Alta do endividamento reforça papel do crédito e do seguro rural
Debate sobre competitividade impulsiona discussões sobre financiamento e proteção da produção
A alta dos custos de produção, os juros elevados e o avanço do endividamento rural colocaram o crédito e o seguro rural no centro das discussões sobre competitividade do agronegócio brasileiro. Em meio à construção do Plano Safra 2026/2027 e às negociações no Congresso Nacional, representantes do setor defendem maior previsibilidade para o financiamento agrícola e ampliação dos mecanismos de proteção da produção.
O debate ganhou força com a tramitação do Projeto de Lei (PL) 2.951/2024, proposto pela senadora Tereza Cristina (MS), vice-presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que moderniza o marco legal do seguro rural e está em tramitação novamente na casa após ter sido aprovado no Plenário da Câmara dos Deputados. Na Câmara, o texto foi relatado pelo deputado Pedro Lupion (PR), integrante Frencoop)e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
A proposta transforma a subvenção ao prêmio do seguro rural em despesa obrigatória da União, sob supervisão do Ministério da Fazenda, além de ampliar o uso do seguro como garantia das operações de crédito rural e estabelecer regras mais claras para indenizações e cobertura de riscos.
Segundo Lupion, o fortalecimento do seguro rural é essencial para preservar a capacidade de investimento do produtor em um cenário de maior instabilidade econômica e climática. “Sem crédito acessível e sem seguro rural robusto, o produtor perde capacidade de investir, inovar e manter a competitividade da produção brasileira”, afirma o parlamentar.
Endividamento pressiona o setor
O avanço das discussões ocorre em meio à preocupação crescente com o endividamento dos produtores rurais. Estimativas do setor produtivo apontam que o passivo do agro já supera R$ 100 bilhões em algumas regiões e segmentos, pressionado pela combinação entre juros elevados, eventos climáticos extremos e aumento expressivo nos custos de insumos.
Produtores e entidades do setor alertam que a falta de previsibilidade no crédito e no seguro rural tem reduzido a capacidade de investimento no campo, especialmente em tecnologia, armazenagem, irrigação e modernização da produção.
Cooperativismo amplia acesso ao financiamento
O tema também mobiliza o cooperativismo agropecuário. O Sistema OCB defende medidas que ampliem o acesso das cooperativas às linhas de crédito e fortaleçam instrumentos de financiamento ao produtor cooperado.
Para Rodolfo Jordão, coordenador do Ramo Agro, crédito e seguro rural passaram a ter papel estratégico para garantir produtividade e sustentabilidade econômica no campo. “O acesso ao crédito impacta diretamente a capacidade de investimento do produtor, especialmente em tecnologia, inovação e ganho de produtividade. Quando há insegurança financeira ou dificuldade de financiamento, toda a cadeia perde competitividade”, afirma.
Ainda segundo o coordenador, as cooperativas tem papel relevante nesse processo por manter presença e atender regiões pouco assistidas pelo sistema financeiro tradicional. “Essa lógica de proximidade das cooperativas de crédito contribui para ampliar o acesso ao financiamento rural e fortalecer a produção agropecuária no país. Com elas, os recursos chegam efetivamente para quem precisa”, complementa.
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