Sicoob Centro revitaliza produção de cacau sustentável na Amazônia
Contexto e desafios
A Sicoob Centro é uma instituição financeira cooperativa com mais de 70 mil cooperados em três estados brasileiros. Com o propósito de gerar desenvolvimento socioeconômico, a cooperativa atua próxima de suas comunidades, identificando desafios e oportunidades de impacto.
Em Rondônia, a cadeia produtiva do cacau enfrentava um cenário desafiador. Nas décadas de 1980 e 1990, a praga da vassoura-de-bruxa devastou a cacauicultura na Amazônia, levando muitos a acreditarem que a cultura estava condenada na região.
Os produtores sofriam com baixa produtividade, falta de acesso à tecnologia, ausência de organização institucional e pouca visibilidade no mercado. Como consequência, a comunidade enfrentava o êxodo rural, a redução da renda familiar, a degradação ambiental e o risco iminente de desaparecimento da tradição cacaueira local.
Objetivos
A iniciativa “Do cacau ao chocolate: cooperar é coisa nossa” nasceu da necessidade de reerguer a cadeia produtiva do cacau em Rondônia, transformando um cenário de vulnerabilidade em uma oportunidade de desenvolvimento sustentável. A Sicoob Centro, em parceria com cooperativas de produtores, estabeleceu uma série de metas para revitalizar o setor:
- Aumentar a produtividade das lavouras com o uso de clones mais resistentes à praga.
- Valorizar a origem amazônica do produto por meio da conquista da Indicação Geográfica (IG Rondônia Cacau).
- Gerar renda e inclusão social para milhares de famílias agricultoras da região.
- Impulsionar a sustentabilidade com a implementação de sistemas agroflorestais (SAFs) que preservam a biodiversidade.
- Projetar o cacau e o chocolate de Rondônia em mercados internacionais como símbolos de qualidade, inovação e sustentabilidade.
- Fortalecer a produção de cacau e chocolate por meio da cooperação.
Desenvolvimento
A estratégia para alcançar esses objetivos uniu inovação agrícola, fortalecimento institucional e valorização da origem. O projeto impactou diretamente 2.342 famílias produtoras de cacau em Rondônia, beneficiando jovens, mulheres e pequenos agricultores familiares em áreas rurais.
A Sicoob Centro investiu R$ 150 mil e ofereceu capacitação, crédito e apoio administrativo para a Cacauron (Cooperativa de Produção de Cacau de Rondônia). A iniciativa articulou um robusto ecossistema de parceiros, incluindo Sebrae, Emater, Senar, universidades e o governo estadual, que foram fundamentais para o suporte técnico e acesso a feiras e editais nacionais.
As ações foram divididas em fases: primeiro, a reestruturação da produção, com a introdução de clones produtivos e sistemas agroflorestais; em seguida, o fortalecimento institucional das cooperativas de produtores, com capacitações e parcerias estratégicas; depois, a valorização da marca Rondônia, com a conquista da Indicação Geográfica e a participação em feiras nacionais e internacionais; e, por fim, a integração comunitária, dando palco aos agricultores e chocolateiros para contar sua história.
Resultados e impacto
A iniciativa transformou a realidade da cacauicultura no estado. Em apenas uma safra, houve um crescimento de 67% na produção de amêndoas e de 51% na fabricação de chocolates finos. A conquista da Indicação Geográfica "Rondônia Cacau" garantiu identidade e valor agregado ao produto, abrindo portas para novos mercados.
Hoje, os chocolates de Rondônia acumulam prêmios em concursos de qualidade nacionais e internacionais, e a expansão dos sistemas agroflorestais promove a recuperação ambiental e a diversificação de renda. O estado é reconhecido como um polo emergente da cacauicultura de qualidade no Brasil, com um impacto social, econômico e ambiental duradouro.
O projeto é um exemplo de como o cooperativismo pode liderar a resposta a crises climáticas e socioeconômicas. Combinando produção sustentável, inclusão social e valorização da biodiversidade amazônica, a experiência é um modelo replicável para outros territórios.
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Diante da instabilidade econômica dos anos 90, a Lar Cooperativa diversificou suas atividades ao criar uma cadeia de avicultura de corte do zero. O projeto transformou pequenas propriedades rurais, gerando uma remuneração de R$ 61,5 milhões mensais para os produtores integrados. Hoje, a Lar é a 3ª maior empresa de abate de aves do Brasil, exporta para mais de 90 países e emprega 19 mil pessoas no setor, provando ser um poderoso modelo de desenvolvimento econômico e social.
A Unicred Ponto Capital identificou o alto desperdício de resíduos têxteis provenientes de bases militares e transformou esse problema ambiental em oportunidade. A cooperativa montou o Batalhão do Bem, projeto que capacita mulheres em vulnerabilidade social e dá novo uso aos equipamentos que seriam descartados.
