Semana de Competitividade abre nova etapa para a CulturaCoop
Evento consolida aprendizados e mobiliza cooperativas para transformar reflexões em ações
Três dias de debates, experiências e encontros colocaram a cultura cooperativista no palco principal da Semana de Competitividade 2026. De 11 a 13 de agosto, cerca de 800 cooperativistas de todos os estados brasileiros participaram do evento que aconteceu em Brasília. 
Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, a programação percorreu diferentes dimensões do movimento. Teve espaço para discutir educação, governança, comunicação, juventude, legado e sucessão, mas também para olhar para aquilo que já foi construído pelo cooperativismo e pensar como esse legado pode ajudar a orientar os próximos passos.
A Semana também foi marcada por lançamentos. O documentário Pioneiros do Cooperativismo Brasileiro resgatou histórias de lideranças que ajudaram a construir o movimento em diferentes regiões e ramos do país. A publicação do livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo ampliou esse registro ao reunir conteúdos sobre a trajetória, os princípios e as bases que sustentam o modelo.
No segundo dia, os debates ganharam uma abordagem mais prática com quatro labs e salas temáticas nas trilhas de Governança Cooperativa, Educação Cooperativista, Comunicação e Experiência, e Legado e Sucessão. Os participantes foram convidados a discutir desafios presentes nas cooperativas e construir soluções relacionadas ao engajamento de jovens, novas formas de aprendizagem, comunicação com cooperados e preservação da memória institucional.
Para Júlia Miranda, analista de Desenvolvimento Humano do Sistema OCB/ES, a programação ajudou a mostrar que a cultura cooperativista precisa estar presente no cotidiano das organizações. “É algo que precisa ser trabalhado, principalmente com os dirigentes. É muito importante que eles estejam presentes porque são essenciais para a implementação da cultura cooperativista.”
Por que falar de cultura? ![55459574403 691fb1c7da k d454364370729031]()
A escolha do tema que guiou a Semana foi resultado de um processo que começou antes do evento. Durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), o Sistema OCB recebeu 1,9 mil sugestões para orientar as diretrizes do movimento entre 2025 e 2030. A palavra ‘cultura’ apareceu mais de 400 vezes nas contribuições. O assunto também já havia chamado atenção na Pesquisa Nacional do Cooperativismo, realizada em 2023. O levantamento mostrou que a cultura cooperativista estava entre as preocupações de dirigentes, cooperados e empregados.
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, explica que os resultados ajudaram a tirar o tema da discussão e colocá-lo como uma frente estratégica de atuação. “Quando realizamos aquela pesquisa em 2023, percebemos o quanto a cultura cooperativista veio como uma preocupação dos dirigentes, dos cooperados e dos empregados. Isso nos fez colocar esse tema no congresso. A partir de então, começamos a construir o que entregamos em parte na semana”, afirmou.
Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, a discussão passa por uma questão central: crescer sem deixar que o negócio se distancie da identidade cooperativista. “A Semana de Competitividade mostrou que falar de cultura é mais que apenas olhar para o passado. É entender de onde viemos para fazer escolhas melhores sobre o futuro. Saímos com reflexões, experiências e, principalmente, com o compromisso de levar esse debate para dentro das cooperativas”, declarou.
Um retrato da cultura cooperativista
A discussão ganhou ainda mais força com o diagnóstico nacional sobre a cultura cooperativista apresentado pela superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, durante o evento. A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país, incluindo cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 estados e do Distrito Federal. 
Os resultados mostram uma relação de confiança entre cooperados e cooperativas, mas também apontam desafios de participação e conhecimento. Três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito. Ao mesmo tempo, Educação, Formação e Informação foi o princípio mais citado como prioridade: 58% dos cooperados fizeram essa escolha, percentual que chegou a 71% entre empregados, 57% entre dirigentes e 62% entre jovens de 18 a 34 anos. “Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.
Memória para construir o futuro
A relação entre passado e futuro apareceu de diferentes formas durante os três dias. O documentário e o livro lançados na Semana fizeram parte desse movimento de preservação, enquanto o lab Legado e Sucessão levou os participantes a pensarem em como transformar documentos, relatos, fotografias e histórias em patrimônio acessível às próximas gerações.
Para Lílian Carvalho, analista de governança da Unimed Porto Velho, conhecer essa trajetória também fortalece o sentimento de pertencimento. “Quando o cooperado entende que aquela história também é sua, a relação com a cooperativa se fortalece e se reflete na forma como ele participa e contribui para o futuro da organização”, defendeu.
A gerente geral de Negócios do Sistema OCB, Clara Maffia, também destacou os princípios e valores como o elo que conecta diferentes momentos da história cooperativista. “Tem uma linha que conecta as cooperativas e suas histórias, que são os nossos princípios e valores. É esse olhar do cooperativismo para colocar o cooperado no centro, para desenvolver um negócio que tenha viabilidade, sustentabilidade e garanta prosperidade para o cooperado, para a comunidade e para o país inteiro.”
Educação e novas gerações
Se preservar o legado é importante, garantir sua continuidade também exige formar quem dará sequência ao movimento. Por isso, educação e juventude apareceram entre os temas centrais da programação.
Os participantes discutiram formas de tornar as experiências de aprendizagem mais conectadas à realidade dos cooperados e estratégias para aproximar os jovens das cooperativas. A ideia foi ir além da criação de espaços específicos para a juventude e pensar em oportunidades reais de participação e desenvolvimento. 
Para Clara, esse é um dos caminhos para manter a cultura cooperativista viva. “Não podemos deixar de lembrar aquilo que nos trouxe até aqui enquanto legado e pensar o que vamos fazer agora, em termos de educação cooperativista, para garantir a permanência dessa cultura”, acrescentou.
Crescer sem perder a identidade
Ao longo da Semana, a discussão sobre cultura também encontrou outro desafio: como acompanhar as transformações do mercado sem abrir mão daquilo que diferencia o cooperativismo.
Na avaliação de Tania Zanella, inovação, profissionalização e crescimento precisam caminhar juntos com a identidade do movimento. “As respostas aos desafios do século 21 estão no cooperativismo. A pessoa no centro, a pauta ESG, a economia colaborativa e compartilhada, tudo isso a gente encontra no cooperativismo. Esse é o nosso diferencial e é isso que precisamos explorar”, completou.
A proposta agora é levar as discussões para dentro das cooperativas e manter a troca entre os participantes por meio da Comunidade CulturaCoop, rede anunciada durante o evento. Para Tania, esse é o início de uma nova etapa. “O nosso trabalho começa agora”, concluiu.

