Sistema OCB detalha impactos do Plano Safra 2026/2027 para as coops
Análise técnica reúne principais mudanças nas regras e orienta sobre o novo ciclo agrícola
Com a publicação das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), o Sistema OCB concluiu, nesta quarta-feira (1º), a análise técnica dos Planos Safra 2026/2027. O estudo consolida as medidas anunciadas pelo governo federal e detalha as mudanças que passam a valer para o crédito rural, com destaque para os principais impactos para as cooperativas agropecuárias.
Entre as principais mudanças para o cooperativismo no Plano Safra Empresarial está a redução das taxas de juros das linhas Prodecoop e Procap-Agro, que passaram de 13,5% para 12% ao ano. Também houve redução das taxas dos recursos controlados destinados às cooperativas, de 14% para 12,5% ao ano, com abrangência para as operações de crédito geral, comercialização, industrialização, atendimento aos cooperados e integralização de cotas-partes.
As resoluções também ampliaram alguns limites de financiamento. O Procap-Agro elevou os tetos para operações de capital de giro e integralização de cotas, enquanto o Inovagro aumentou de R$ 12 milhões para R$ 15 milhões o limite para operações coletivas. Além disso, o Prodecoop passou a permitir o financiamento de projetos voltados à geração de energia renovável e ao armazenamento de energia elétrica para consumo próprio das cooperativas.
Por outro lado, o levantamento também identifica redução dos recursos destinados a programas estratégicos para o cooperativismo. Os volumes previstos para o Prodecoop e o Procap-Agro ficaram menores que os do ciclo anterior, assim como os recursos voltados às operações de custeio e comercialização. A análise ainda observa que a inclusão de programas como Move Agricultura e EcoInvest na composição do montante total do Plano Safra exige cautela na comparação com as safras anteriores, uma vez que parte do crescimento anunciado decorre da incorporação dessas iniciativas ao volume global de recursos.
"As resoluções do Conselho Monetário Nacional traduzem, na prática, como as medidas anunciadas serão implementadas. Nossa análise busca justamente apoiar as cooperativas na compreensão dessas mudanças, identificando tanto os avanços nas condições de financiamento quanto os pontos que merecem acompanhamento ao longo da execução do Plano Safra”, destaca a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella.
Agricultura Familiar
No Plano Safra da Agricultura Familiar, a análise registra a ampliação dos recursos do Pronaf para R$ 85,2 bilhões, destes 39,95 bilhões de custeio e R$ 45,26 bilhões para investimento, acompanhada da redução das taxas de juros em diversas modalidades de financiamento. Também cresceram os limites de crédito para mulheres, jovens, habitação rural, agroecologia, bioeconomia e microcrédito, além da criação de novas linhas destinadas a públicos específicos.
As resoluções do CMN também promoveram ajustes operacionais relevantes para o crédito rural. Entre eles estão mudanças nas regras de renegociação de operações, aperfeiçoamentos no Proagro, atualização dos critérios de enquadramento de beneficiários e a manutenção dos descontos nas taxas de custeio para produtores que adotam práticas sustentáveis ou mantêm o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular.
Outro destaque é a criação de condições especiais para operações de capital de giro destinadas às cooperativas agropecuárias afetadas pelos eventos climáticos ocorridos no Rio Grande do Sul em 2024. As medidas anunciadas estabelecem regras temporárias para acesso ao crédito, com prazos, carência e taxas diferenciadas para cooperativas que atendam aos critérios definidos pelo CMN.
