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22/09/2026
Sistema OCB fortalece cooperativismo extrativista na Amazônia
Imersão reuniu 24 cooperativas para formação, intercâmbio de experiências e articulação institucional
O Sistema OCB participou da primeira Imersão Coopera + Amazônia, realizada entre os dias 17 e 19 de setembro, em Rio Branco (AC). O encontro reuniu 48 representantes de 24 cooperativas agroextrativistas do Pará, de Rondônia e do Maranhão em uma programação voltada à formação, à troca de experiências, ao acesso a mercados e à articulação institucional.
A iniciativa integra o Coopera + Amazônia, programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), executado pelo Sebrae Nacional, com apoio do Sistema OCB e recursos do Fundo Amazônia/BNDES. Anunciado durante a COP30, em novembro de 2025, o programa busca fortalecer o cooperativismo extrativista e impulsionar a bioeconomia na Amazônia Legal.
Com investimento de R$ 103 milhões, o Coopera + Amazônia atenderá 50 cooperativas do Acre, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia ao longo de 48 meses, entre 2026 e 2030. As ações envolvem cadeias produtivas estratégicas da sociobiodiversidade, como babaçu, cupuaçu, açaí e castanha-do-brasil.
O programa contempla diagnóstico e acompanhamento técnico, consultorias especializadas, aquisição de equipamentos, formação de lideranças, compras coletivas e estratégias para ampliar o acesso a mercados e agregar valor aos produtos. A proposta conecta o desenvolvimento das cooperativas e a geração de renda para as famílias extrativistas à conservação da floresta.
Experiências que conectam a floresta ao mercado
A programação da imersão aproximou os participantes de soluções já adotadas para organizar a produção, fortalecer a gestão e ampliar a comercialização. Entre as atividades, estiveram palestras, rodas de conversa, participação no Inova Amazônia Summit e uma visita técnica à Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (CooperAcre).
Referência no acesso a mercados para produtos extrativistas, a CooperAcre reúne 12 cooperativas singulares e alcança 5.352 famílias em 20 dos 22 municípios acreanos. A central é a maior produtora de castanha-do-brasil beneficiada do país e atua também nas cadeias da borracha e de polpas de frutas.
Durante o dia de campo, realizado no dia 18, os representantes conheceram as unidades de beneficiamento e conversaram com a diretoria da cooperativa sobre organização produtiva, agregação de valor e estratégias comerciais.
A agenda também incluiu a participação no Inova Amazônia Summit, considerado um dos principais encontros de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal. A edição de 2026 reuniu cerca de 7 mil participantes e contou com 35 painéis.
Entre os debates, o painel Da floresta ao mercado: o cooperativismo extrativista como caminho de desenvolvimento sustentável abordou oportunidades e desafios do setor. Participaram Manoel Matos, presidente da Ascosper; Valdemiro Rocha, presidente da OCB/AC; Manuele de Miranda, gerente do Sicoob Credisul; e Ana Carolina Westrup, analista de Inovação do Sebrae Nacional e coordenadora do Coopera + Amazônia.
Diversidade impulsiona a sociobioeconomia
As cooperativas atendidas no primeiro ciclo do Coopera+Amazônia representam diferentes territórios e realidades da Amazônia Legal. São oito organizações do Pará, nove de Rondônia e sete do Maranhão, com atuação em cadeias como açaí, cupuaçu, castanha-do-brasil, babaçu, café, cacau e buriti.
O grupo inclui cooperativas formadas por comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, além de organizações com expressiva presença de mulheres e jovens. Algumas já acessam mercados institucionais e internacionais, enquanto outras contam com agroindústrias comunitárias, certificação orgânica e estruturas próprias de beneficiamento.
“O aprendizado proporcionado nos impulsiona a buscar crescimento e mais inovação. Acreditamos muito em nosso potencial e, em um grupo forte como este, tenho certeza de que podemos ir mais longe”, afirmou Francisco Tarcísio Lima Rabelo, da Coopboa, do Pará.
Durante a imersão, também foi instituído o Fórum de Cooperativas do Coopera + Amazônia, criado para estimular o envolvimento das organizações e apoiar o desenvolvimento das ações do programa. Composto por nove delegados e nove suplentes territoriais, eleitos por polos, o Fórum funcionará como espaço permanente de diálogo e articulação.
Maria Divina Lopes, da Coomara, e Anderson Uruam Suruí, da Coopaiter, foram escolhidos, respectivamente, como delegada e suplente para representar o Fórum no Comitê de Governança do programa.
Formação e governança compartilhada
O Sistema OCB acompanha a construção do Coopera + Amazônia desde 2024 e integra seu Comitê de Governança. A contribuição institucional parte da experiência acumulada na Região Norte com o NegóciosCoop e de metodologias desenvolvidas para fortalecer a gestão e a atuação comercial das cooperativas.
Entre os componentes do programa está a Formação e Mobilização para a Cultura do Cooperativismo, que será conduzida pelo Sistema OCB e contemplará duas lideranças de cada cooperativa. A entidade também avalia oportunidades de contribuir com a assistência técnica direcionada ao agroextrativismo, em complemento às ações de mercado e gestão realizadas pelo Sebrae.
Para Thayne Garcia, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, a diversidade dos territórios constitui um dos principais ativos da iniciativa. “A Amazônia Legal reúne uma riqueza de culturas, pessoas, saberes e produtos cuja dimensão ainda estamos conhecendo. Valorizar essa riqueza e apoiar seu desenvolvimento a partir dos povos amazônidas e das cooperativas contribui para preservar a floresta e construir um futuro com mais oportunidades na região”, declarou.
Também fazem parte do Comitê de Governança o MDIC, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Sebrae Nacional e a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).
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22/09/2026
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Notícias saber cooperar
22/09/2026
Interesse pela comunidade mostra que o coop vai além do econômico
Quando a água subiu e atingiu 478 municípios gaúchos em maio de 2024 – afetando 96% do território do estado –, a resposta ao maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul exigiu solidariedade, rapidez e, acima de tudo, compromisso comunitário. Foi nesse cenário de devastação, no qual mais de 2,4 milhões de pessoas foram impactadas diretamente, que o 7º princípio do cooperativismo – Interesse pela comunidade – se mostrou uma ferramenta potente e ágil para assegurar resiliência social e econômica.
Idealizado para fomentar o papel das cooperativas como agentes do desenvolvimento sustentável onde estão inseridas, o 7º princípio orientou a atuação emergencial do cooperativismo no estado diante de incontáveis prejuízos materiais e centenas de perdas humanas depois das enchentes daquele ano.
A chuva provocou o transbordamento severo de rios como Taquari, Caí, Sinos, Jacuí e Gravataí, desaguando no Lago Guaíba, em Porto Alegre, que atingiu o nível recorde de 5,35 metros – superando a marca histórica da enchente de 1941. Em Porto Alegre, bairros inteiros ficaram alagados por semanas. O Aeroporto Salgado Filho e a Estação Rodoviária precisaram suspender as operações por meses. Em cidades como Canoas e Eldorado do Sul, na região metropolitana da capital, houve inundação quase total das áreas urbanas, exigindo o resgate e a evacuação de dezenas de milhares de moradores.
No Vale do Taquari, municípios como Roca Sales, Muçum, Cruzeiro do Sul, Lajeado e Arroio do Meio foram duramente castigados pela força da água e enxurradas do Rio Taquari, que destruíram pontes, estradas e bairros inteiros. Já na Serra Gaúcha, cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Gramado registraram fortes precipitações com deslizamentos de terra e quedas de barreiras, isolando trechos rodoviários.
Em meio ao caos e ao medo, o Sicredi atuou como articulador de socorro imediato e pilar da reconstrução de longo prazo, sem limitar seu papel à intermediação financeira, mas mostrando a força que a proximidade territorial e a governança orientada por valores possuem em momentos de calamidade.
Na avaliação da doutora em ciências criminais e especialista em questões sociais, Aline Castilhos, a mobilização institucional e, em especial, o 7º princípio do cooperativismo, foram decisivos para a efetividade das ações promovidas. Aline é uma das autoras do artigo A aplicabilidade do princípio do interesse à comunidade: o papel da cooperativa de crédito Sicredi na reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, apresentado durante o 8º Encontro Brasileiro de Pesquisadores em Cooperativismo (EBPC).
“A pesquisa mostrou que o 7º princípio do cooperativismo – o interesse pela comunidade – não é apenas uma declaração de valores, mas um convite a ações concretas, especialmente em situações de crise”, avaliou.
O estudo analisou documentos e relatórios institucionais do Sicredi e identificou uma série de iniciativas que demonstram a aplicação prática do conceito: campanhas de arrecadação, doações financeiras e materiais, mobilização de associados e colaboradores e, principalmente, a participação na operacionalização de linhas de crédito emergenciais para empresas atingidas.
Para o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, as enchentes no Rio Grande do Sul demonstraram que o significado do 7º princípio, compreendido como uma dimensão de responsabilidade social do cooperativismo, pode ser muito mais profundo e estrutural. “Esse princípio não descreve apenas aquilo que uma cooperativa realiza adicionalmente às suas atividades econômicas. Ele ajuda a explicar de quem é a cooperativa, onde estão seus proprietários e a quem sua atuação deve servir”, analisa.
Nas localidades atingidas pelas enchentes, estavam presentes aproximadamente 1,5 milhão de associados do Sicredi pessoas físicas, 230 mil associados pessoas jurídicas e 270 mil produtores rurais associados. “O 7º princípio não deve ser interpretado apenas como uma declaração de boas intenções. Ele oferece uma resposta para uma pergunta essencial: de quem é a instituição? Quando a resposta é que a instituição pertence às pessoas e às comunidades atingidas, permanecer, apoiar e contribuir para a reconstrução deixa de ser uma ação periférica. Passa a integrar a própria razão de existir da cooperativa”, afirmou Port.
Campanha
Em meio à catástrofe climática e a centenas de atingidos, o Sicredi lançou a campanha Ajude RS. O objetivo era arrecadar recursos para as áreas afetadas e mobilizou associados, colaboradores e a sociedade, somando R$ 12,8 milhões em doações espontâneas. Em uma demonstração direta de corresponsabilidade, o sistema cooperativista de crédito aportou o mesmo valor arrecadado, totalizando R$ 25,6 milhões destinados ao restabelecimento das regiões atingidas.
Paralelamente ao socorro financeiro, a capilaridade da cooperativa viabilizou a distribuição de 866 toneladas de doações materiais – incluindo alimentos, água potável, colchões, kits de limpeza e ração animal –, beneficiando diretamente moradores de 138 cidades.
“Foram organizados 16 centros de distribuição, que receberam mais de 100 caminhões com roupas, água, alimentos, produtos de higiene, itens de cama e outros materiais essenciais. As doações foram destinadas a abrigos, escolas, hospitais, órgãos de defesa civil e à comunidade em geral. Também houve a mobilização voluntária de colaboradores, associados e integrantes das comunidades”, lembra Márcio Port.
Ele destaca que o Sicredi não chegou às comunidades depois da tragédia, ao contrário, foi uma das organizações diretamente atingidas. “Dezesseis cooperativas que atuam no Rio Grande do Sul foram impactadas, mais de 100 agências sofreram os efeitos das enchentes e mais de 300 colaboradores tiveram suas próprias vidas afetadas.
“Muitos continuaram atendendo os associados mesmo depois de perderem suas casas ou enfrentarem graves consequências pessoais e familiares”, relembra. “Essa realidade muda a natureza da resposta. Não se tratou apenas de uma operação de ajuda organizada por uma instituição externa, mas de comunidades mobilizadas para socorrer a si mesmas por meio de uma organização que lhes pertence”, afirma Port.
Intercooperação para ajudar
O apoio cooperativista às pessoas atingidas pela tragédia climática no Rio Grande do Sul também mobilizou o país em outra rede de solidariedade, a Coopera RS, liderada pelo Sistema Ocergs, que reuniu mais de 30 cooperativas e dezenas de voluntários. A iniciativa arrecadou cerca de 950 toneladas de alimentos, 40 mil peças de roupas, mais de 20 mil litros de água mineral, além de 400 toneladas de produtos de limpeza e 500 quilos de ração para animais de estimação.
A intercooperação contou com coops de diferentes ramos e de várias partes do país. As doações eram recebidas e armazenadas no pátio da Cooperlíquidos, que se tornou a central de logística da campanha. Também participaram das ações a Unimed, Fecoagro/RS, Cotraibi, Cooral Logística, Sicoob, Cermissões, Coopatrigo, Coopec, Cotrisal, Cresol, Cooperlate, Cootravipa, Certel, Coprel, entre outras. A campanha beneficiou mais de 12 mil pessoas atendidas com as doações. Saiba mais sobre a campanha Cooperar RS
No lugar certo, na hora certa
A pesquisadora Aline Castilhos também destaca a presença nas comunidades como um dos diferenciais cooperativistas que garantiu agilidade na capacidade de resposta durante a emergência. “Em uma situação de desastre, não basta existir uma linha de crédito ou disponibilizar recursos: é preciso que exista uma estrutura capaz de fazer esse recurso chegar efetivamente a quem precisa. O Sicredi estava presente fisicamente em 480 dos 497 municípios gaúchos, com cerca de 670 agências. Essa capilaridade fez uma diferença enorme, especialmente nos municípios pequenos e nas localidades mais afastadas dos grandes centros”, analisa Aline.
“A presença local significa conhecimento do território, relacionamento com os associados e confiança construída ao longo do tempo. A cooperativa conhecia aquela comunidade e tinha condições de identificar com maior rapidez as necessidades dos pequenos empresários e produtores atingidos”, completa.
A experiência gaúcha em 2024 reafirma que o modelo cooperativo não é apenas uma alternativa de mercado, mas uma ferramenta estratégica de transformação territorial. Ao alinhar recuperação econômica com responsabilidade social, o interesse pela comunidade provou ser uma engrenagem capaz de erguer cidades e preservar a dignidade humana em meio à crise.
“Uma das principais conclusões do nosso estudo é que a capilaridade territorial não é apenas uma característica geográfica da cooperativa. Em uma situação de emergência, ela se transforma em uma verdadeira infraestrutura de resposta. A agência que está dentro da comunidade consegue fazer a ponte entre a política pública, o recurso financeiro e a pessoa que precisa daquele dinheiro para reconstruir seu negócio“, explica a pesquisadora.
Compromisso permanente
O 7º princípio do cooperativismo está presente no dia a dia das 4,4 mil cooperativas brasileiras, em iniciativas pontuais ou continuadas que mostram que o impacto do coop vai muito além da atividade econômica. Em todo o país, milhares de ações contribuem para transformar realidades e fortalecer as comunidades com projetos de apoio social, educação financeira, saúde, bem-estar, segurança alimentar, educação e preservação ambiental, entre outras.
No Ceará, por exemplo, a Coopenort, cooperativa do município de Carnaubal, na Serra da Ibiapaba, transformou a solidariedade em um compromisso contínuo. A cooperativa fará a doação de produtos da agricultura familiar ao Lar Amigos de Jesus, instituição que acolhe crianças e adolescentes do Ceará, de outros estados da Região Nordeste e até de outros países durante o tratamento contra o câncer.
A iniciativa terá caráter permanente: todas as quartas-feiras, a cooperativa entregará produtos da agricultura familiar à instituição. Além de contribuir para a alimentação dos acolhidos, a ação aproxima produtores, cooperativa e comunidade em torno de um propósito comum – cuidar das pessoas e gerar impacto positivo onde a cooperação está presente.
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Notícias eventos
21/09/2026
Agricultura familiar: papel do coop é destaque em evento do MDA
Sistema OCB ressaltou importância da gestão, do acesso a mercados e da articulação com o poder público
A importância do cooperativismo para ampliar oportunidades, fortalecer a gestão e facilitar o acesso a mercados para agricultores familiares foi destacada pelo Sistema OCB, nesta segunda-feira (21), durante a abertura da Jornada de Fortalecimento do Cooperativismo e Associativismo da Agricultura Familiar, em Brasília. A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, representou a entidade na mesa de abertura do encontro, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em sua participação, Fabíola ressaltou a importância da articulação entre o poder público e as organizações representativas para ampliar as oportunidades e fortalecer as cooperativas do setor. “A agricultura familiar representa 71,2% do quadro social das cooperativas agropecuárias. Esse número mostra a relevância desses produtores para o cooperativismo e reforça a importância de trabalharmos juntos para fortalecer suas cooperativas, ampliar oportunidades e contribuir para o desenvolvimento das comunidades”, afirmou.
Segundo Fabíola, o modelo cooperativista permite que agricultores organizem a produção, ganhem escala e encontrem melhores condições para chegar aos mercados. “O cooperativismo transforma esforços individuais em capacidade coletiva. Por meio das cooperativas, os produtores conseguem melhorar a gestão, organizar a produção e ampliar o acesso a mercados. Apoiar essas cooperativas é fundamental para que a agricultura familiar continue a gerar renda e a contribuir para o abastecimento do país”, disse.
Gestão e desenvolvimento
A Jornada integra as atividades do Programa Mais Gestão, iniciativa do MDA voltada à qualificação da gestão dos empreendimentos da agricultura familiar. Instituído em 2023, o programa atende atualmente mais de 1.100 organizações em todo o território nacional.
Para Fabíola, o investimento na gestão é uma das condições para que as cooperativas se tornem mais competitivas e sustentáveis. “Uma cooperativa bem estruturada tem melhores condições de planejar sua atividade, acessar mercados, aproveitar oportunidades e gerar resultados para seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à qualificação da gestão têm um papel importante no desenvolvimento dessas organizações”.
A superintendente também destacou que o fortalecimento das cooperativas gera efeitos que ultrapassam os resultados econômicos de empreendimentos em geral. “Quando fortalecemos uma cooperativa da agricultura familiar, contribuímos para manter renda e criar oportunidades no território, ampliando a movimentação das economias locais e a capacidade dos produtores de levar seus produtos aos consumidores. O resultado alcança o cooperado, sua família e toda a comunidade”, declarou.
A Jornada continua nesta terça-feira (22) com debates sobre soberania alimentar, acesso a mercados, o Programa Mais Gestão, inclusão sanitária e certificação.
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21/09/2026
Sistema OCB leva cooperativismo a debate global sobre sustentabilidade
Clara Maffia participou do evento SDGs in Brazil 2026 e reforçou conexões com organizações estratégicas
O Sistema OCB participou, na sexta-feira (18), do SDGs in Brazil 2026, fórum internacional promovido pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU, em Nova York. A organização foi representada pela gerente geral de Negócios, Clara Maffia, em uma agenda voltada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ao diálogo entre lideranças dos setores público e privado.
Realizado no contexto da Assembleia Geral das Nações Unidas, o encontro reuniu representantes de empresas, instituições financeiras, organizações e poder público para discutir desafios relacionados ao desenvolvimento sustentável. Entre os assuntos previstos na programação estavam agenda ESG, paz e segurança, questões hídricas e desenvolvimento e uso da inteligência artificial.
Para Clara Maffia, a presença do Sistema OCB contribui para ampliar a participação do cooperativismo em espaços internacionais nos quais são discutidos temas diretamente relacionados ao desenvolvimento econômico, social e ambiental.
“O cooperativismo tem uma contribuição concreta para muitas das agendas que estão no centro dos debates sobre desenvolvimento sustentável. Participar de um encontro como o SDGs in Brazil nos permite mostrar essa capacidade, acompanhar discussões que impactam o ambiente de negócios e aproximar o Sistema OCB de organizações que também estão construindo soluções para os grandes desafios atuais”, afirmou.
Conexões
Além dos debates de conteúdo, a participação teve como um dos principais resultados a oportunidade de ampliar o relacionamento institucional do Sistema OCB com grandes entidades empresariais, instituições financeiras e demais organizações envolvidas na agenda de sustentabilidade.
Segundo Clara, o encontro abriu espaço para apresentar o modelo cooperativista e estabelecer conexões que podem contribuir para futuras parcerias e iniciativas. “Foi uma oportunidade muito rica de networking e de colocar o cooperativismo no centro de uma agenda estratégica. Estar nesses espaços significa criar pontes, trocar experiências e mostrar a organizações de diferentes setores como as cooperativas já transformam compromissos de sustentabilidade em resultados concretos nos territórios”, acrescentou.
A participação no SDGs in Brazil também representou um novo passo na aproximação entre o Sistema OCB e a Rede Brasil do Pacto Global. A relação ganhou força durante a Imersão Pré-COP e, desde então, tem criado oportunidades de interlocução com o ecossistema das Nações Unidas. O convite para acompanhar o encontro em Nova York foi um dos desdobramentos dessa aproximação.
Para o Sistema OCB, esse diálogo também permite aproximar a experiência das cooperativas brasileiras das discussões internacionais sobre os ODS. Por sua presença nos territórios e atuação em diferentes atividades econômicas, o modelo reúne experiências relacionadas à inclusão produtiva, desenvolvimento local, acesso a serviços, geração de renda, transição energética e sustentabilidade das cadeias produtivas.
“Temos a oportunidade de conectar aquilo que as cooperativas já realizam no Brasil a uma agenda que mobiliza organizações do mundo inteiro. Essa troca fortalece a visibilidade do nosso modelo e, ao mesmo tempo, nos aproxima de experiências, parceiros e soluções que podem gerar novas oportunidades para as cooperativas brasileiras”, destacou Clara.
Climate Week
A passagem do Sistema OCB por Nova York ocorre em um período de intensa mobilização internacional. Após o SDGs in Brazil, a cidade recebe, desde este domingo (20), a Climate Week NY, que reúne organizações, empresas, pesquisadores e lideranças em uma série de atividades dedicadas principalmente às questões ambientais e climáticas.
A agenda amplia as oportunidades de interlocução do Sistema OCB com atores envolvidos nas discussões sobre sustentabilidade e clima. Segundo Clara, a presença nesses espaços integra o movimento de fortalecimento das relações institucionais e internacionais da entidade e de posicionamento das cooperativas brasileiras em debates capazes de influenciar tendências, parcerias e estratégias para os próximos anos.
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21/09/2026
Cooperativas e propaganda eleitoral | Pense no Coop
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18/09/2026
Estudo reúne 66 propostas para modernizar crédito e seguro rural
Trabalho será entregue à FPA e colocado à disposição das equipes dos candidatos à Presidência
Um estudo com 66 propostas para modernizar a política agrícola brasileira, com foco em crédito, seguro rural, ambiente regulatório e orçamento público, entrou na fase final de elaboração e deverá subsidiar discussões sobre o setor a partir de 2027. O trabalho foi apresentado nesta sexta-feira (18), em São Paulo, durante o Summit Agroconsult 2026.
A iniciativa partiu de uma demanda da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e é conduzida pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA), que contratou a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Agroconsult para coordenar tecnicamente o estudo.
Presidente do IPA e presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella afirmou que a construção das propostas buscou reunir diferentes segmentos do agronegócio para produzir um diagnóstico que não ficasse restrito à visão de uma única entidade.
“Desde o início, nossa preocupação foi construir um trabalho coletivo, técnico e que representasse as diferentes realidades do setor. O IPA reúne diversas entidades e entendemos que uma proposta dessa dimensão precisava nascer do diálogo, com diagnóstico, dados e participação de toda a cadeia”, afirmou Tania.
Para acompanhar a elaboração do estudo, o IPA criou um Núcleo Técnico com representantes das entidades envolvidas. Participaram da construção organizações como CNA, Sistema OCB, Aprosoja, CropLife, Abimaq e Abiove, entre outras.
Segundo Tania, o núcleo permitiu que as entidades acompanhassem o trabalho dos consultores e apresentassem contribuições durante todo o processo. “Não queríamos receber um relatório pronto ao final. Criamos um núcleo para acompanhar cada etapa, discutir os diagnósticos e contribuir com a experiência de quem está diariamente lidando com crédito, seguro e produção no campo. Isso deu consistência e legitimidade ao trabalho”, disse.
Diagnóstico e experiências internacionais
A elaboração das propostas passou por diagnóstico da política agrícola brasileira, análise de experiências internacionais e centenas de contatos e entrevistas com representantes da cadeia do agronegócio. O trabalho foi dividido em quatro grandes eixos: crédito rural; ambiente regulatório, com ênfase no mercado de capitais; seguro rural; e orçamento público.
Ao todo, foram consolidadas 66 propostas. O projeto está agora na fase final de elaboração do chamado Position Paper, documento que reunirá o diagnóstico e as recomendações desenvolvidas ao longo do estudo.
“Chegamos a 66 propostas depois de um processo amplo de escuta e comparação com experiências de outros países. Para além de apontar problemas, buscamos construir alternativas que possam efetivamente contribuir para uma política agrícola mais moderna, previsível e adequada aos desafios que o produtor enfrenta”, acrescentou Tania.
Propostas serão entregues à FPA
O estudo deverá ser colocado à disposição da FPA e das equipes dos candidatos à Presidência da República. A intenção, segundo a presidente do IPA, é fornecer uma base técnica para a discussão das políticas agrícolas do próximo governo, independentemente do resultado das eleições.
“Esse não é um projeto de governo nem de candidatura. É uma contribuição técnica do setor. O material estará à disposição da FPA e das assessorias dos candidatos à Presidência para que possa ser analisado e aproveitado pelo próximo governo, seja ele qual for”, enfatizou.
Tania lembrou ainda que a conclusão do estudo representa uma etapa do processo e que a implementação das propostas dependerá da articulação entre setor produtivo, Congresso Nacional e Executivo. “O estudo entrega uma base técnica. A partir daí, teremos uma agenda que dependerá da FPA, do próximo governo e, principalmente, da capacidade de o setor continuar unido em torno das mudanças que considera necessárias. O importante é que teremos propostas concretas sobre a mesa para fazer esse debate”.
Summit Agroconsult
Tania participou do painel Reforma da política agrícola e do seguro rural, ao lado da senadora Tereza Cristina (MS), de Carlos Ortiz, da consultoria Centrec, e de Guilherme Bastos, da FGV.
No debate, Ortiz abordou propostas relacionadas a crédito e ambiente regulatório, com foco no mercado de capitais, enquanto Bastos tratou de seguro rural e orçamento público. Tania apresentou a origem do projeto, o modelo de governança adotado pelo IPA e o processo de construção das propostas.
O Summit Agroconsult 2026, realizado na sede do Itaú BBA, em São Paulo, reuniu mais de 100 lideranças empresariais e produtores para discutir conjuntura e perspectivas para o agronegócio brasileiro.
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18/09/2026
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Sistema OCB apresentou estrutura que reúne 4,4 mil cooperativas e mais de 29 milhões de cooperados
O Sistema OCB recebeu, nesta sexta-feira (18), em São Paulo, uma delegação da All-China Federation of Supply and Marketing Cooperatives (ACFSMC), uma das maiores organizações cooperativistas da China. A presidente executiva da entidade, Tania Zanella, recepcionou a comitiva liderada pela presidente da entidade chinesa, Wang Yuyan, e apresentou a dimensão, a estrutura e a diversidade do cooperativismo brasileiro.
Realizado em conjunto com o Sistema Ocesp, o encontro reuniu os seis integrantes da delegação chinesa e representantes do cooperativismo brasileiro. Tania explicou o modelo de organização do Sistema OCB, formado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e pela Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop), além da atuação do movimento em todo o país.
“O cooperativismo brasileiro está presente em diferentes setores da economia e em todas as regiões do país. Nosso trabalho é representar esse movimento, apoiar o desenvolvimento das cooperativas e criar condições para que elas sejam cada vez mais competitivas, gerem oportunidades para os cooperados e desenvolvimento para as comunidades”, afirmou Tania.
Segundo o AnuárioCoop 2026, com dados referentes a 2025, o Brasil conta com 4,4 mil cooperativas, mais de 29 milhões de cooperados e 613 mil empregos gerados diretamente. “São mais de 29 milhões de brasileiros que encontraram no cooperativismo uma forma de produzir, empreender, acessar crédito, serviços e mercados. Os números mostram a dimensão econômica do movimento, mas também o impacto das cooperativas na vida das pessoas e no desenvolvimento dos territórios”, destacou a presidente executiva.
Diversidade do cooperativismo
A delegação também conheceu os sete ramos em que o cooperativismo brasileiro está organizado: Agropecuário; Consumo; Crédito; Infraestrutura; Saúde; Transporte; e Trabalho, Produção de Bens e Serviços. Tania abordou ainda a estruturação do ramo Seguros, a partir do novo ambiente regulatório para a atuação das cooperativas no setor. “A diversidade é uma das forças do cooperativismo brasileiro. Temos cooperativas que produzem e exportam alimentos, oferecem crédito, serviços de saúde, transporte, energia e diferentes soluções para milhões de pessoas. É um modelo capaz de responder às características e necessidades de diferentes setores da economia”, declarou.
O encontro tratou ainda de áreas de interesse comum entre as organizações, especialmente cadeias de abastecimento, comercialização agrícola e logística de transporte. Para Tania, a aproximação permite ampliar o conhecimento entre os movimentos cooperativistas dos dois países e manter abertas novas possibilidades de cooperação. “Brasil e China têm movimentos cooperativistas de grande dimensão e experiências que podem ser compartilhadas. Manter esse diálogo nos permite conhecer melhor nossas estruturas e identificar oportunidades de cooperação que façam sentido para os dois países”, acrescentou.
Relação Brasil-China
A relação entre o Sistema OCB e a ACFSMC vem sendo construída em diferentes agendas. Em 2024, uma delegação da entidade chinesa esteve no Brasil e visitou cooperativas em São Paulo e no Rio de Janeiro. No ano seguinte, uma comitiva brasileira do ramo Transporte realizou visita técnica à China e foi recebida pela ACFSMC.
Em agosto deste ano, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, reuniu-se com Wang Yuyan. Na ocasião, as duas organizações trataram da agenda internacional do cooperativismo e das eleições da Aliança Cooperativa Internacional (ACI).
“O relacionamento que construímos mostra a importância de manter canais permanentes de diálogo entre o cooperativismo brasileiro e o chinês. Queremos aprofundar essa aproximação, tanto bilateralmente quanto nos espaços internacionais de representação do movimento”, concluiu Tania.
Também participaram da reunião o gerente Técnico e Econômico do Sistema OCB, João Prieto e o consultor técnico do Sistema Ocesp, Armando Sugawara.
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17/09/2026
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Seminário na USP debateu regulação, concorrência e oportunidades para expansão do setor
O potencial das cooperativas para ampliar o acesso da população brasileira a seguros foi um dos temas debatidos nesta quinta-feira (17), durante o II Seminário Jurídico de Seguros, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
O coordenador de Ramos do Sistema OCB, Hugo Andrade, participou do painel Regulação e Concorrência, ao lado de representantes do Ministério da Fazenda e da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O debate abordou o novo ambiente regulatório do setor, a entrada de novos participantes e os caminhos para ampliar a concorrência e a inclusão securitária no país.
Para Hugo, a atuação das cooperativas pode ajudar a levar proteção a pessoas e atividades econômicas que ainda têm pouco acesso ao mercado segurador. “O cooperativismo pode contribuir para levar proteção a quem hoje ainda está descoberto. Temos presença nas comunidades, proximidade com os cooperados e conhecimento das diferentes realidades econômicas. Esse conjunto de características abre espaço para ampliar a inclusão securitária no Brasil”, afirmou.
Novo cenário para o cooperativismo
O debate ocorreu em meio às mudanças promovidas pela Lei Complementar 213/2025, que ampliou as possibilidades de atuação das cooperativas no mercado de seguros, e pela regulamentação posterior do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
Na avaliação de Hugo, o avanço do setor depende de um ambiente regulatório que combine segurança com o reconhecimento das particularidades do modelo cooperativista. “Precisamos de um ambiente regulatório seguro, mas que também reconheça a identidade e a forma de organização das cooperativas. O desafio é permitir que esses modelos sejam viáveis e sustentáveis e, ao mesmo tempo, tenham condições de ampliar a oferta de proteção para a sociedade”, explicou.
Outro ponto destacado foi a possibilidade de integração entre diferentes ramos do cooperativismo. Nesse cenário, as cooperativas de crédito podem desempenhar papel importante por sua capilaridade e presença em diferentes regiões do país. “As cooperativas de crédito têm uma capilaridade muito relevante e podem contribuir para impulsionar o cooperativismo de seguros. A intercooperação é uma das oportunidades que esse novo ambiente nos oferece”, acrescentou.
Concorrência e inclusão
A entrada de novos participantes e os possíveis efeitos sobre a concorrência também estiveram entre os temas discutidos. Hugo ressaltou que a expansão das cooperativas pode contribuir para aumentar a oferta de produtos, mas também para alcançar públicos que ainda possuem baixa cobertura securitária. “Não se trata apenas de dividir um mercado que já existe. Existe a possibilidade de ampliar esse mercado, alcançar novos públicos e fortalecer a cultura de proteção no país. É aí que o cooperativismo pode dar uma contribuição importante”, completou.
Além de Hugo, participaram do painel Vinicius Brandi, do Ministério da Fazenda e membro do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), e Carlos Queiroz, diretor da Susep. A moderação foi conduzida por Adriana Toledo, presidente do Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados (CRSNSP).
Realizado no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, o II Seminário Jurídico de Seguros reuniu especialistas e representantes do setor ao longo do dia. Além de regulação e concorrência, o evento promoveu debates sobre saúde suplementar; seguro de vida e integridade física; seguro de danos e responsabilidade civil; grandes riscos; e resseguro.
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17/09/2026
José Alves Neto é eleito presidente da ACI Américas
Brasileiro, presidente da Uniodonto do Brasil, é reconduzido por unanimidade para mandato 2026-2030
O cooperativismo brasileiro encerra a semana de atividades internacionais no Panamá com uma presença reforçada nas instâncias de representação das Américas. Nesta sexta-feira (18), José Alves de Souza Neto foi eleito, por unanimidade, presidente da Cooperativas das Américas (ACI-Americas) para o mandato 2026-2030. A escolha ocorreu durante a XVII Assembleia Regional Presencial da organização, realizada no Panama Convention Center, na Cidade do Panamá. Em setembro de 2024, José Alves assumiu a presidência provisória, após afastamento de Graciela Fernández por motivos pessoais.
A recondução dá continuidade ao trabalho desenvolvido por José Alves à frente da representação regional da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), responsável pela articulação do movimento no continente americano. A Cooperativas das Américas reúne organizações do movimento de diferentes países e setores e atua na promoção do modelo, na defesa da identidade cooperativa e na representação do modelo de negócios perante organismos internacionais e espaços de decisão.
“Recebo essa recondução com muita gratidão e, principalmente, com senso de responsabilidade. A unanimidade demonstra a confiança construída coletivamente ao longo dos últimos anos e reforça nosso compromisso de seguir aproximando os países das Américas. Temos realidades diferentes, mas compartilhamos valores, desafios e a convicção de que o cooperativismo tem muito a contribuir para o desenvolvimento econômico e social da nossa região”, afirmou José Alves.
A eleição da presidência foi um dos principais pontos da agenda da Assembleia. O encontro começou com a apresentação e votação dos relatórios de gestão referentes ao período 2024-2026, além da análise da prestação de contas e das demonstrações financeiras da organização. Na sequência, a programação entrou no bloco eleitoral, dedicado à definição da presidência e à ratificação das representações nacionais, setoriais e temáticas para o próximo ciclo.
Brasil amplia participação regional
A Assembleia também ratificou a composição do Conselho de Administração da Cooperativas das Américas para o período 2026-2030. Pelo Brasil, Marcos Cunha, diretor de Gestão da Saúde da Unimed do Brasil, foi confirmado como representante titular, e João Penna, coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB, como suplente. A composição do Conselho parte das indicações realizadas pelos países que integram a organização e sua ratificação estava prevista entre os assuntos eleitorais da Assembleia desta sexta-feira.
Para o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB e membro do Conselho de Administração da ACI, Márcio Lopes de Freitas, os resultados consolidam uma estratégia de presença brasileira nos diferentes espaços do movimento cooperativista internacional. “Ampliar nossa representação significa ampliar também a capacidade de contribuir. Queremos levar a experiência das cooperativas brasileiras para esses espaços, construir alianças e, ao mesmo tempo, trazer para o Brasil referências e soluções desenvolvidas em outros países”, declarou.
Juventude e organizações setoriais
Outro resultado da Assembleia foi a ratificação das eleições realizadas no início da semana pelos comitês e organizações setoriais ligados à Cooperativas das Américas. A programação oficial previa justamente a confirmação, nesta sexta-feira, dos representantes dessas instâncias para o período 2026-2030.
Entre os brasileiros confirmados está Enzo Ramos, analista de Relações Institucionais do Sistema OCB, como integrante do Comitê Regional de Juventude. Sua eleição ocorreu no domingo (13), durante a assembleia do colegiado, e amplia a participação brasileira nas discussões sobre formação e renovação das novas gerações do movimento.
Também foram ratificadas as participações de Rodolfo Jordão, coordenador do Ramo Agro do Sistema OCB, como secretário da Rede de Cooperativas Agropecuárias das Américas (Redacoop), e de Margaret Cunha, pioneira do cooperativismo de Trabalho, como secretária da Cicopa Américas, organização que representa cooperativas dos setores de indústria e serviços no continente. As estruturas setoriais complementam a atuação da Cooperativas das Américas ao aprofundar discussões e articulações relacionadas às diferentes áreas do movimento.
A confirmação dessas representações fecha uma semana marcada pelo avanço da participação brasileira em diferentes estruturas internacionais. Ao longo da agenda no Panamá, representantes do país estiveram envolvidos em assembleias, reuniões setoriais, processos eleitorais e debates da Conferência Global da ACI.
Novo ciclo para as Américas
No período da tarde, os trabalhos continuaram com a reunião do novo Conselho de Administração e a eleição do Comitê Executivo da Cooperativas das Américas, etapa que completou a definição da estrutura de governança regional para o novo mandato. A formação ficou conforme abaixo:
José Alves Neto (BR) - presidente
Carla Decker (EUA) - 1ª vice-presidente
Xiomara Nuñez (Rep. Dokinicana) - 2ª vide-presidente
Ricardo Lopez (ARG) - Secretário
Francois Dionne (Canada) - 1º vogal
Elibeth Vanegas (Costa Rica) - 2ª vogal
José Francisco (México) - 3º vogal
A Assembleia marca o encerramento da programação internacional iniciada no domingo (13), que reuniu no Panamá assembleias da ACI e de suas organizações regionais e setoriais, além da Conferência Global.
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17/09/2026
Patrimônio cooperativo ganha novos marcos em conferência global da ACI
Lista internacional chega a 95 registros e amplia reconhecimento de lugares, práticas e tradições
A preservação da memória, das tradições e das experiências construídas pelo cooperativismo em diferentes partes do mundo ganhou destaque nesta quinta-feira (17), no encerramento da Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), na Cidade do Panamá. Com participação do Sistema OCB, a programação apresentou os novos resultados do Programa de Patrimônio Cultural Cooperativo (Cooperative Cultural Heritage – CCH), que passou a reunir 95 registros, entre patrimônios materiais e imateriais.
Durante a plenária, Tiago Schmidt, presidente da Sicredi Pioneira e do Grupo de Trabalho de Patrimônio Cultural Cooperativo, anunciou a incorporação de 63 novas inscrições de 39 países em 2026. Elas se somam à lista lançada no ano passado, em Brasília, durante o Ano Internacional das Cooperativas. A primeira edição reuniu patrimônios de 25 países e marcou o início da construção de um mapa global destinado a identificar e preservar lugares e manifestações relacionados à história e à identidade do movimento cooperativista.
“Há dois anos, este programa era apenas uma ideia. Hoje venho mostrar a vocês no que ela se transformou”, afirmou Schmidt. Segundo ele, a ampliação da iniciativa reforça uma característica que ultrapassa fronteiras. “Dia após dia, encontramos algo notável: as cooperativas são guardiãs vivas da cultura. Por meio da organização democrática, as comunidades preservam conhecimento, sustentam meios de vida e transmitem seu patrimônio às gerações futuras.”
A apresentação fez parte do bloco de anúncios que antecedeu o encerramento da Conferência Global. A programação oficial reservou espaço específico para a atualização do CCH, conduzida por Schmidt, ao lado de outros informes sobre iniciativas internacionais do movimento.
Patrimônio material e imaterial
Uma das principais novidades de 2026 é a ampliação do conceito adotado pelo programa. Além de edifícios, locais, instituições e paisagens ligados à história do cooperativismo, a lista passou a contemplar o patrimônio imaterial, formado por práticas, tradições, conhecimentos e manifestações culturais transmitidos entre gerações. A expansão já vinha sendo preparada pela ACI desde o lançamento da primeira edição do mapa.
Entre os exemplos destacados no Panamá está a tradição do sombrero pintáo, preservada pela Cooperativa de Servicios Múltiples Artesanías Sombrero Pintáo. Ao final da apresentação, Schmidt convidou Adelina Guzmán e Emilio Pimentel, representantes da cooperativa, para receber simbolicamente o pôster da iniciativa em nome dos guardiões das inscrições de 2026.
“A cooperativa preserva o patrimônio cultural imaterial dos chapéus Pintáo do Panamá por meio da participação democrática, tendo o desenvolvimento sustentável como eixo central de sua missão. Por meio de suas práticas, uma tradição viva é transmitida de uma geração para a outra”, explicou Schmidt.
O avanço para o patrimônio imaterial amplia a capacidade do programa de registrar diferentes expressões da cultura cooperativa. A ACI define o patrimônio cultural cooperativo justamente pela combinação de elementos tangíveis — como locais históricos, museus e empreendimentos — e intangíveis, entre eles práticas e tradições que preservam valores e formas de governança cooperativistas.
Brasil como referência
A apresentação também destacou a experiência brasileira. Em julho, a Lei 15.433/2026 reconheceu formalmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional, iniciativa mencionada por Schmidt como exemplo de como o reconhecimento cultural pode avançar também no campo das políticas públicas. “O que defendemos aqui já é lei em um país, e pode ser em muitos outros”, declarou. A ACI já havia destacado, em agosto, que a legislação brasileira fortalece a agenda internacional de reconhecimento do patrimônio cooperativo e se conecta ao trabalho desenvolvido pelo CCH.
O Brasil também teve papel central na origem do projeto. A plataforma e o primeiro mapa mundial foram lançados em novembro de 2025, no Palácio Itamaraty, em Brasília. A iniciativa é conduzida pelo Grupo de Trabalho de Patrimônio Cultural Cooperativo da ACI, que reúne representantes de diferentes regiões do mundo. “Esse reconhecimento mostra que o cooperativismo também é cultura. Ele está presente na maneira como comunidades se organizam, preservam conhecimentos, constroem soluções coletivas e transmitem seus valores. O desafio agora é fazer com que esse patrimônio seja cada vez mais conhecido, protegido e compartilhado”, acrescentou Schmidt.
Cultura como ponte para a paz
Em sintonia com o tema da Conferência Global — Building Bridges: Cooperative Contributions for a Peaceful World (Construindo pontes: contribuições cooperativas para um mundo de paz), Schmidt relacionou a preservação do patrimônio à construção da paz e destacou exemplos de diferentes realidades históricas. Entre eles, citou a Holy Land Handicraft Cooperative Society, na Palestina, que preserva tradições artesanais e conhecimentos por meio da cooperação, e a tradição cooperativa dos kibutzim, em Israel. Segundo ele, a presença de experiências distintas no mesmo mapa busca preservar suas particularidades e, ao mesmo tempo, mostrar como a cultura pode estabelecer conexões.
“São histórias distintas, nascidas de seus próprios povos, lugares e experiências. Nós as colocamos neste mapa para respeitá-las. Porque a paz não exige que tenhamos a mesma memória. Ela pergunta se memórias diferentes podem ser carregadas com dignidade, e se a nossa humanidade comum ainda é capaz de construir pontes entre elas”, afirmou.
A iniciativa dialoga ainda com a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável 2027–2036, declarada pela Assembleia Geral das Nações Unidas e citada durante a apresentação como uma oportunidade para ampliar a presença do cooperativismo no debate internacional sobre cultura e desenvolvimento.
Próximos passos
A agenda já mira uma nova etapa. Para 2027, a expectativa é reunir representantes e guardiões dos patrimônios reconhecidos em Kerala, na Índia, em um encontro internacional dedicado ao tema. Entre as propostas está também avançar nas articulações para fortalecer a presença da cultura nas discussões sobre desenvolvimento sustentável.
O mapa global permanece aberto como instrumento de divulgação e mobilização. Depois de alcançar 95 inscrições, o grupo estabeleceu como próximo marco chegar a 100 patrimônios reconhecidos, com a reabertura das candidaturas. “Este é apenas o começo. Vamos juntos descobrir, proteger e conectar o patrimônio cooperativo do nosso mundo”, concluiu Schmidt.
Encerramento
A apresentação sobre patrimônio integrou a manhã de encerramento da Conferência Global da ACI. A programação desta quinta-feira também promoveu uma discussão sobre cooperativismo, liderança e construção da paz, reunindo representantes de diferentes gerações e países para tratar de economias locais, tecnologia, inteligência artificial e do papel das cooperativas na promoção da paz.
Na sequência, a conferência apresentou sua declaração final, conduzida pelo diretor-geral da ACI, Jeroen Douglas; pelo diretor da Cooperativas das Américas, Danilo Salerno; e pelo presidente da Comissão de Direito Cooperativo das Américas, Dante Cracogna. O encerramento reuniu ainda o presidente da ACI, Ariel Guarco; o presidente da Cooperativas das Américas, José Alves de Souza Neto; a diretora-executiva do Ipacoop, Erika Vargas; e o presidente da Cooperativa Profesionales, Alex Ortega.)
Com o fim da Conferência Global, a agenda internacional do cooperativismo no Panamá entra em sua etapa final. Nesta sexta-feira (18), será realizada a Assembleia Regional Eletiva da Cooperativas das Américas.
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16/09/2026
Seis perguntas e respostas para entender a multa de R$ 153,7 milhões ao TikTok
A multa de R$ 153,7 milhões aplicada pela Agência Nacional de Proteção de Dados – ANPD ao TikTok chamou atenção pelo valor e rapidamente ganhou espaço no noticiário. No entanto, para as cooperativas em geral, mais importante do que o tamanho da multa, é a possibilidade de compreender como uma fiscalização iniciada anos atrás terminou na maior sanção pecuniária já aplicada por descumprimento da LGPD.
Embora o caso envolva crianças e adolescentes e características específicas de uma grande plataforma digital, as infrações que geraram as penalidades envolvem questões que fazem parte do dia a dia de diversas cooperativas, independentemente do porte e do público com quem se relacionam. Bases legais, prevenção de riscos, efetividade dos controles e capacidade de demonstrar conformidade são temas presentes em qualquer programa de proteção de dados.
Confira abaixo as perguntas e respostas que preparamos para que seja possível extrair algum aprendizado a partir do caso.
1. Afinal, quais infrações à LGPD geraram a multa?
A primeira foi a realização de tratamentos sem uma hipótese legal válida, tanto no chamado “feed sem cadastro” quanto no cadastro de adolescentes. A segunda envolveu falhas na adoção de medidas preventivas capazes de evitar o tratamento irregular de dados de crianças e adolescentes. A terceira foi a incapacidade de demonstrar, com evidências suficientes, que as medidas de conformidade adotadas pela empresa eram efetivamente capazes de produzir os resultados alegados.
Para a ANPD, não basta apenas possuir políticas, procedimentos e controles formalmente estabelecidos. A organização precisa demonstrar que as diretrizes previstas nesses documentos são efetivamente observadas e que os controles funcionam, inclusive por meio de evidências técnicas, indicadores e outros elementos verificáveis.
2. Por que o valor ultrapassou R$ 150 milhões se o limite previsto na LGPD é de R$ 50 milhões por infração?
Essa talvez seja uma das informações mais relevantes do caso para as cooperativas, já que o limite previsto pela LGPD para a multa simples (50 milhões de reais por infração) não significa necessariamente que a exposição financeira de uma cooperativa estará limitada a esse valor em um processo sancionador.
Cada regra violada da LGPD, individualmente considerada, corresponde a uma infração. Confira abaixo as infrações e os valores das multas atribuídos a cada uma delas:
Infração
Sanção aplicada
Conduta 1 – Tratar dados pessoais de crianças e adolescentes menores de 18 anos sem hipótese legal válida, com a finalidade de fornecer a experiência do “feed sem cadastro” – art. 7º da LGPD
Multa simples de R$ 35.760.388,68
Conduta 2 – Deixar de adotar medidas para prevenir o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes menores de 13 anos na experiência do “feed sem cadastro” – art. 6º, VIII, da LGPD
Multa simples de R$ 35.760.388,68
Conduta 3 – Tratar dados pessoais de crianças e adolescentes menores de 18 anos com a finalidade de realizar o cadastro na plataforma TikTok sem hipótese legal válida, diante da inexistência de contrato válido – art. 7º da LGPD
Multa simples de R$ 27.416.297,99, além de eliminação de dados pessoais
Conduta 4 – Deixar de adotar medidas eficazes para prevenir o cadastro de crianças e adolescentes menores de 13 anos na plataforma TikTok – art. 6º, VIII, da LGPD
Multa simples de R$ 27.416.297,99
Conduta 5 – Deixar de demonstrar medidas eficazes e capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas de proteção de dados – art. 6º, X, da LGPD
Multa simples de R$ 27.416.297,99
Valor consolidado das multas simples
R$ 153.769.671,33
Ou seja, o limite de R$ 50 milhões não se aplica ao processo sancionador como um todo, mas a cada infração individualmente considerada. Assim, a violação de diferentes dispositivos da LGPD pode resultar na aplicação de múltiplas multas, cada uma sujeita ao limite legal de R$ 50 milhões.
3. A multa decorre apenas da LGPD ou também do ECA Digital?
Embora o caso esteja diretamente relacionado à proteção de crianças e adolescentes, o ECA Digital não foi utilizado como fundamento para a aplicação das sanções. O Relatório de Instrução identificou violações aos artigos 7º e 6º, VIII e X, da LGPD, relacionados às bases legais, à prevenção e à responsabilização e prestação de contas.
A ANPD já dispunha de instrumentos relevantes para fiscalizar o tratamento de dados de crianças e adolescentes antes mesmo das novas competências decorrentes do ECA Digital. O novo marco amplia e complementa esse sistema de proteção, mas não foi necessário para fundamentar a multa aplicada neste caso.
4. A multa foi aplicada de uma hora para outra?
Não! O caso começou com uma denúncia recebida pela ANPD em março de 2021 e tramitou por mais de cinco anos até a decisão que aplicou as penalidades. Nesse período, a Agência solicitou informações, analisou documentos, realizou reunião técnica e apontou insuficiências nos mecanismos utilizados pela empresa.
O TikTok também teve diferentes oportunidades para apresentar esclarecimentos e defender suas práticas. Foram apresentadas respostas a ofícios, defesa acompanhada de Relatórios de Impacto à Proteção de Dados Pessoais e outros documentos, alegações finais e até uma proposta de celebração de Termo de Ajustamento de Conduta.
No entanto, para a ANPD, o conjunto de documentos e manifestações apresentados não foi suficiente para demonstrar que o tratamento de dados de crianças e adolescentes estava amparado por hipótese legal válida, que haviam sido adotados controles preventivos adequados aos riscos envolvendo esse público e, ainda, que as medidas de conformidade implementadas eram efetivas e passíveis de comprovação.
5. O que todas as cooperativas podem aprender com o caso?
Uma das principais lições do caso TikTok é que algumas questões que ainda são vistas como discussões técnicas ou burocráticas da LGPD precisam ser tratadas com seriedade pelas cooperativas. A definição das bases legais é um bom exemplo, já que as operações de tratamento de dados pessoais devem estar devidamente registradas no Registro das Operações de Tratamento de Dados Pessoais – ROPA e associadas às respectivas hipóteses legais.
É nesse documento e em suas atualizações, que precisam acompanhar as mudanças nos próprios processos da cooperativa, que ficam registrados quais dados são tratados, para quais finalidades, com quem são compartilhados e, entre outras informações, qual base legal sustenta cada operação.
Fica o recado para todas as cooperativas de que não basta escolher uma das bases legais da LGPD e simplesmente registrá-la no ROPA. É indispensável avaliar se a base legal escolhida combina com a operação e se os pressupostos jurídicos necessários para sua utilização estão presentes. Por exemplo, se a base legal indicada for o cumprimento de obrigação legal, deve ser possível identificar qual norma estabelece essa obrigação e demonstrar a relação entre ela e os dados tratados. Se for execução de contrato, é necessário que o contrato seja válido e que o tratamento dos dados tenha relação efetiva com a sua execução.
Vale destacar que mapeamentos de processos em que dados pessoais são tratados, avaliações de risco, fluxos de atendimento aos titulares, treinamentos, gestão de terceiros e medidas de segurança precisam sair do papel. Quanto maior o risco da atividade, maior tende a ser a expectativa de que existam evidências de implementação, acompanhamento e revisão dos controles. No caso do TikTok, a dificuldade em demonstrar a eficácia das medidas adotadas foi, por si só, considerada uma infração ao princípio da responsabilização e prestação de contas.
6. O TikTok já foi multado em outros países?
O caso brasileiro não é um episódio isolado na trajetória recente do TikTok envolvendo a não adoção de boas práticas de proteção de dados. Em diferentes países, a plataforma já enfrentou sanções de grande porte, especialmente em investigações relacionadas ao uso de dados pessoais de crianças e adolescentes.
A autoridade de proteção de dados da Irlanda aplicou uma multa de € 345 milhões ao TikTok em 2023, após analisar questões relacionadas às configurações das contas de crianças, mecanismos de verificação de idade, transparência e proteção de dados por padrão. Também naquele ano, o Information Commissioner’s Office, autoridade britânica de proteção de dados, multou o TikTok em £ 12,7 milhões por violações envolvendo o tratamento de dados pessoais de menores. Mais recentemente, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou um acordo de US$ 400 milhões com TikTok para encerrar processo em que eram discutidas alegações de descumprimento da legislação norte-americana de privacidade de menores. Parte superior do formulário
O caso TikTok chama atenção pelos R$ 153,7 milhões, mas talvez sua maior contribuição para outras empresas esteja em uma pergunta muito mais simples: se a ANPD pedisse hoje evidências de que o programa de proteção de dados da sua cooperativa funciona, o que ela conseguiria apresentar?
Notícias eventos
16/09/2026
SomosCoop vira case brasileiro em conferência global da ACI no Panamá
Superintendente do Sistema OCB apresenta iniciativa que reúne mais de 1,7 mil cooperativas
O cooperativismo brasileiro levou à Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), nesta quarta-feira (16), na Cidade do Panamá, uma experiência construída para enfrentar um desafio que acompanha o setor há anos: tornar as cooperativas mais conhecidas pela sociedade e criar uma identidade comum para organizações de diferentes portes, regiões e ramos.
A superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, apresentou o case do movimento SomosCoop durante a sessão Building Bridges Through Communication: Speak Up, Scale Up! (Construindo pontes por meio da comunicação: expresse-se, amplie seu alcance!), dedicada ao papel da comunicação no fortalecimento do cooperativismo mundial.
Sua participação se deu no segmento Inspiration in Action: Success Stories (Inspiração em ação: histórias de sucesso), que reuniu experiências de diferentes regiões. O convite para detalhar o caso brasileiro ocorreu dentro do pilar Core Narrative & Branding (Narrativa central & branding), um dos cinco eixos da Estratégia de Comunicação da ACI para 2026–2030.
“O SomosCoop nasceu de um desafio muito claro: tínhamos cooperativas fortes, com marcas reconhecidas e histórias relevantes, mas precisávamos mostrar para a sociedade que todas elas fazem parte de um mesmo movimento. A construção de uma narrativa comum foi o caminho que encontramos para dar unidade a essa diversidade”, explicou Fabíola.
De 29% para 55%
A criação do SomosCoop partiu de um diagnóstico sobre o conhecimento da população a respeito do cooperativismo. Em 2018, apenas 29% dos brasileiros entrevistados sabiam citar uma cooperativa. Em 2023, esse percentual chegou a 55%. “Os números mostravam que tínhamos um problema de reconhecimento. O cooperativismo já estava presente na vida de milhões de brasileiros, mas muitas vezes as pessoas consumiam um produto ou utilizavam um serviço de uma cooperativa sem perceber que aquilo fazia parte de um modelo de negócios com características próprias”, disse a superintendente.
Outro desafio era a fragmentação da comunicação. Cada cooperativa trabalhava sua própria estratégia, normalmente concentrada em produtos, serviços e marcas individuais. Por isso, Fabíola detalhou que o Sistema OCB passou a trabalhar na construção de uma identidade que pudesse conectar essas organizações sem substituir as marcas já existentes. “O objetivo sempre foi preservar a força de cada marca e, ao mesmo tempo, criar um elemento capaz de dizer ao consumidor que todas elas pertencem a um movimento maior”, afirmou.
Mais de 1,7 mil cooperativas
A estratégia, contou a superintendente, resultou na criação do SomosCoop, com dois objetivos centrais: ampliar o diálogo do cooperativismo com a sociedade e reforçar entre cooperativas e cooperados o sentimento de pertencimento ao movimento. “A marca foi estruturada para ser modular e adaptável. Assim, cooperativas de diferentes portes e setores poderiam incorporar o carimbo SomosCoop a produtos, campanhas e materiais institucionais. Hoje, mais de 1,7 mil cooperativas utilizam a marca”.
Segundo Fabíola, esse foi um dos principais aprendizados do processo. “Uma marca coletiva precisa fazer sentido para quem vai utilizá-la. Quando as cooperativas começaram a incorporar o SomosCoop às próprias estratégias, a marca deixou de ser apenas uma iniciativa institucional e passou efetivamente a pertencer ao movimento”. Ela acrescentou que o reconhecimento também avançou entre os consumidores. “Pesquisa divulgada pelo Sistema OCB mostrou que um em cada quatro entrevistados afirmou ter tido contato com a marca SomosCoop, na pesquisa de 2023”.
Do reconhecimento à escolha
Fabíola destacou que a estratégia de comunicação passou por diferentes etapas desde a primeira campanha nacional, lançada em 2020. Depois de trabalhar o conhecimento sobre o modelo e a identificação do cooperativismo, o movimento entrou em 2026 em uma nova fase. O mote Escolha consciente, escolha do coop, tem como objetivo levar o consumidor a comprar com propósito, a partir do reconhecimento de produtos e serviços cooperativo e da escolha considerando essa origem.
“Primeiro, precisávamos ser conhecidos. Depois, reconhecidos. Agora, queremos transformar esse reconhecimento em uma relação mais próxima com o consumidor. A ideia é fazer com que ele encontre o carimbo SomosCoop, saiba o que existe por trás daquela marca e possa fazer sua escolha de forma consciente”, relatou.
A superintendente também lembrou que uma das ambições da estratégia é fortalecer a percepção das cooperativas, no Brasil e no mundo, como atores relevantes dos sistemas econômicos e sociais, ultrapassando o conceito de ser apenas uma alternativa a outros modelos empresariais. “Não estamos apresentando uma receita pronta. Cada país tem uma realidade, uma cultura e um movimento cooperativista diferente. O que podemos compartilhar é o processo: entender o problema, identificar aquilo que une as cooperativas, construir uma narrativa simples e criar ferramentas para que ela possa ganhar escala”.
Fabíola concluiu sua participação destacando a importância da participação na conferência. “O SomosCoop foi construído ao longo de anos, com pesquisa, aprendizado e participação das cooperativas. Poder compartilhar essa trajetória mostra que temos experiências relevantes para oferecer, mas também nos permite ouvir, aprender e voltar ao Brasil com novas referências. Essa troca é parte fundamental do cooperativismo”, concluiu.
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Márcio Freitas é reeleito para Conselho de Administração da ACI
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16/09/2026
Primeira pesquisa nacional revela retrato da cultura cooperativista
Estudo do Sistema OCB ouviu 9,7 mil pessoas e identificou forças e desafios para o movimento
Notícias representação
15/09/2026
Márcio Freitas é reeleito para Conselho de Administração da ACI
Resultado mantém Brasil na governança global e reforça estratégia de ampliar representação internacional
O presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, foi reeleito, com nesta terça-feira (15), para o Conselho de Administração da Aliança Cooperativa Internacional (ACI). O resultado foi definido durante a Assembleia Geral Eleitoral da entidade, realizada na Cidade do Panamá, e mantém o Brasil em uma das principais instâncias de decisão do cooperativismo mundial.
A eleição reuniu lideranças e representantes de organizações cooperativistas de diferentes países. Ao todo, 24 candidatos disputaram 15 vagas no Conselho de Administração, responsável por participar das decisões estratégicas e da definição dos rumos da maior organização de representação do movimento cooperativista em nível global.
Para Márcio, a reeleição representa o reconhecimento da força alcançada pelo cooperativismo brasileiro. “Essa é uma conquista de todo o movimento brasileiro. Chegamos até aqui representando milhões de cooperados e milhares de cooperativas que mostram, todos os dias, a capacidade desse modelo de gerar desenvolvimento, renda e oportunidades.
O presidente também reforçou que o resultado amplia a responsabilidade do país nos debates internacionais. “Permanecer no Conselho da ACI significa garantir que o Brasil continue tendo voz ativa nas grandes discussões sobre o presente e o futuro do cooperativismo mundial, o que nos dá ainda mais responsabilidades para ocupar esse cargo”, afirmou.
Articulação
A recondução ocorreu em meio ao fortalecimento da atuação internacional do Sistema OCB e ao aprofundamento das relações com organizações cooperativistas das Américas, Europa, Ásia e África. Nos últimos anos, o cooperativismo brasileiro ampliou sua participação em fóruns internacionais, reuniões bilaterais e agendas relacionadas a temas como segurança alimentar, sustentabilidade, inovação, transição energética, inclusão financeira, comércio e desenvolvimento econômico e social.
A possibilidade de criar conexões e oportunidades para o setor ao ocupar espaços de governança internacional também foi destacada pelo presidente Márcio. “O Brasil tem muito a compartilhar com o mundo, mas também muito a aprender. Quando estamos nesses espaços, conseguimos construir pontes, trocar experiências, aproximar organizações e identificar oportunidades que podem chegar às nossas cooperativas. A representação internacional precisa se transformar em resultados concretos para quem está na ponta”, apontou.
Ampliação da representação
A reeleição para o Conselho da ACI integra uma agenda mais ampla de participação brasileira nas eleições realizadas durante a programação internacional no Panamá. Além da Assembleia Eleitoral para o Conselho e a presidência da ACI, a programação reúne Assembleias Eletivas da ACI Américas, dos comitês de gênero e juventude e das organizações setoriais vinculadas tanto à ACI global quanto à representação continental.
A presença simultânea em diferentes instâncias demonstra, de acordo com o presidente Márcio, que a estratégia brasileira ultrapassa a simples ocupação de uma cadeira e busca ampliar a capacidade de participação do país na construção das políticas do movimento.
“Queremos uma representação brasileira cada vez mais ampla e qualificada. É importante estar no Conselho global, mas também fortalecer nossa presença nas Américas, no cooperativismo agropecuário, na juventude e nas organizações setoriais. Cada espaço conquistado aumenta nossa capacidade de contribuir, construir alianças e defender uma agenda que reconheça o cooperativismo como instrumento de desenvolvimento”, explicou.
Comitiva brasileira
O Brasil participa da programação no Panamá com uma delegação de 34 pessoas, formada por representantes do Sistema OCB, organizações estaduais e lideranças do movimento cooperativista. A apresentação pública do novo Conselho de Administração da ACI está prevista para quinta-feira (17), durante a Conferência Global.
Com a reeleição, Márcio seguirá representando o cooperativismo brasileiro em um dos principais espaços de governança do movimento mundial. Para ele, o desafio agora é transformar a presença internacional em novas oportunidades e resultados.
“Essa reeleição aumenta nossa responsabilidade. Vamos continuar trabalhando para que o Brasil seja cada vez mais ouvido e respeitado e para que nossa atuação internacional gere conexões, conhecimento e oportunidades para as cooperativas. Temos um cooperativismo forte e queremos contribuir ativamente para construir um movimento global ainda mais relevante para a sociedade”, concluiu.
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15/09/2026
Representação institucional é destaque em encontro com candidatos no ES
Tania Zanella participou de agenda para aproximar o cooperativismo do debate sobre o futuro do estado
A presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, participou, nesta terça-feira (15), em Vitória (ES), do Encontro do Cooperativismo com os Candidatos ao Governo do Estado do Espírito Santo. Promovida pelo Sistema OCB/ES, a agenda reuniu cerca de 250 dirigentes, conselheiros e executivos de cooperativas capixabas para conhecer as propostas dos candidatos e apresentar as prioridades do movimento para o desenvolvimento do estado.
Participaram da programação os candidatos Lorenzo Pazolini, Ricardo Ferraço e Helder Salomão. Cada um contou com espaço para apresentar suas propostas e dialogar com as lideranças cooperativistas. O encontro também incluiu a entrega do documento Propostas para um ES Mais Cooperativo e a assinatura do Termo de Compromisso com o Cooperativismo.
Na abertura, Tania ressaltou a importância de espaços de diálogo que permitam apresentar aos candidatos as características, demandas e contribuições do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social. O encontro foi conduzido com tratamento isonômico às candidaturas e foco na agenda institucional do movimento, conforme a proposta definida para a iniciativa.
“O cooperativismo acredita no diálogo e na construção de agendas que contribuam para o desenvolvimento. Momentos como este permitem apresentar nossas prioridades, ouvir as propostas de quem se coloca à disposição para governar o estado e ampliar o conhecimento sobre a contribuição das cooperativas para a economia e para as comunidades. Fazemos isso com respeito a todas as candidaturas e com a convicção de que representar o cooperativismo também significa participar de forma qualificada do debate público”, afirmou Tania.
Representação articulada
Em sua participação, a presidente executiva apresentou a estrutura de representação institucional do cooperativismo brasileiro e destacou a atuação integrada do Sistema OCB. “A força da nossa representação vem da capacidade de conectar o que acontece dentro de cada cooperativa e de cada estado às grandes discussões nacionais. Temos uma estrutura organizada para transformar as demandas do movimento em propostas, construir interlocução com os poderes públicos e acompanhar os temas que influenciam diretamente o ambiente de atuação das cooperativas”, destacou.
Entre as frentes que compõem a atuação de representação do Sistema OCB, Tania destacou as relações institucionais e governamentais, os Conselhos Consultivos de Ramos, a Agenda Institucional do Cooperativismo, a educação política, as relações trabalhistas e sindicais e as relações internacionais. Para ela, essa articulação ganha relevância também nos períodos eleitorais, quando o movimento tem a oportunidade de apresentar suas prioridades e ampliar o diálogo com quem pretende ocupar funções públicas.
“Nosso papel é levar propostas construídas a partir das necessidades reais das cooperativas e dos cooperados. Queremos que quem assume uma função pública conheça o potencial do cooperativismo e compreenda como políticas públicas adequadas podem ampliar sua contribuição para a geração de oportunidades, renda e desenvolvimento regional. É uma atuação permanente, técnica e propositiva”, acrescentou.
Diálogo
O encontro promovido pelo Sistema OCB/ES integra a estratégia de participação institucional do cooperativismo no processo eleitoral, a partir do programa Pense no Coop. A iniciativa busca oferecer às lideranças cooperativistas informações para uma participação consciente e, ao mesmo tempo, apresentar aos candidatos uma agenda construída pelo movimento. O caráter apartidário e o diálogo equilibrado com todas as candidaturas foram definidos como premissas centrais da programação.
Ao encerrar sua participação, Tania reforçou a importância de manter o cooperativismo presente nos espaços em que são debatidas decisões com impacto sobre as cooperativas e suas comunidades. “Representar significa estar presente, apresentar propostas e construir pontes. Quanto maior a compreensão dos gestores públicos sobre o cooperativismo, maiores são as possibilidades de construirmos ambientes favoráveis para que as cooperativas possam continuar a investir, gerar oportunidades e contribuir para o desenvolvimento do Espírito Santo e do Brasil”, concluiu.
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15/09/2026
ICAO mantém Márcio Lopes de Freitas na vice-presidência pelas Américas
Segundo dia de agenda no Panamá teve debates sobre patrimônio cooperativo e articulações internacionais
A participação do Sistema OCB na agenda internacional do cooperativismo no Panamá registrou mais um avanço para a representação brasileira nesta segunda-feira (14). O presidente do Conselho de Administração da entidade, Márcio Lopes de Freitas, foi reeleito vice-presidente pelas Américas da Organização Internacional das Cooperativas Agropecuárias (ICAO). A eleição ocorreu durante a Assembleia Geral da organização e integrou o segundo dia de atividades da delegação brasileira na Cidade do Panamá.
A ICAO é a organização setorial da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) dedicada ao cooperativismo agropecuário e reúne representantes de diferentes regiões para promover intercâmbio, articulação e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor. Em 2025, a organização chegou a 42 membros de 35 países.
Também foram reconduzidos os demais integrantes da liderança regional: Ivan Asiimwe, da Uganda Cooperative Alliance, como vice-presidente para a África; Akihiro Fukuzono, da Central Union of Agricultural Cooperatives (JA-Zenchu), do Japão, pela Ásia-Pacífico; e Mieczysław Grodzki, do National Cooperative Council, da Polônia, pela Europa. Ho-dong Kang, presidente da National Agricultural Cooperative Federation (NACF), da Coreia do Sul, segue à frente da ICAO.
A recondução do presidente Márcio mantém o cooperativismo agropecuário brasileiro em evidência no cenário mundial. “Estar mais uma vez na vice-presidência da ICAO pelas Américas é uma oportunidade de levar a experiência do cooperativismo agropecuário brasileiro para o debate mundial e, ao mesmo tempo, ampliar a troca com organizações de diferentes países. Temos desafios compartilhados, especialmente em temas como segurança alimentar, sustentabilidade, inovação e geração de oportunidades para os produtores. A cooperação internacional nos ajuda a construir respostas conjuntas para esses desafios”, afirmou Márcio.
Patrimônio cultural
Outra frente da agenda desta segunda-feira foi a reunião do grupo dedicado ao Patrimônio Cultural Cooperativo, iniciativa que conta com participação ativa do Sistema OCB. O encontro tratou dos próximos passos do trabalho e avançou nas discussões para a realização de um simpósio internacional sobre patrimônio cultural cooperativo na Índia, previsto para 2027.
A atuação do Brasil nessa agenda vem sendo construída nos últimos anos. Em novembro de 2025, o país sediou, no Palácio Itamaraty, em Brasília, o lançamento do Mapa do Patrimônio Cooperativo, uma das entregas desenvolvidas no âmbito da iniciativa. O Sistema OCB também participa da condução dos projetos e ações relacionados ao tema.
O assunto terá novo destaque durante a Conferência Global da ACI. Na quinta-feira (17), a programação prevê uma apresentação sobre o Patrimônio Cultural Cooperativo, com participação do presidente Márcio e de Tiago Schmidt, presidente do grupo de trabalho. A atividade abordará a construção coletiva da iniciativa e a importância da preservação da cultura para a identidade cooperativa.
“A história do cooperativismo é construída pelas pessoas, pelas comunidades e pelas organizações que fizeram desse modelo uma ferramenta de transformação ao longo de gerações. Preservar esse patrimônio fortalece nossa identidade e permite que essa trajetória continue inspirando o futuro. O avanço dessa iniciativa e a perspectiva de um encontro internacional em 2027 mostram que essa agenda está ganhando dimensão global”, destacou o presidente Márcio.
Articulação para as próximas eleições
A programação do segundo dia incluiu ainda a reunião do Conselho de Administração da ACI Américas, com foco na preparação para a Assembleia Geral Eleitoral da organização regional, marcada para sexta-feira (18). O brasileiro José Alves é candidato à reeleição para a presidência da entidade.
A delegação brasileira também participou de um almoço de networking organizado para aproximar os membros da ACI dos candidatos ao Conselho de Administração global. A eleição acontece nesta terça-feira (15), durante a Assembleia Geral Eleitoral da ACI, e reúne 24 candidatos para 15 vagas. Márcio Lopes de Freitas concorre à recondução ao Conselho, ampliando a agenda brasileira de representação nas instâncias internacionais do cooperativismo.
A programação do dia foi encerrada com um jantar que reuniu integrantes dos Conselhos de Administração da ACI global e da ACI Américas. O cronograma preparado para a delegação brasileira também incluiu, ao longo do dia, reuniões das estruturas regional e global da Aliança.
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15/09/2026
Futuras Lideranças celebra formatura de turma realizada com a Ocesp
Formação combinou conhecimento, mentoria e diversidade para fortalecer sucessão e diversidade
Depois de seis meses de aprendizados, encontros e troca de experiências, participantes da Solução Futuras Lideranças se reuniram no último dia 1º, na sede do Sistema Ocesp, para celebrar a conclusão da jornada de formação. Ao todo, foram mais de 98 horas dedicadas ao desenvolvimento de competências relacionadas à liderança, cooperativismo, ESG, diversidade e inclusão, comunicação, sucessão e sustentabilidade, entre outros temas.
A cerimônia marcou o encerramento da segunda turma da solução em âmbito nacional e reuniu participantes, mentores, especialistas, cooperativas e profissionais envolvidos na iniciativa. Integrante do programa CulturaCoop, do Sistema OCB, o Futuras Lideranças tem como objetivo preparar a próxima geração de líderes do cooperativismo, contribuindo para os processos de sucessão e para a ampliação da diversidade nos espaços de liderança das cooperativas brasileiras.
A diversidade esteve entre os principais aspectos destacados durante o encontro. Ao longo da formação, participaram profissionais de diferentes áreas, funções, regiões e gerações, que representaram 21 cooperativas de seis ramos do cooperativismo. A variedade de trajetórias também esteve presente nas atividades de mentoria, que aproximaram profissionais de diferentes realidades e estimularam a troca de conhecimentos.
A abertura contou com a participação de Jessyca Bolzan, coordenadora de Desenvolvimento Social do Sistema OCB, que apresentou o papel da solução no âmbito da Cultura Cooperativista, como perspectiva de futuro, ao preparar lideranças capazes de responder não somente aos desafios contemporâneos das cooperativas, mas para manterem viva a essência cooperativista, por meio de uma continuidade orientada pelos valores e princípios cooperativistas.
Já Divani de Souza, analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB que acompanha o desenvolvimento das turmas, reforçou que a experiência construída inicialmente com os pilotos realizados em São Paulo e Espírito Santo contribuiu para o aprimoramento da metodologia e para a expansão da iniciativa em âmbito nacional. "A cada turma realizada temos a certeza de que estamos no caminho certo, visto o alto índice de engajamento dos participantes, especialmente entre mentor e mentorado e o que essa sinergia contribui para o desenvolvimento da cooperativa”, destacou Divani.
Compartilhamento
Um dos momentos da celebração foi dedicado ao compartilhamento das experiências vividas durante a formação. Participantes de diferentes cooperativas foram convidados a relatar como o contato com outros profissionais ampliou perspectivas e trouxe novos aprendizados para suas trajetórias. Para os participantes, a formação também representou um espaço de reflexão sobre o papel que podem exercer no desenvolvimento de suas equipes e organizações.
Monica Moraes, do Sicoob Cooplivre, chamou atenção para a importância da formação de novas lideranças para a sucessão nas cooperativas. “É uma iniciativa muito importante porque busca desenvolver futuros líderes, principalmente pensando na sucessão das cooperativas em níveis mais estratégicos”, afirmou. Ela também destacou as discussões sobre diversidade, inclusão e equidade e apontou as mentorias como um dos pontos altos da experiência. “Pudemos ter momentos de mentoria em grupo e individual com os mentorados. A palavra que fica é gratidão por ter participado”.
Para Jonathan Cresp, da Cooperativa Agropecuária de Ibiúna (Caisp), a formação teve importância especial por coincidir com o início de sua trajetória como cooperado e membro do núcleo jovem da cooperativa. “Foi um curso de grande valia para mim. Eu já buscava conhecimento sobre a cooperativa e o cooperativismo. Foi também muito importante pelo contato com outras cooperativas e por conhecer diferentes formas de cooperar”, relatou. Segundo ele, iniciativas como essa também ampliam o protagonismo das novas gerações. “Cada vez mais o jovem está inserido nesse meio. É uma grande oportunidade que precisamos agarrar”, acrescentou.
Marina Cunha Oliveira, da CoopCargill, destacou especialmente as conexões construídas ao longo da jornada. “Os encontros presenciais tiveram um gostinho diferente. Tive a oportunidade de conhecer colegas, com muitas trocas de experiências e incentivo à intercooperação”, disse. Para ela, a formação também ajudou a reconhecer competências e enxergar os próximos passos profissionais. “Terminei o Futuras Lideranças com o coração cheio de gratidão, mais repertório e mais clareza sobre os desafios que quero assumir daqui para frente”.
A troca entre mentor e mentorado também foi ressaltada por Mateus Roberto Tomiasi, do Sicoob Paulista. “Foi uma experiência muito enriquecedora. Pude aprender muito, compartilhar um pouco do meu conhecimento e trocar muitas ideias com o meu mentorado, inclusive levando aprendizados para a minha equipe no dia a dia”, declarou.
Manoela Santana e Larisse de Paula, ambas do Sicoob Cooplivre, ressaltaram os reflexos da experiência no desenvolvimento profissional e pessoal. “O curso foi extremamente importante. Foi uma experiência para a vida, tanto pela convivência com os professores quanto pela troca com outras cooperativas. Trouxe muita coisa positiva para dentro do nosso trabalho”.
Patricia de Paula e Luciana Souza, da Unimed Ribeirão Preto, resumiram a participação como uma experiência de aprendizado e transformação. “Contribuiu tanto para o nosso desenvolvimento pessoal quanto profissional e nos trouxe novos olhares para a liderança. Seguimos juntas, aprendendo, crescendo e fazendo a diferença”.
Encerrando os depoimentos, Daniel Benazzi, da Uniodonto Americana, destacou o conjunto de experiências proporcionado pela formação. “Foi um privilégio fazer parte dessa experiência e refletir sobre temas tão relevantes para o futuro do cooperativismo. Momentos como esse fortalecem o cooperativismo, aproximam pessoas e nos inspiram a seguir inovando e construindo juntos”, afirmou.
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