamento, inovação e tecnologia alcancem os territórios e fortaleçam soluções sustentáveis.
A contribuição do setor parte de uma estrutura já presente em diferentes regiões do país. São 4,4 mil cooperativas, 29 milhões de cooperados e 613,4 mil empregos diretos, com atuação em 3.425 municípios. Em 2025, as cooperativas movimentaram R$ 848,4 bilhões em ingressos e acumularam R$ 1,6 trilhão em ativos.
Eixos de atuação
As propostas estão organizadas em cinco frentes: segurança alimentar e agricultura de baixo carbono; acesso ao financiamento climático; transição energética; bioeconomia como vetor de desenvolvimento; e adaptação e mitigação de riscos climáticos.
Na agricultura, o manifesto defende o fortalecimento de práticas sustentáveis, a ampliação da assistência técnica e da pesquisa e o reconhecimento das particularidades dos sistemas produtivos tropicais. O documento também propõe ampliar o acesso das cooperativas a recursos climáticos, especialmente por meio do cooperativismo de crédito, que está presente em 59% dos municípios brasileiros e é a única instituição financeira em funcionamento em 1.072 cidades.
Na transição energética, a proposta é ampliar a participação das cooperativas na geração e distribuição de fontes renováveis, com melhores condições regulatórias e financeiras. Já na bioeconomia e na economia circular, o manifesto destaca o potencial das cooperativas para agregar valor à biodiversidade, fortalecer a reciclagem e gerar trabalho e renda a partir do uso sustentável dos recursos naturais.
O quinto eixo trata da adaptação às mudanças climáticas. Diante de eventos extremos, como secas e enchentes, o documento defende investimentos em infraestrutura resiliente, fortalecimento dos seguros climáticos e maior participação das cooperativas na elaboração e execução de planos de adaptação.
Da agenda global aos territórios
O manifesto reforça que a presença das cooperativas nas comunidades e em diferentes cadeias produtivas permite organizar iniciativas, disseminar conhecimento, facilitar o acesso a recursos e ampliar a escala de soluções sustentáveis.
“Defendemos que as políticas climáticas considerem as diferentes realidades dos territórios e aproximem financiamento, tecnologia e oportunidades de quem coloca as soluções em prática. O desafio climático é global, mas a implementação acontece localmente, e a cooperação tem papel fundamental nessa conexão”, finaliza Tania.
