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Agricultura cobra proteção contra perdas climáticas

Secas, enchentes e ondas de calor ampliam debate sobre instrumentos de proteção de renda no campo

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos DeputadosAs mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação futura para a agricultura familiar brasileira. Nos últimos anos, secas prolongadas, enchentes históricas, geadas e ondas de calor passaram a comprometer safras, reduzir renda e aumentar o endividamento de milhares deprodutores em diferentes regiões do país.

Responsável por grande parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros, a agricultura familiar enfrenta mais dificuldades para absorver prejuízos causados por eventos climáticos extremos. Com menor capacidade financeira e menor acesso a instrumentos privados de proteção, muitos produtores dependem de políticas públicas para continuar produzindo após perdas severas.

O cenário tem impulsionado o debate sobre o fortalecimento de mecanismos de gestão de risco, como o seguro rural, o Proagro e programas voltados à estabilidade de renda no campo. A discussão ganhou ainda mais relevância diante da expectativa em torno do Plano Safra 2026/2027 e das propostas em tramitação no Congresso Nacional para modernizar os instrumentos de proteção ao produtor rural.

 

Proteção conjunta

A relevância do tema também pode ser medida pela dimensão do cooperativismo brasileiro. Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025 mostram que mais de 70% dos cooperados do Ramo Agro são provenientes da agricultura familiar e possuem papel estratégico na produção de alimentos e na organização econômica do campo. Nesse contexto, especialistas defendem que crédito rural e seguro rural precisam caminhar juntos. A avaliação é que o financiamento, sozinho, não é suficiente para proteger o produtor diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos.

Rodolfo Jordão, coordenador do Ramo Agro do Sistema OCB, destaca que o seguro rural deve ser tratado como uma ferramenta estruturante para o desenvolvimento do setor. “Ele dá tranquilidade para o produtor honrar seus compromissos. É, acima de tudo, um instrumento de harmonia nas relações comerciais. A expansão da cobertura é fundamental para reduzir vulnerabilidades econômicas e garantir previsibilidade para quem produz”, afirma.

O coordenador defende a modernização da legislação e a criação de um ambiente mais previsível para produtores, cooperativas, seguradoras e instituições financeiras. “As cooperativas enxergam o seguro como uma ferramenta de gestão de risco e de sucessão no campo, que garante a continuidade da atividade agropecuária e o desenvolvimento de novas gerações de produtores rurais. Por isso, nosso pleito é que o seguro se torne um instrumento amplamente utilizado e integrado ao custo de produção agropecuária, assim como insumos, fertilizantes e assistência técnica”, acrescenta.

 

Mecanismos permanentes

No Congresso Nacional, parlamentares ligados à agricultura também têm defendido a adoção de mecanismos permanentes de proteção aos produtores atingidos por desastres climáticos. Integrante da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), o deputado Heitor Schuch (RS) ressalta que o avanço dos eventos extremos exige uma resposta mais estruturada do poder público. “Diante das evidências de aumento desses eventos, é preciso apoiar a agricultura familiar em caso de chuvas excessivas e secas prolongadas, entre outros”.

O parlamentar lembra que a preocupação não se restringe ao Rio Grande do Sul, estado que enfrentou enchentes históricas em 2024. “Em diferentes regiões do país, produtores têm relatado perdas recorrentes provocadas por estiagens prolongadas, excesso de chuvas e oscilações climáticas cada vez mais frequentes”, relata.

Para ele, o seguro rural deixou de ser visto apenas como uma ferramenta financeira e passou a ocupar posição estratégica dentro das discussões sobre segurança alimentar, sucessão familiar, desenvolvimento regional e sustentabilidade da produção agropecuária. “A expectativa é que o tema ganhe protagonismo nas discussões do próximo Plano Safra, diante da necessidade de tornar a agricultura brasileira mais resiliente aos desafios impostos pelo clima”, completa.

 

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