Lar transforma dejetos de suínos em energia limpa e reduz emissão de metano
Contexto e desafios
Fundada em 1964 por 55 agricultores, a Lar Cooperativa Agroindustrial cresceu e se tornou uma potência no agronegócio, com mais de 25 mil funcionários e 15 mil associados. A suinocultura é uma de suas atividades importantes e gera um volume significativo de dejetos.
Sem o tratamento adequado, esse material se decompõe e libera metano, um gás de efeito estufa com alto potencial de aquecimento global. O cenário anterior era marcado pela emissão desse gás na atmosfera e pela total dependência de energia elétrica da rede convencional, com custos elevados.
Os dejetos eram vistos apenas como um passivo ambiental, sem agregação de valor. O desafio da Lar era encontrar uma solução que resolvesse o problema ambiental da emissão de metano e, ao mesmo tempo, criasse uma nova oportunidade a partir dos rejeitos da produção.
Objetivos
O objetivo central do projeto foi implementar um sistema para transformar os dejetos da suinocultura em energia limpa. A iniciativa visava reduzir as emissões de metano e, simultaneamente, gerar eletricidade a partir do biogás capturado no processo.
As metas específicas incluíam diminuir a dependência da compra de energia da rede elétrica, promover a destinação correta de um passivo ambiental e dar um novo valor aos resíduos.
Além disso, a cooperativa buscava contribuir para a transição energética e a mitigação das mudanças climáticas, estimulando o uso de biodigestores como uma ferramenta de controle de emissões em toda a cadeia da suinocultura.
Desenvolvimento
A implementação do projeto foi planejada em etapas, começando com estudos de mercado para selecionar fornecedores de equipamentos e construtoras especializadas. Essa fase inicial garantiu a viabilidade técnica e financeira da iniciativa, que também contou com a busca por linhas de financiamento para projetos de energia renovável.
A estratégia seguiu com a aquisição dos equipamentos e a contratação de mão de obra qualificada para a instalação dos biodigestores e das unidades de geração de energia. A Lar também estruturou um sistema de monitoramento para garantir a operação e a manutenção contínua das plantas de biogás.
O processo técnico é cíclico e sustentável. Primeiro, os dejetos das granjas são coletados e levados para uma câmara fechada, o biodigestor. Ali, microrganismos decompõem a matéria orgânica em um processo de digestão anaeróbia, que produz biogás, um composto rico em metano.
Esse gás é capturado, armazenado e usado como combustível em motogeradores, que produzem energia elétrica limpa. O resíduo sólido que sobra do processo, chamado de digestato, é direcionado para lagoas de tratamento, completando o ciclo de aproveitamento de forma sustentável.
Resultados e impacto
A iniciativa transformou os dejetos da suinocultura em um valioso insumo energético. Em 2024, a geração de 1,6 GWh (Gigawatt-hora) de eletricidade, a partir da queima de quase 800 mil metros cúbicos de biogás em três unidades da Lar, gerou uma economia de R$ 1,1 milhão.
O impacto ambiental mais significativo foi a redução na emissão de gases de efeito estufa. Apenas em 2024, o aproveitamento do metano evitou a emissão de 120 toneladas de gás carbônico equivalente na atmosfera. O projeto ainda garantiu maior autonomia energética, reduziu os custos operacionais e fortaleceu a matriz de energia renovável.
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