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Conferência Global da ACI reúne cooperativismo mundial no Panamá

Sistema OCB participa de debates sobre comunicação, identidade e patrimônio cultural 

Abertura da conferênciaDepois de dias dedicados a assembleias, eleições e reuniões das organizações que integram a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a agenda do cooperativismo mundial no Panamá está voltada agora, a uma nova etapa. Nesta quarta-feira (16), a abertura da Conferência Global da ACI reuniu lideranças cooperativistas, representantes de governos e organismos internacionais para discutir como o modelo pode contribuir para sociedades mais pacíficas, inclusivas e sustentáveis. O Sistema OCB participou dos debates e levou experiências brasileiras para discussões sobre comunicação, identidade e preservação do patrimônio cooperativo. 

Realizada no Panama Convention Center, na Cidade do Panamá, a conferência segue até quinta-feira (17) com o tema Building Bridges: Cooperative Contributions for a Peaceful World (Construindo pontes: contribuições cooperativas para um mundo de paz). O encontro é promovido conjuntamente pela ACI e pela Cooperativas das Américas e integra a programação internacional realizada no país entre os dias 13 e 18 de setembro.  

A cerimônia de abertura contou com autoridades e lideranças do movimento cooperativista internacional, entre elas o ministro do Comércio do Panamá, Roberto Linares; o presidente do Parlamento Latino-Americano e Caribenho (Parlatino), Rolando González Patricio; a coordenadora residente das Nações Unidas no Panamá, Ana Graça; a diretora-executiva do Instituto Panamenho Autônomo Cooperativo (Ipacoop), Erika Vargas; o presidente da ACI, Ariel Guarco; e o presidente da Cooperativas das Américas, o brasileiro José Alves de Souza Neto. O ministro de Comércio e Indústrias do Panamá, Julio Moltó, também esteve presente na abertura. 

Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, reeleito nesta terça-feira (15), como membro do Conselho de Administração da ACI, a conferência amplia as oportunidades de diálogo construídas pela delegação brasileira desde o início da semana. “É um momento importante para conectar o cooperativismo brasileiro às discussões que estão mobilizando o movimento em diferentes partes do mundo. Temos experiências para compartilhar e muito a aprender com outros países. Essa troca fortalece nossa capacidade de encontrar soluções conjuntas e mostrar como as cooperativas podem contribuir para o desenvolvimento, para a inclusão e para a construção de sociedades mais prósperas”, afirmou. 


Cooperação como caminho para a paz 

A programação do primeiro dia colocou no centro do debate a capacidade das cooperativas de criar conexões entre pessoas, comunidades e países. A escolha do tema parte da compreensão de que os valores e princípios cooperativistas podem contribuir para a paz a partir do fortalecimento da democracia, da inclusão, da justiça social e do desenvolvimento sustentável.  

Entre os destaques da manhã esteve a conferência de Bjørg Sandkjær, secretária-geral assistente para Coordenação de Políticas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Undesa). A programação contou ainda com participação virtual da ex-presidente do Chile e ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.  

Outro momento foi o painel Building Bridges – The Cooperative Path to Peaceful Multilateralism, dedicado à contribuição da cooperação para um sistema multilateral mais inclusivo. Participaram representantes de governos e organismos internacionais, entre eles Shobha Shetty, conselheira sênior para Agricultura do Banco Mundial; e Amparo Merino Segovia, secretária de Estado para a Economia Social da Espanha.  

O diretor-geral da ACI, Jeroen Douglas, também apresentou uma série de documentos sobre a contribuição das cooperativas para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A iniciativa busca fortalecer o reconhecimento do movimento cooperativista como parceiro para o cumprimento da Agenda 2030.  


Brasil compartilha experiência do SomosCoop 

À tarde, a participação brasileira ganhou espaço nas atividades paralelas organizadas a partir dos três pilares da Estratégia da ACI 2026–2030: Practice, Promote & Protect (Praticar, Promover e Proteger). Os encontros foram estruturados para promover a troca de experiências e a construção de propostas sobre temas como participação de jovens, liderança feminina, comunicação, incidência institucional e identidade cooperativa.  

No eixo Promote, a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, apresentou o SomosCoop durante a sessão Building Bridges Through Communication: Speak Up, Scale Up! (Construindo pontes por meio da comunicação: expresse-se, amplie seu alcance!). A iniciativa brasileira foi apresentada como experiência de construção de uma identidade comum para ampliar o reconhecimento do cooperativismo pela sociedade. Hoje, mais de 1,7 mil cooperativas utilizam a marca SomosCoop. 

A participação abordou a trajetória da estratégia desde o diagnóstico sobre o conhecimento do cooperativismo pela população até a atual fase da campanha, voltada a transformar reconhecimento em escolha consciente por produtos e serviços de cooperativas. 


Identidade e patrimônio cooperativo 

O Brasil também esteve representado no eixo Protect. Tiago Schmidt, presidente da Sicredi Pioneira e presidente do Grupo de Trabalho de Patrimônio Cultural Cooperativo, participou do Cooperative Identity Lab, laboratório dedicado a discutir caminhos para preservar e fortalecer a identidade cooperativa diante das transformações do movimento. 

A atividade colocou em discussão a relação da identidade cooperativa com temas como legislação, políticas públicas, governança, educação e tecnologia. A proposta foi construir, de forma colaborativa, caminhos para que os princípios e valores que caracterizam o cooperativismo permaneçam relevantes e reconhecíveis diante de novos contextos econômicos, sociais e tecnológicos. 

A presença de Schmidt também deu continuidade à atuação brasileira na agenda de patrimônio cultural cooperativo. O Sistema OCB tem participação ativa no desenvolvimento da iniciativa e, em novembro de 2025, sediou no Palácio Itamaraty, em Brasília, o lançamento do Mapa do Patrimônio Cooperativo

Ao final das atividades desta quarta-feira, Schmidt participou ainda da cerimônia de reconhecimento às cooperativas responsáveis por locais incluídos, em 2025, na primeira lista de Patrimônio Cultural Cooperativo da ACI, com uma homenagem aos responsáveis pela preservação dos sítios reconhecidos pela iniciativa.  

A Conferência Global continua nesta quinta-feira (17), com novos debates sobre paz, liderança, tecnologia e futuro do cooperativismo. A programação também reserva espaço para a apresentação internacional da iniciativa de Patrimônio Cultural Cooperativo, com participação de Tiago Schmidt e do presidente Márcio Lopes de Freitas. 

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