Resiliência Financeira das Cooperativas de Saúde
Além do lucro: cooperativas de saúde apresentam menor risco de insolvência
O Sistema OCB divulga estudo inédito, desenvolvido internamente e publicado no periódico Annals of Public and Cooperative Economics (APCE), que teve como objetivo construir um modelo preditivo de risco de insolvência para o setor de saúde suplementar brasileiro e, principalmente, quantificar se o modelo organizacional cooperativo está associado a um menor risco financeiro em comparação com os demais tipos de operadoras de planos de saúde. Os resultados mostram que as cooperativas apresentam menor probabilidade de insolvência com um perfil distinto: seus principais fatores de risco estão ligados à eficiência operacional, e não a indicadores tradicionais de lucro. Trata-se de uma das primeiras tentativas de quantificar empiricamente a resiliência financeira do cooperativismo de saúde, oferecendo evidências robustas de que essa forma de organização pode ser um fator de proteção mesmo em mercados competitivos.
O estudo classifica uma operadora como insolvente quando o lucro operacional não cobre as despesas financeiras (alavancagem negativa) ou quando o patrimônio líquido é negativo. Não se trata, portanto, de falências declaradas na Justiça, mas de sinais de deterioração financeira.
Resultado principal
O principal resultado do estudo é que ser uma cooperativa reduz o risco de insolvência: controlando as demais variáveis financeiras, cooperativas operadoras de plano de saúde médico têm, em média, 4,8 pontos percentuais a menos de probabilidade de insolvência do que as demais operadoras. O resultado é robusto a especificações alternativas.
menor probabilidade de insolvência do que as demais operadoras, mantendo as demais variáveis constantes.
Aplicamos Propensity Score Matching para equiparar cooperativas e outras operadoras de plano de saúde e o efeito protetor se manteve.
Os indicadores de Endividamento Total, Liquidez Corrente, Taxa de Despesas Administrativas, Sinistralidade, Margem Líquida, Faturamento e Retorno sobre Patrimônio (ROE) são variáveis preditoras do risco de insolvência de operadoras de plano de saúde médico.
Operadoras cooperativas e comerciais possuem perfis de risco diferentes
O estudo identificou que os indicadores relacionados ao risco variam conforme o modelo de operação.
O risco está mais associado à eficiência operacional. Indicadores de lucro, como ROE e margem líquida, não são as variáveis mais significantes para explicar o risco em cooperativas.
Variáveis de maior relevância
- Sinistralidade
- Taxa de despesas administrativas
O risco está mais associado à rentabilidade, liquidez e endividamento. Choques na rentabilidade e endividamento são os principais vetores de risco.
Variáveis de maior relevância
- Margem líquida
- ROE
- Liquidez corrente
- Dívida total
Avaliar uma cooperativa de saúde pelos mesmos indicadores usados para empresas comerciais produz um diagnóstico equivocado!
Acesse o artigo completo
Publicado em acesso aberto no Annals of Public and Cooperative Economics (Wiley) · DOI: 10.1111/apce.70052
Estudo: Sistema OCB · APCE/Wiley · Fonte de dados: ANS Tabnet.
