Turismo Cooperativo avança com roteiro piloto no Espírito Santo
Etapa reúne busca validar experiências que unem turismo, geração de renda e desenvolvimento local
Equipe da missão no Espírito SantoO Espírito Santo recebeu uma nova etapa do Plano Nacional de Turismo Cooperativo (PNTCOOP), iniciativa do Sistema OCB voltada à estruturação do cooperativismo como parte da oferta turística brasileira. Entre os dias 14 e 17 de setembro, representantes do setor percorreram diferentes regiões do estado para acompanhar, na prática, o funcionamento do roteiro piloto capixaba e avaliar experiências que poderão integrar uma rede de destinos turísticos cooperativos no país.
A missão técnica passou por Vitória, Muqui, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Santa Maria de Jetibá. A programação também reuniu visitas à sede do Sistema OCB/ES e às cooperativas Cafesul, Coopram e Natercoop, além de propriedades de cooperados, experiências gastronômicas, culturais e atividades ligadas à produção rural.
O gerente Técnico e Econômico do Sistema OCB, João Prieto, participou da etapa e destacou que a proposta vai além de inserir visitas às cooperativas em roteiros convencionais de viagem. O objetivo é estruturar produtos turísticos capazes de apresentar a identidade do cooperativismo, gerar novas oportunidades econômicas e manter renda nos próprios territórios.
“O turismo cooperativo parte daquilo que as cooperativas e seus cooperados já fazem e transforma essa identidade, essa produção e essa relação com a comunidade em experiências que podem ser compartilhadas com os visitantes. Não estamos falando apenas de conhecer uma propriedade ou uma cooperativa, mas de mostrar como o cooperativismo organiza pessoas, gera desenvolvimento e mantém valor dentro das regiões”, explicou Prieto.
Cooperativismo como experiência turística
Idealizado em 2024, o PNTCOOP foi criado para organizar e estruturar o Turismo Cooperativo nos destinos, conectando cooperativas de diferentes ramos, cooperados e atores do ecossistema turístico local. O modelo trabalha com uma estrutura integrada. De um lado está a Cooperativa Operadora, responsável por organizar a logística, a condução e a formatação dos roteiros. Do outro, estão as chamadas Cooperativas Produto, que abrem suas estruturas e conectam os visitantes às experiências desenvolvidas pelas cooperativas e seus associados.
Visita a CoopramNo roteiro piloto capixaba, a Cooptur, cooperativa paranaense especializada em turismo, assume a função de Cooperativa Operadora. Cafesul, Coopram e Natercoop atuam como Cooperativas Produto, e oferecem diferentes possibilidades de experiências relacionadas ao café, à agricultura familiar, à agroindústria, à gastronomia e à produção rural.
“Essa engrenagem é um dos pontos importantes do projeto. A cooperativa que tem experiência no turismo contribui com a operação e a estruturação do roteiro, enquanto as cooperativas locais entram com aquilo que possuem de mais autêntico: seus produtos, seus cooperados, sua história e sua relação com o território. É a intercooperação aplicada também ao turismo”, acrescentou Prieto.
A proposta não pretende transformar cooperativas agropecuárias em cooperativas de turismo. O objetivo é criar uma nova forma de aproximação com o mercado, com base em atividades que já fazem parte da rotina das organizações e de seus cooperados. “A cooperative mantém sua atividade principal e, ao mesmo tempo, pode enxergar no turismo uma oportunidade de diversificação, fortalecimento da marca e geração de renda. O que estamos buscamos é profissionalizar esse processo para que a experiência seja estruturada, tenha qualidade e possa se tornar um produto sustentável”, complementou o gerente.
Do café à experiência no campo
Visita a CafesulA diversidade encontrada no Espírito Santo permite testar diferentes formatos dentro de um mesmo roteiro. Em Muqui, a Cafesul, cooperativa ligada à produção de café Conilon especial e sustentável, com atuação junto à agricultura familiar e ao Comércio Justo (Fairtrade), permitiu visitas a cooperados, propriedades com potencial turístico, gastronomia e manifestação cultural.
Em Domingos Martins, a Coopram apresentou sua atuação no beneficiamento de alimentos e na integração de diferentes atividades produtivas. A missão também conheceu a nova Unidade de Beneficiamento de Pescados da cooperativa e teve contato com a gastronomia regional.
Já em Santa Maria de Jetibá, a Natercoop mostrou sua atuação junto aos produtores rurais e às diferentes cadeias do agronegócio capixaba. A programação incluiu ainda cultura e culinária pomerana e uma experiência de turismo rural em uma propriedade produtora de morangos, no modelo “colhe e pague”.
Para Prieto, essa combinação ajuda a demonstrar que o produto turístico cooperativo pode nascer justamente da singularidade de cada território. “Quando o visitante toma um café produzido por um cooperado, conhece quem está por trás daquele produto, visita a propriedade, experimenta a gastronomia local e entende a história daquela comunidade, há uma agregação de valor que aproxima as pessoas do cooperativismo e cria possibilidades de negócios para quem está naquele território”, ressaltou.
Construção nacional
A experiência capixaba faz parte de uma construção em desenvolvimento em diferentes regiões do país. Antes da etapa no Espírito Santo, o projeto também passou pela Paraíba, onde a rodada permitiu conhecer experiências, culturas, produtos e iniciativas das cooperativas locais e observar, na prática, como esses ativos podem ser incorporados ao turismo. A etapa final do piloto passará ainda pelo Pará, entre os dias 28/09 e 02/10.
O desenvolvimento do PNTCOOP contempla diagnóstico das cooperativas participantes, entrevistas, benchmarking, capacitações, mentorias e, posteriormente, a roteirização, operação e promoção das experiências turísticas. A perspectiva de longo prazo é formar uma rede nacional de destinos turísticos cooperativos, com organizações capazes de assumir protagonismo no desenvolvimento turístico das regiões onde estão inseridas.
