Sistema OCB promove imersão para fortalecer agenda rumo à COP31
Representantes do governo e parceiros conhecem iniciativas coop em sustentabilidade e inovação
A poucos meses da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), o Sistema OCB promoveu, nesta quinta-feira (23) e sexta-feira (24), uma imersão voltada a representantes do governo federal, organismos internacionais e instituições parceiras para demonstrar como o cooperativismo brasileiro pretende ampliar sua participação na implementação de uma agenda de desenvolvimento sustentável via o cooperativismo.
Chamado de “Imersão Pré-COP “, o evento reuniu uma comitiva de cerca de 40 representantes de organismos internacionais, ministérios, órgãos do Governo Federal e instituições do cooperativismo para conhecer, na prática, a contribuição das cooperativas brasileiras para o desenvolvimento sustentável e o enfrentamento das mudanças climáticas, dentre eles, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura no Brasil (FAO) e o Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
Ao longo de dois dias, os participantes conheceram experiências de cooperativas dos ramos de crédito, reciclagem e agropecuária, além da estratégia institucional desenvolvida pelo Sistema OCB para inserir o cooperativismo nos principais fóruns de discussão sobre sustentabilidade e desenvolvimento de baixo carbono.
Na abertura do encontro, a gerente geral do Sistema OCB, Clara Maffia, afirmou que o cooperativismo reúne características que o tornam um dos principais instrumentos para transformar os compromissos assumidos nas conferências climáticas em resultados concretos nos territórios. "O cooperativismo tem tudo a ver com essa pauta e possui uma capacidade de contribuição muito relevante. Nada melhor do que conhecer, na prática, a transformação que ele promove na vida das pessoas", afirmou.
Segundo Clara, a realização da Imersão Pré-COP integra uma estratégia construída ao longo dos últimos anos para aproximar formuladores de políticas públicas da realidade das cooperativas brasileiras. "O cooperativismo é a ponte entre a agenda climática global e a realidade local. Sem modelos organizados nos territórios, a transição climática não acontece", destacou.
Ela também explicou que o Sistema OCB atua de forma integrada,organizando suas ações em três pilares estratégicos: representação institucional; ESG (ambiental, social e governança); e desenvolvimento de negócios. E lembrou que um ambiente regulatório adequado é tão importante quanto a boa gestão das cooperativas. "Podemos ter as cooperativas mais eficientes e bem administradas. Mas, se amanhã uma lei determinar que cooperativa paga o dobro de tributos, acabou a competitividade. O ambiente normativo é tão importante quanto a gestão das cooperativas".
Estratégia permanente
O gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz, apresentou aos participantes a estratégia institucional que sustenta a atuação do cooperativismo brasileiro nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas.
Segundo ele, o trabalho desenvolvido pelo Sistema OCB ultrapassa a participação nas Conferências do Clima e envolve o acompanhamento permanente de políticas públicas, legislações, marcos regulatórios, acordos internacionais e regulamentações que afetam diretamente o setor. "Nossa missão é transformar o mundo por meio do cooperativismo. É isso que fazemos diariamente na área de Relações Institucionais, para garantir que as cooperativas tenham condições adequadas para se desenvolver", afirmou.
Queiroz explicou que o Sistema OCB mantém representação em cerca de 20 organismos internacionais, entre eles a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), organização que representa aproximadamente 1,2 bilhão de cooperados em todo o mundo e possui status de observadora oficial da COP junto ao sistema das Nações Unidas. Segundo ele, essa articulação permite ampliar o espaço ocupado pelo cooperativismo nas discussões internacionais e fortalecer parcerias com governos e organismos multilaterais. Como exemplo, citou a instalação, durante o Ano Internacional das Cooperativas, de um pavilhão conjunto entre a ONU e o cooperativismo na Green Zone da COP30.
Para o gerente, a principal mudança ocorrida nos últimos anos foi a compreensão de que a COP não deve ser tratada apenas como um evento anual. "Nós deixamos de olhar a COP como um evento e passamos a entendê-la como um processo. É um processo de posicionamento, de construção de narrativas, de fortalecimento da imagem do cooperativismo e também de implementação de ações concretas".
Cooperativismo do DF abre as portas
A superintendente do Sistema OCB/DF, Carla Madeira, apresentou aos participantes o panorama do cooperativismo no Distrito Federal e destacou a importância de aproximar autoridades da realidade das cooperativas locais. Segundo ela, o Distrito Federal reúne atualmente 101 cooperativas, aproximadamente 300 mil cooperados e gera quase 5 mil empregos, com forte presença no ramo de crédito.
Após a abertura institucional, o primeiro dia da imersão foi dedicado à apresentação de experiências do cooperativismo de crédito. Representantes do Sicredi e da Cresol mostraram como as cooperativas financeiras ampliam o acesso ao crédito para produtores rurais, pequenos empreendedores e comunidades, além de incorporar critérios ESG, financiar projetos sustentáveis, apoiar a agricultura de baixo carbono e promover a inclusão financeira.
À tarde, a comitiva visitou a cooperativa de reciclagem Recicle a Vida, em Ceilândia (DF). Os participantes acompanharam todas as etapas da cadeia, desde a coleta seletiva até a triagem, beneficiamento e comercialização dos materiais, além de iniciativas de educação ambiental e geração de trabalho e renda para cooperados.
Nesta sexta-feira (24), a programação foi voltada ao cooperativismo agropecuário e financeiro. Os participantes visitaram a Coopa/DF, onde conheceram iniciativas relacionadas à produção agrícola e transferência de tecnologia no campo organizada pelas cooperativas, e o Centro Cooperativo Sicoob, dedicado à atuação do cooperativismo de crédito e ao desenvolvimento de soluções de financiamento verde para pessoas e empresas.
Ator estratégico
Ao reunir representantes do poder público, organismos internacionais e cooperativas em um mesmo roteiro, a Imersão Pré-COP31 buscou demonstrar que o cooperativismo pretende ampliar seu papel como agente de implementação da agenda climática.
O principal pleito defendido pelo Sistema OCB é que o cooperativismo seja formalmente reconhecido nas políticas públicas como um ator estratégico para executar ações de adaptação e mitigação das mudanças do clima, com ampliação da sua participação na formulação dos projetos e programas; no acesso a fundos climáticos; em mecanismos de financiamento; e nos espaços de governança internacional.
Para Clara Maffia, reconhecer esse papel significa fortalecer um modelo que já demonstra, na prática, ser capaz de conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental."Muitas pessoas conhecem marcas como Sicredi, Sicoob, Unimed ou Aurora, mas ainda não associam essas organizações ao cooperativismo. Nosso trabalho é mostrar que essas marcas fazem parte de um movimento capaz de transformar vidas e construir um mundo mais justo, equilibrado e sustentável," concluiu.
A poucos meses da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), o Sistema OCB promoveu, nesta quinta-feira (23) e sexta-feira (24), uma imersão voltada a representantes do governo federal, organismos internacionais e instituições parceiras para demonstrar como o cooperativismo brasileiro pretende ampliar sua participação na implementação de uma agenda de desenvolvimento sustentável via o cooperativismo.
Chamado de “Imersão Pré-COP “, o evento reuniu uma comitiva de cerca de 40 representantes de organismos internacionais, ministérios, órgãos do Governo Federal e instituições do cooperativismo para conhecer, na prática, a contribuição das cooperativas brasileiras para o desenvolvimento sustentável e o enfrentamento das mudanças climáticas, dentre eles, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura no Brasil (FAO) e o Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
Ao longo de dois dias, os participantes conheceram experiências de cooperativas dos ramos de crédito, reciclagem e agropecuária, além da estratégia institucional desenvolvida pelo Sistema OCB para inserir o cooperativismo nos principais fóruns de discussão sobre sustentabilidade e desenvolvimento de baixo carbono.
Na abertura do encontro, a gerente geral do Sistema OCB, Clara Maffia, afirmou que o cooperativismo reúne características que o tornam um dos principais instrumentos para transformar os compromissos assumidos nas conferências climáticas em resultados concretos nos territórios. "O cooperativismo tem tudo a ver com essa pauta e possui uma capacidade de contribuição muito relevante. Nada melhor do que conhecer, na prática, a transformação que ele promove na vida das pessoas", afirmou.
Segundo Clara, a realização da Imersão Pré-COP integra uma estratégia construída ao longo dos últimos anos para aproximar formuladores de políticas públicas da realidade das cooperativas brasileiras. "O cooperativismo é a ponte entre a agenda climática global e a realidade local. Sem modelos organizados nos territórios, a transição climática não acontece", destacou.
Ela também explicou que o Sistema OCB atua de forma integrada,organizando suas ações em três pilares estratégicos: representação institucional; ESG (ambiental, social e governança); e desenvolvimento de negócios. E lembrou que um ambiente regulatório adequado é tão importante quanto a boa gestão das cooperativas. "Podemos ter as cooperativas mais eficientes e bem administradas. Mas, se amanhã uma lei determinar que cooperativa paga o dobro de tributos, acabou a competitividade. O ambiente normativo é tão importante quanto a gestão das cooperativas".
Estratégia permanente
O gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Eduardo Queiroz, apresentou aos participantes a estratégia institucional que sustenta a atuação do cooperativismo brasileiro nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas.
Segundo ele, o trabalho desenvolvido pelo Sistema OCB ultrapassa a participação nas Conferências do Clima e envolve o acompanhamento permanente de políticas públicas, legislações, marcos regulatórios, acordos internacionais e regulamentações que afetam diretamente o setor. "Nossa missão é transformar o mundo por meio do cooperativismo. É isso que fazemos diariamente na área de Relações Institucionais, para garantir que as cooperativas tenham condições adequadas para se desenvolver", afirmou.
Queiroz explicou que o Sistema OCB mantém representação em cerca de 20 organismos internacionais, entre eles a Aliança Cooperativa Internacional (ACI), organização que representa aproximadamente 1,2 bilhão de cooperados em todo o mundo e possui status de observadora oficial da COP junto ao sistema das Nações Unidas. Segundo ele, essa articulação permite ampliar o espaço ocupado pelo cooperativismo nas discussões internacionais e fortalecer parcerias com governos e organismos multilaterais. Como exemplo, citou a instalação, durante o Ano Internacional das Cooperativas, de um pavilhão conjunto entre a ONU e o cooperativismo na Green Zone da COP30.
Para o gerente, a principal mudança ocorrida nos últimos anos foi a compreensão de que a COP não deve ser tratada apenas como um evento anual. "Nós deixamos de olhar a COP como um evento e passamos a entendê-la como um processo. É um processo de posicionamento, de construção de narrativas, de fortalecimento da imagem do cooperativismo e também de implementação de ações concretas".
Cooperativismo do DF abre as portas
A superintendente do Sistema OCB/DF, Carla Madeira, apresentou aos participantes o panorama do cooperativismo no Distrito Federal e destacou a importância de aproximar autoridades da realidade das cooperativas locais. Segundo ela, o Distrito Federal reúne atualmente 101 cooperativas, aproximadamente 300 mil cooperados e gera quase 5 mil empregos, com forte presença no ramo de crédito.
Após a abertura institucional, o primeiro dia da imersão foi dedicado à apresentação de experiências do cooperativismo de crédito. Representantes do Sicredi e da Cresol mostraram como as cooperativas financeiras ampliam o acesso ao crédito para produtores rurais, pequenos empreendedores e comunidades, além de incorporar critérios ESG, financiar projetos sustentáveis, apoiar a agricultura de baixo carbono e promover a inclusão financeira.
À tarde, a comitiva visitou a cooperativa de reciclagem Recicle a Vida, em Ceilândia (DF). Os participantes acompanharam todas as etapas da cadeia, desde a coleta seletiva até a triagem, beneficiamento e comercialização dos materiais, além de iniciativas de educação ambiental e geração de trabalho e renda para cooperados.
Nesta sexta-feira (24), a programação foi voltada ao cooperativismo agropecuário e financeiro. Os participantes visitaram a Coopa/DF, onde conheceram iniciativas relacionadas à produção agrícola e transferência de tecnologia no campo organizada pelas cooperativas, e o Centro Cooperativo Sicoob, dedicado à atuação do cooperativismo de crédito e ao desenvolvimento de soluções de financiamento verde para pessoas e empresas.
Ator estratégico
Ao reunir representantes do poder público, organismos internacionais e cooperativas em um mesmo roteiro, a Imersão Pré-COP31 buscou demonstrar que o cooperativismo pretende ampliar seu papel como agente de implementação da agenda climática.
O principal pleito defendido pelo Sistema OCB é que o cooperativismo seja formalmente reconhecido nas políticas públicas como um ator estratégico para executar ações de adaptação e mitigação das mudanças do clima, com ampliação da sua participação na formulação dos projetos e programas; no acesso a fundos climáticos; em mecanismos de financiamento; e nos espaços de governança internacional.
Para Clara Maffia, reconhecer esse papel significa fortalecer um modelo que já demonstra, na prática, ser capaz de conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental."Muitas pessoas conhecem marcas como Sicredi, Sicoob, Unimed ou Aurora, mas ainda não associam essas organizações ao cooperativismo. Nosso trabalho é mostrar que essas marcas fazem parte de um movimento capaz de transformar vidas e construir um mundo mais justo, equilibrado e sustentável," concluiu.
Saiba Mais:
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