Memória e identidade ajudam a fortalecer as raízes do cooperativismo
Palestras da Semana de Competitividade reuniram reflexões sobre patrimônio cultural e preservação
O que faz o cooperativismo ser reconhecido e permanecer relevante ao longo do tempo? Para além dos resultados econômicos, há uma trajetória construída por pessoas, comunidades, valores e experiências que ajudam a explicar a identidade do movimento. Essa foi a reflexão central da palestra As raízes do coop e a memória institucional, realizada nesta terça-feira (11), durante a Semana de Competitividade 2026. 
A atividade reuniu Carolina Kuk, fundadora da Raiz Projetos e Pesquisas de História, Débora Ingrisano, gerente de Desenvolvimento de Cooperativas, e Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB. O encontro também marcou o lançamento do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, primeiro título da trilogia Cultura Cooperativista.
Carolina conduziu a discussão a partir da relação entre identidade e legado. Segundo ela, construções, monumentos, documentos e outros registros podem adquirir um significado que vai além de sua função original. Eles ajudam a materializar uma trajetória que foi construída ao longo de gerações, em diferentes comunidades e contextos. “A cooperação acompanha a humanidade há muito tempo. Antes mesmo de existirem as cooperativas como conhecemos hoje, diferentes sociedades já criavam formas de ajuda mútua, organização coletiva e defesa de interesses comuns. Conhecer essas experiências nos ajuda a compreender as raízes do cooperativismo e a dimensão dessa história”, afirmou.
Representação e identidade caminham juntas ![55457807443 dea1f88ae4 k d7281d21cfd7da88]()
A atuação institucional foi apresentada por Eduardo Queiroz. Ele lembrou que a cultura cooperativista esteve entre os temas mais recorrentes nas discussões realizadas pelas lideranças do setor durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), em 2024, e apresentou as principais iniciativas e ações desenvolvidas pelo Sistema OCB para preservar o legado do movimento, como o documentário Histórias de um mundo melhor, o livro fotográfico Retratos de um mundo melhor, e a sanção da Lei 15.433/2026, que reconheceu o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.
“Vivemos um novo momento de consolidação, que nos convida a assumir o protagonismo diante de novos desafios e responsabilidades. Nosso negócio é, acima de tudo, feito de pessoas para pessoas, e essa essência precisa estar sempre conectada à nossa história e aos valores que não podem ser esquecidos. A junção da nossa identidade com o nosso legado nos dá bases consistentes para que as novas gerações assumam responsabilidades,
renovem nosso propósito e deem continuidade a uma história construída por tantas pessoas”, afirmou.
Livro reúne fundamentos e trajetória
A discussão ganhou um novo capítulo com o lançamento da publicação Raízes e Fundamentos do Cooperativismo – volume 1. Legado, apresentado por Débora durante a programação. “Temos uma grande responsabilidade em transmitir a cultura cooperativista para milhões de pessoas que fazem parte desse movimento. O livro nasce justamente desse compromisso: revisitar nossa trajetória para compreender os valores e princípios que nos trouxeram até aqui e manter essa cultura viva para as próximas gerações. Raízes e Fundamentos do Cooperativismo é o primeiro de uma trilogia que também abordará educação cooperativista e sucessão, conectando passado, presente e futuro”, destacou.
A publicação recupera mais de 360 anos de experiências de cooperação e acompanha a evolução do pensamento cooperativista até a formação do modelo atual. O percurso passa pelas primeiras iniciativas cooperativas, pelas experiências que antecederam o movimento moderno, por Rochdale, na Inglaterra, e pela expansão da iniciativa até sua chegada ao Brasil. Em cinco capítulos, a obra também aborda a organização do cooperativismo brasileiro, a atuação de lideranças, a evolução da legislação e o papel do Sistema OCB na representação do setor.

